Será curioso, de agora em diante, ver lideranças do agro carregando bandeiras norte-americanas ou usando o chapéu do MAGA.
Um documento, prestes a se tornar público, que me foi enviado por um diplomata brasileiro, mostra que o Brasil entrou na mira definitiva da inteligência norte-americana.
Trata-se do National Defense Authorization Act for Fiscal Year 2026 – basicamente o “orçamento com superpoderes” da defesa e inteligência dos EUA
O artigo-chave para o Brasil é a seção 6705.
O texto obriga a inteligência americana a investigar investimentos chineses no agronegócio brasileiro
O que Washington quer saber:
Dentro de 60 dias, o Diretor Nacional de Inteligência (DNI) deverá avaliar:
- Se Xi Jinping atuou diretamente com líderes brasileiros sobre agricultura
- O nível de engajamento do governo chinês com o setor agrícola do Brasil
- Intenção estratégica da China (controle de alimentos? geopolítica? dependência?)
- Quantas empresas chinesas atuam no agro brasileiro
- inclusive joint ventures com empresas nacionais
- Impacto global:
- cadeias de suprimento
- preços internacionais
- segurança alimentar mundial
Tudo isso está explicitamente listado no texto da lei.
Além do estudo, o governo americano terá que entregar um relatório formal em 90 dias, em formato público, com anexo sigiloso opcional, para comissões de Inteligência, Agricultura e Relações Exteriores
Ou seja: o agro brasileiro entrou no radar estratégico dos EUA
Tradução geopolítica
Washington está dizendo, em lei:
“A China está comprando influência alimentar no quintal do mundo — vamos mapear isso.”.
Isso envolve
- terras
- silos
- logística
- energia ligada à produção
- controle de exportações
Em bom português: quem controla comida controla poder.
Se o relatório confirmar expansão chinesa relevante, as consequências serão pressão diplomática sobre o Brasil e tentativas de barrar aquisições, influenciar marcos regulatórios, reativar presença americana no agro. E uso do tema em: acordos comerciais, disputas na OMC e negociações ambientais.