ESQUERDA FRANCESA DEFENDE UNIÃO E FRENTE POPULAR PARA CONTER ULTRADIREITA APÓS ELEIÇÕES EUROPEIAS

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TERREMOTO POLÍTICO

Progressistas foram mais votados do que nas eleições anteriores e defendem rejeitar propostas de Macron

Lucas Estanislau
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | |

 

Macron foi considerado o grande perdedor das eleições para a União Europeia na França – AFP

Reagindo aos resultados preliminares das eleições para o Parlamento europeu, partidos de esquerda na França defendem união e a formação de uma frente popular para conter o avanço da extrema direita no bloco. A grande votação que os extremistas conservadores receberam no país levou o presidente francês, Emmanuel Macron, a dissolver o Parlamento e convocar novas eleições legislativas em 30 de junho e 7 de julho.

“Os resultados nos obrigam, as organizações de esquerda, a nos unirmos para bloquear a extrema direita”, disse Hélène Le Cacheux, dirigente do Parti de Gauche ao Brasil de Fato nesta segunda-feira (10). “Devemos nos unir para combater a extrema direita.”

Outro partido de esquerda, o La France Insoumise declarou por meio de nota que “a extrema direita ameaça tomar o poder com a cumplicidade de grande parte da mídia e dos círculos financeiros e empresariais”. 

“É, portanto, uma batalha decisiva que temos pela frente: estamos hoje a colocar todas as nossas forças nesta luta para vencer a extrema direita e os macronistas.”

O La France Insoumise ressalta que o partido cresceu neste pleito, quase 10% em relação à eleição de 2019. A entidade reputa o crescimento à participação de jovens, moradores de bairros operários e eleitores no exterior. 

O presidente Macron foi amplamente criticado pelo resultado. Nesta segunda, ele fez um apelo aos franceses para que façam  a “escolha correta”. “Tenho confiança na capacidade do povo francês de fazer a escolha correta para si e para as gerações futuras. Minha única ambição é ser útil ao nosso país que tanto amo”, disse Macron na rede social X.

O pleito, previsto para 2027, foi antecipado por Macron após o partido de extrema direita Reagrupamento Nacional (RN) obter 31,37% dos votos. O mandato de Macron vai até 2027 e o pleito de 30 de junho e 7 de julho pode fazer com que ele divida o poder com a extrema direita. Essa possibilidade – somada à realização da Olimpíada de Paris este ano – causa apreensão no país.

“Uma dissolução antes dos Jogos é muito preocupante”, afirmou a prefeita de Paris, a socialista Anne Hidalgo.

Ao Brasil de Fato, Hélène Le Cacheux disse que os partidos de esquerda devem se unir para disputar essas eleições já que “Macron é o presidente dos ricos e serve aos interesses do capital”. “Essa convivência de interesses e objetivos em comum se chama consciência de classe; a nós, nos cabe reavivar a luta de classes”, disse.

O analista Brice Teinturier, do instituto de pesquisas Ipsos, aponta que as esquerdas poderiam ser a força definidora das eleições gerais. Ele disse à  agência de notícias AFP que a rapidez com que Macron anunciou o pleito pode ser estratégia para dificultar uma articulação mais ampla da esquerda. 

Do bloco de esquerda, os socialistas foram os mais votados nas eleições europeias na França, com 13,83% dos votos, à frente da candidatura do LFI (9,89%), dos ecologistas (5,5%) e dos comunistas (2,36%). O La France Insoumise afirma que vai defender a plataforma de cunho social, rejeitando medidas de austeridade, xenófobas anti-ecológicas.

Esquerda europeia

Fora da França, a esquerda também reagiu. Em nota, o bloco da Esquerda Europeia no Parlamento da UE disse que se manterá como “a oposição dura à influência da extrema direita nas políticas da UE nos próximos anos”.

“Ao mesmo tempo em que há ganhos a serem celebrados em muitos países, a Esquerda está em alerta com as correntes políticas perigosas que estimulam divisão”, afirma.

“Reafirmamos nosso compromisso de ser a voz do povo, do planeta e da paz”, disse a eurodeputada francesa Manon Aubry. “A melhor maneira de lutar contra a extrema direita é ter uma esquerda forte e combativa”, disse.

Resultados indicam que o bloco deve perder ao menos um assento no Parlamento em relação ao mandato anterior.

Edição: Rodrigo Durão Coelho

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