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Muito simples de entender, mas impossível uma sociedade aceitar.

A megalomania é um conceito usado pelos discursos das psiquês, psicologia, psicanálise e psiquiatria, mas muito usado pelas correntes filosóficas, principalmente na pós-modernidade.

 

Em seu sentido mais vulgar, a megalomania é a exacerbação do ego. Ou seja, o sujeito sujeitado por forte sentimento de insegurança, insignificância, impotência produzido ainda em sua fase-edipiana ao desenvolver a fobia da castração do falo (pênis) pela figura ameaçadora do pai-lei (diz Lacan-Freud), passa a apresentar, na chamada vida adulta, sintoma de superioridade como sublimação desse medo-castrador.

 

Para ficar mais simples o entendimento. Segundo a psicanálise-freudiana, nós somos dotados de um instinto chamado libido (Trieb, no alemão), a energia-sexual que nos impulsiona para agirmos no mundo. Esse instinto encontra-se encadeado com outra energia. A energia narcísica, o chamado narcisismo-primário e, posteriormente, na vida adulta, narcisismo-secundário, que produz, quando investida em nós, o nosso amor próprio, e, quando investida na objetividade, o nosso amor pelo mundo. Amor por uma pessoa, a coletividade, uma ideia, um objeto, tudo que nos exteriorize como seres objetificados.

 

Em síntese: significa que quando investimos nossa libido-narcísica no mundo confirmamos nossa ligação com ele. É por isso que quando amamos uma pessoa e a perdemos em função de sua morte, entramos em estado de luto. Nossa energia-narcísica perde seu objeto onde era investida e ela volta para nós. Ficar de luto é perder si mesmo na pessoa que morreu. 

 

Para o psicanalista-lacaniano, André Green, existem dois modos de narcisismos: narcisismo de vida e narcisismo de morte. De vida quando nos auxilia a criar uma existência gratificante, alegre e feliz junto com a coletividade. De morte quando é o contrário: tem atuação como propagador da dor-tanática como fazem os nazifascistas que negam Eros, narcisismo como amor.

 

Psicopatologicamente, o narcisismo se expressa de dois modos: um, quando ele é investido exacerbadamente em um órgão ele se apresenta como hipocondria. Dois, quando é investido exacerbadamente no ego ele se apresenta como megalomania. O ego perde seu sentido normal, nega a objetividade, perde o convívio social-racional e passa a expressar sentimentos subjetivos de superioridades em forma de alucinações ou delírios.

 

Trata-se de uma forma de mecanismo de defesa usado por um ego enfraquecido diante de uma objetividade que lhe é muito adversa e ele não sabe como lidar racionalmente. Todos tiranos sofriam – e sofrem – desse estado megalomaníaco de grandeza, força e superioridade. Hitler, Mussolini, Stalin, Traump, entre outros egos-amedrontados.

 

Bolsonaro vem ameaçando a tomar medidas drásticas se ele perder as eleições para Lula, o que, segundo as pesquisas, é uma real verdade. Lula pode ganhar no primeiro turno, já não é novidade. Na marcha para Jesus, no Balneário Camboriú, em Santa Catarina, ele voltou a usar a ameaça recorrendo a deformações da realidade, disse:

“Sempre tenho falado das quatro linhas da Constituição. Tenham certeza: se preciso for, e cada vez mais parece que será preciso, nós tomaremos as decisões que devam ser tomadas. Porque, cada vez mais, eu tenho um exército que se aproxima dos 200 milhões de pessoas nos quatro cantos desse Brasil”.

 

A população brasileira é de 216.609. 518 habitantes. Claro que é o somatório da população e não dos eleitores. Bolsonaro afirma que tem ‘”200 milhões de pessoas nos quatro cantos desse Brasil”. Segundo o Datafolha a reprovação de seu governo é de 48%, e, segundo o próprio Datafolha, 55% “não votam nele de jeito nenhum”. Pergunta-se: Bolsonaro vive ou não vive uma estado megalomaníaco? Não está fantasiando uma superioridade que não tem? Seu ego encontra-se ou não encontra-se exacerbadamente narcisado? 

 

Tomando umas troacas no arraiá do cumpadi Welton Oda, o filósofo Zé da Zilda, foi indagado por uma brincante sobre o que ele tinha para dizer sobre o tema, ele, então respondeu, soltando uma horripilante gargalhada megalomaníaca.  

 

 

 

 

 

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