DIA 2 DE NOVEMBRO, DATA-SIMBÓLICA-FÚNEBRE-COLETIVA, MAS LUTO REAL-PRESIDENCIAL DE BOLSONARO

PRODUÇÃO AFINSOPHIA.ORG

 

No dia 2 de novembro, é tradição, principalmente na Cultura Ocidental, os vivos realizarem cerimoniais-fúnebres como homenagens-lembranças, aos seu entes queridos como familiares, amigos e conhecidos. O local singular para realização desses cerimonias-fúnebres é o Cemitério. A Necrópoles, a Cidade dos Mortos, como afirma o grego. 

 

Os vivos, antes de realizarem seus cerimoniais-fúnebres, vivenciam um estágio-doloroso de passagem: o luto. O luto é a vivencia-temporal da perda da pessoa amada. É uma vivencia-temporal, porque, como afirma Freud, ele só termina com o tempo. Por isso, nenhuma psicoterapia o paralisa. Entretanto, se o tempo não ajudar em sua consumação, é porque o enlutado entrou em estado de melancolia: o luto-psicopatológico, como afirma a psicanálise. 

 

A pessoa entra em luto, porque quem ela perdeu era o objeto de sua energia-libido-narcísica que todos nós somos dotados. Significa que nós investimos nossa energia-libido-narcísica no Outro para adentrarmos no Mundo. Sair de nós para irmos lá fora para vivenciarmos a Objetividade e dela fazer parte. É o Outro quem nos coloca no Mundo. O que amamos mesmo, somos nós no Outro. O luto é a dor da perda de nós mesmos com a morte do Outro.

 

Com a perda do Outro, a energia-libido-narcísica, antes investida no Outro, volta para nosso próprio ego abalando nossos significados-subjetivos em função do Mundo se tornar estranho para nós. Tempo-Espaço-Conteúdos se modificam em nós e nossas Imagens-Lembranças se confundem. Essa volta da energia-libido-narcísica para nosso interior, o psiquiatra Jung, chama de introvisão. Separação do Mundo-Real. É uma condição comum das psicoses. Não que o luto seja uma psicose. 

 

Bolsonaro, ao perder a eleição-presidencial para a Democracia representada em Lula, seu mundo interior foi abalado profundamente levando-o ao estágio de luto. O mundo exterior que era seu referencial-narcísico, desapareceu. Como ele disse, sintomaticamente, ontem, “Acabou”.    

 

Mas é preciso uma observação especial nesse luto de Bolsonaro. Como vivia em um mundo fantasioso, povoado de mentiras, de entes-fictícios, o luto de Bolsonaro não pode ser entendido como um luto normal, visto que o investimento de sua energia-libido-narcísica não era no mesmo Mundo que os Democratas vivenciam suas existências e que permite que eles realizem suas cerimonias-fúnebres de formas autênticas como resultado de suas relações-concretas com seus companheiros-amados, agora mortos.

 

Embora a Democracia para Bolsonaro seja uma abstração, sua derrota é real. E é essa abstração que o levou diretamente ao luto. A dor da perda que ele não evita mesmo com sua mente ficcional. Em um Democrata não causa luto, mas nele causa. No Democrata não causa luto, porque a Democracia, para ele Democrata, é o Regime-Político da Vida-Real.

 

O Democrata viveu momentos dolorosos nestes quatro anos, mas não podem ser considerados luto, visto que a Democracia nenhuma tirania pode matar em razão de sua Essência-Ontológica-Potência-Vital. Ou seja, a Democracia será sempre imortal enquanto existirem Mulheres e Homens Livres em si mesmos. E a Liberdade seja a Condição-Singular e Original de quem atingiu e DIMENSÃO-HUMANA. E não a mistificação de uma mente-corrompida que não é livre, mas se diz defendê-la, como fazem os nazifascistas. 

 

Para conseguir suportar a intensa-dor-real do luto-presidencial, Bolsonaro, afirma: “Nosso sonho segue mais vivo do que nunca”. 

 

Como diz a hipnotizadora, Onírica Nebulosa: Para sonhar é preciso dormir, e toda ficção sai de uma espécie de sono da Realidade! Muitos sujeitos-sujeitados encontram-se continuamente em seus cerimoniais-fúnebres resguardados em suas Necrópoles! 

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