50 ANOS DA REVOLUÇÃO DOS CRAVOS EM PORTUGAL E O CINE-CLUBE, EM MANAUS, DO CRÍTICO-CINÉFILO ‘GAJO’-ZÉ GASPAR

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PRODUÇÃO AFINSOPHIA.ORG

 

                         Para o GAJO-ZÉ-GASPAR! Nós não falamos que íamos Vivenciar esse Devir-Histórico-Lusitano? É mole ou quer mais, Pá!? 

Hoje, Dia 25 de Abril de 2024, o Povo Português celebra mais um Movimento-Histórica que o torna uma das Nobres Nações do Mundo: A Revolução dos Cravos.

 

A Revolução dos Cravos foi um Movimento-Libertário-Lusitano que afastou de vez a ditadura salazarista que tanto perseguiu e violentou os portugueses que sempre pensaram e praticaram a Liberdade-Democrática, mas que a aliança da ditadura, que começou com o fascista, Generalíssimo Franco, da Espanha, durante a Segunda Guerra obstruiu durante décadas a Liberdade em Terras Lusas.

 

Entretanto, este acontecimento de Transformação-Histórica, toca diretamente em alguns amazonenses que eram, na época, frequentadores do Cine-Clube dirigido pelo talentoso e inquieto cinéfilo, José Gaspar. Ou, melhor, Zé Gaspar. Ou, um pouco melhor, o Gajo, companheiro da inquieta Nadir e de seu Rebento-Amistoso, Gasparzinho. 

 

Pois, este Gajo, chegou em Manaus ainda na década de 60, já sendo amazonense, proveniente da terra de Camões. “O almirante português que enxergava mais com um olho do que nós com todos três”, como diz a piada. Foi chegar e se enturmar com facilidade com a chamada moçada das letras e das artes, já que era senhor em Literatura.

 

Sendo um ser muito acessível para o diálogo, tem um dom livre para o humor. Que o faz um ser alegre e gozador. Tem uma disposição contagiante para contar os enredos dos cinemas com claro prazer. Fora também funcionário da Universidade do Amazonas, onde realizou boas amizades, além de durante alguns anos se tornar responsável pela Lua: Livraria da Universidade do Amazonas.

 

Com o passar do tempo, ele mostrou sua verve como historiador de Cinema e, chegou a escrever a Revista Cinéfilo, em seguida, um talentoso cinéfilo envolvido com a preocupação de criar espaços para projeção de Cinema.

 

Depois de algumas experiências, o Gajo criou o Cine-Clube, lembrando o patrício cinegrafista Silvino Santos, que iria ser um point de alegria para muitos manauaras com suas projeções-cinematográficas realizadas nas noites de sábado e, posteriormente, os homéricos debates. Apesar do seu múltiplo acervo-cinematográfico, Zé Gaspar, projetava sensíveis e politizados realizadores-lusitanos.

 

Bem, é aqui que entram os 50 Anos da Revolução dos Cravos e sua relação com o Cine-Clube do Zé Gaspar que ficava no segundo andar do prédio da Biblioteca Pública, na Rua Barroso, esquina com a Avenida 7 de Setembro, em Manaus, em um pequeno auditório pela parte direita quando se subia a escada em espiral.

 

A sessão começava sempre depois das 20 horas com um público muito bem consciente que vivíamos uma terrível ditadura civil-militar. Era um ano perigosíssimo ( todos momentos de ditadura são perigosíssimos) e que já prenunciava os assassinatos de Vladimir Herzog (25 de outubro de 1975, nas dependência do DOI-Codi) e do operário, Manuel Fiel Filho (17 de janeiro de 1976, também nas dependências do DOI-Codi), depois de muitos que foram sequestrados, presos, torturados e assassinados.

 

Da nossa parte, que eramos bons-camaradas do Gajo, formávamos o Grupo Universitário de Teatro do Amazonas (GRUTA), e, nessa noite, como sempre, havias outras personalidades ligadas às artes, visto que o Cine-Clube era uma linha-móvel da Estética-Engajada de Manaus. Por isso, no meio artístico, o Zé Gaspar era mais conhecido do que farinha baguda.

 

Estamos por ali, conversando, em grupos esperando que o Gajo chegasse para começar a sessão-cinematográfica. Como sempre acontecia nesses tempos de perseguição-paranoica, em territórios assim, sempre tinha dedo duro, informante, um dos sujeitos sujeitados mais sórdidos, desprezíveis, abjetos que essa sociedade capitalista-capitalística “abençoada por Deus” com sua ambição do lucro e vantagem modelou. Esse tipo sem qualificação que nasce na família e na escola impulsionado pelos pais e professores que lhes ensinam a dedurar os irmãos e coleguinhas, já crescem com o destino traçado: vão ser delatores onde se encontrarem. 

 

Mas, nós conhecíamos o que frequentava o Cine Clube e que era, também, estudante-profissional àquele que entra na universidade sem realizar vestibular, convidado pelos órgãos repressores para dedurar alunos, professores, reitores, funcionários. O mundo universitário. Mas, ele, em seu delírio-megalomaníaco, acreditava que era invisível e ninguém sabia quem era ele.

 

Eis, que o Zé Gaspar sobe as escadas, verbalizando em alto-tom, contagiado pela alegria que só a Liberdade é capaz de criar. “Gajos! Gajos! Gajos! Se preparem!”. O dedo, que se encontrava no lado oposto ao que nós  estávamos, veio de fininho para junto do público- subversivo, mas sofreu bela frustração: Zé Gaspar viu a movimentação do abjeto, e parou de falar, se junto com a gente e começamos a conversar sobre putaria para tirar o sórdido de tempo.

 

O desprezível, sentindo “o desprezo que tua mãe me me deu”, voltou para seu canto. Com o território livre, aí, o Gajo contou que a ditadura salazarista havia caído. Camaradas, não deu outro: Todos, em uníssono, bradaram: “Viva a Liberdade! Viva a Liberdade! A ditadura caiu! A ditadura caiu!”. O prédio da Biblioteca, a Rua Barroso e adjacentes vibraram com o entusiasmo-libertário da massa. 

 

O ignóbil chegou apressado, perguntando o que havia acontecido, talvez com medo de perder a boca-dedudurante, mas ninguém deu pelota para ele, e, o Zé Gaspar, pediu que entrássemos no auditório que ia começar a sessão.

 

O Gajo subiu no palco, e falou que o cinema que estava marcado para ser projetado naquela noite, por força maior, seria projetado em outra ocasião. E, que, naquele momento, a Historia pedia que fosse projetado outro cinema. E foi projetado um cinema sobre a luta pela Liberdade de Portugal. Com sua inteligência de dedo-duro, o inqualificável, continuou sem entender nada. 

 

A galera-politizada foi mais uma vez ao delírio. Uma noite inesquecível. Quem viveu gozou multiplamente. Nós, do GRUTA, gozamos grupalmente, pois estávamos encenando a peça do francês, Jean Cocteau, baseada na obra do trágico grego, Sófocles, Édipo Rei, com contagiante conotação política que Zé Gaspar, assistiu os ensaios, já que ele trabalhava no Conservatório de Música, onde o GRUTA realizava seus encontros e ensaios teatrais. 

 

Pois é, Seu Zé, 50 Anos da Revolução dos Cravos que se simbolizou com um simples Cravo colocado no cano da espingarda por um soldado-luso que havia ganho de uma florista, senhora-portuguesa-engajada e que se propagou por outros militares. Por tal, o nome Revolução dos Cravos.

 

Como diz, Chico Buarque: “Foi tão bela a festa pá!…”

 

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