EMPRESA DA VACINA COVAXIN VENDEU R$ 32 MILHÕES DE PRESERVATIVOS DESNECESSÁRIOS A GOVERNO DE BOLSONARO

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Documento da CGU obtido pelo GGN mostra vendas “superfaturadas”, “desnecessárias” e em quantidades “superestimadas” do governo Bolsonaro

Foto: Reprodução

Relatório da Controladoria-Geral da União (CGU), divulgado nesta semana e obtido pelo Jornal GGN, mostra que a Precisa Medicamentos vendeu 10 milhões de preservativos femininos, entre 2020 e 2021, recebendo somente com esta venda quase R$ 32 milhões.

Ainda, um contrato anterior com a Precisa Medicamentos previa a aquisição de outros 29,3 milhões de preservativos. As compras, mostrou a CGU, eram “desnecessárias”, uma vez que o Ministério da Saúde já dispunha de estoque suficiente dos itens para 12 meses de demanda.

“Os exames concluíram que a efetivação dos Contratos nº 316/2020 e nº 317/2020, no valor total de R$ 31,9 milhões, era desnecessária, já que o estoque existente de 8.522.300 preservativos femininos em látex foi suficiente para atender a demanda por mais de 12 meses. Os contratos foram baseados em um consumo médio superestimado e em uma estimativa de cobertura subestimada.”

Além disso, a empresa chegou a atrasar a entrega dos preservativos superfaturados e superestimados, e o Ministério da Saúde do governo Bolsonaro tardou em aplicar a multa de R$ 2,79 milhões prevista no contrato para o atraso.

Até hoje, a quantia sequer ainda foi paga: “Observou-se demora por parte do Ministério da Saúde na aplicação de penalidades às empresas Precisa e Injeflex, respectivamente, no âmbito dos Contratos nº 316/2020 e 317/2020, as quais somente foram aplicadas após o fim da vigência dos respectivos contratos e que, inclusive, até o presente momento ainda não houve a efetiva cobrança, demonstrando que as providências tomadas pelo Ministério contratante com vistas à aplicação de penalidades a essas empresas foram sem qualquer efetividade”, escreveu a CGU.

O órgão ainda informa que “decorridos cerca de 18 meses desde o fim da vigência dos Contratos nº 316/2020 e 317/2020, ocorrida, respectivamente, em 13.11.2021 e 24.11.2021, nenhum valor a título de multa foi ainda efetivamente cobrado pelo Ministério da Saúde”.

Abaixo, a íntegra do relatório da CGU:

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Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile, repórter de Política, Justiça e América Latina do GGN há 10 anos.

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