DEPOIS DE AMEAÇA FEITA PELOS EUA, IRÃ RESPONDEU QUE EUA PROCURAM DESESTABILIZAR O PAÍS ATRAVÉS DE “ATIVIDADES EXTREMISTAS E TERRORISTAS”
afinsophia 16/01/2026 0
TENSÃO NA ONU
A fala foi feita após um embaixador dos EUA afirmar que ‘todas as opções estão sobre a mesa’ para intervir no Irã
- SÃO PAULO (SP)
- REDAÇÃO BRASIL DE FATO
O Irã acusou os Estados Unidos e Israel de tentarem desestabilizar o país persa, por meio do estímulo a “atividades extremistas e terroristas”, com o objetivo de intervir militarmente.
“O regime dos EUA tenta se apresentar como amigo do povo iraniano, enquanto simultaneamente prepara o terreno para um grande esforço de desestabilização política e intervenção militar sob uma suposta narrativa humanitária. Essas alegações são particularmente cínicas”, afirmou Gholamhossein Darzi, embaixador do Irã, nesta quinta-feira (15), durante a reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
Darzi afirmou que a estratégia dos Estados Unidos, com o apoio de Israel na região, “se baseia na fabricação de vítimas, na disseminação de números falsos e inflados e na criação de um pretexto para intervenção estrangeira. É um roteiro familiar, usado repetidamente, do Iraque à Líbia e à Venezuela”.
A declaração foi feita após o embaixador estadunidense Mike Waltz afirmar que “todas as opções estão sobre a mesa para deter o massacre”, em referência aos iranianos mortos durante os protestos no Irã, e que Donald Trump “é um homem de ação, não de discursos intermináveis”.
Após a fala de Mike Waltz, o representante do governo iraniano afirmou que qualquer medida realizada pelos Estados Unidos contra o Irã terá uma resposta “decisiva, proporcional e legal”. “Hoje falo em nome de uma nação em luto. É profundamente lamentável que o representante do regime dos EUA, que solicitou esta reunião, tenha recorrido hoje a mentiras, distorção dos fatos e desinformação deliberada para ocultar o envolvimento direto de seu país em incitar a violência no Irã”, completou.
O representante teve o apoio do embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia, que acusou os EUA de convocarem uma reunião do Conselho de Segurança para justificar uma “agressão flagrante e interferência nos assuntos internos de um Estado soberano”.
Protestos
As manifestações eclodiram a partir de comerciantes que criticam a forte desvalorização da moeda nacional em relação às moedas estrangeiras e as crescentes dificuldades econômicas no país.
Rapidamente, os protestos se espalharam para diversas cidades do país. Em 8 de janeiro, atos em Teerã registraram incêndios e destruição de ônibus, ambulâncias, 24 prédios residenciais, 25 mesquitas, dois hospitais, 26 bancos e outros prédios governamentais e públicos.
Os manifestantes também cobram reformas políticas e no sistema judiciário, além de maior liberdade, e fazem críticas ao governo do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã. Em resposta, o regime iraniano bloqueou o acesso à internet em 9 de janeiro, enquanto Khamenei classificou os manifestantes como “sabotadores”.
No início das manifestações, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse que as reivindicações são “legítimas” e afirmou que o bem-estar da população é sua preocupação diária.
“Temos medidas fundamentais em pauta para reformar o sistema monetário e bancário e manter o poder de compra do povo. Instruí o Ministro do Interior a ouvir suas reivindicações legítimas por meio do diálogo com os representantes dos manifestantes, para que o governo possa agir com responsabilidade e com todas as suas forças para resolver os problemas”, escreveu em seu perfil no X, em 29 de dezembro.