MAURO VIEIRA: “PÁGINA VERGONHOSA DA DIPLOMACIA DE ISRAEL”

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De acordo com o ministro, as declarações do chanceler Israel Katz ‘são inaceitáveis e mentirosas’. Governo israelense atacou Lula por ter condenado o genocídio contra palestinos

Mauro Vieira, Israel Katz e a Faixa de Gaza destruída após bombardeios israelenses (Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil I Yousseff Mohamed / TASS I Ari Rabinovitch / Reuters)

 

Agência Sputnik – Em meio a crescentes tensões diplomáticas, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, em resposta às recentes manifestações do titular da chancelaria do governo de Benjamin Netanyahu, classificou-as como “inaceitáveis na forma e mentirosas no conteúdo”.

O chefe da diplomacia brasileira expressou sua indignação com as declarações que considerou insólitas e revoltantes, especialmente por se dirigirem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), líder de um país amigo.

“Manifestações do titular da chancelaria do governo Netanyahu, de ontem e de hoje, são inaceitáveis na forma, e mentirosas no conteúdo”, disparou.

O ministro enfatizou a gravidade das distorções de declarações e das alegadas mentiras, descrevendo a abordagem da chancelaria israelense como uma “vergonhosa página da história da diplomacia de Israel”. Ele condenou o uso de linguagem chula e irresponsável, considerando tal postura ofensiva e prejudicial às relações bilaterais.

“Uma chancelaria se dirigir dessa forma a um chefe de Estado, de um país amigo, [no caso] o presidente Lula, é algo insólito e revoltante. Uma chancelaria recorrer sistematicamente à distorção de declarações e a mentiras é ofensivo e grave. É uma vergonhosa página da história da diplomacia de Israel, com recurso a linguagem chula e irresponsável”, declarou.

Ao longo de mais de 50 anos de carreira, o ministro destacou nunca ter testemunhado algo semelhante e expressou a convicção de que a atitude do governo Netanyahu não reflete o sentimento da população israelense.

“Estou seguro de que a atitude do governo Netanyahu e sua antidiplomacia não refletem o sentimento da sua população. O povo israelense não merece essa desonestidade, que não está à altura da história de luta e de coragem do povo judeu. Em mais de 50 anos de carreira, nunca vi algo assim. Nossa amizade com o povo israelense remonta à formação daquele Estado, e sobreviverá aos ataques do titular da chancelaria de Netanyahu”, reforçou Mauro Vieira.

Vieira também criticou a postura do seu homólogo israelense, Israel Katz, notando uma dissonância em seu comportamento público e nas conversas diplomáticas privadas.

Katz cobrou um pedido de desculpas de Lula em redes sociais.

“O ministro Israel Katz distorce posições do Brasil para tentar tirar proveito em política doméstica. Enquanto atacou o nosso país em público, no mesmo dia, na conversa privada com nosso embaixador em Tel Aviv, afirmou ter grande respeito pelos brasileiros e pelo Brasil, que definiu como a mais importante nação da América do Sul. Esse respeito não foi demonstrado nas suas manifestações públicas, pelo contrário. Não é aceitável que uma autoridade governamental aja dessa forma. Além de tentar semear divisões, busca aumentar sua visibilidade no Brasil para lançar uma cortina de fumaça que encubra o real problema do massacre em curso em Gaza, onde 30 mil civis palestinos já morreram, em sua maioria mulheres e crianças, e a população submetida a deslocamento forçado e a punição coletiva”, criticou o chanceler brasileiro.

Vieira também notou que o governo Netanyahu está sem apoio na esfera mundial.

“Isso tem levado ao crescente isolamento internacional do governo Netanyahu, fato refletido nas deliberações em andamento na Corte Internacional de Justiça. É este isolamento que o titular da chancelaria israelense tenta esconder. Não entraremos nesse jogo. E não deixaremos de lutar pela proteção das vidas inocentes em risco. É disso que se trata”, apontou.

O ministro brasileiro disse que o Brasil não vai mudar seu posicionamento diplomático em relação às reações israelenses sobre as falas de Lula.

“O embaixador de Israel em Brasília e o governo Netanyahu foram informados de que o Brasil reagirá com diplomacia, mas com toda a firmeza, a qualquer ataque que receber, agora e sempre”, concluiu durante o posicionamento.

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