BOLSONARO INSINUA QUE PODE NÃO RESPEITAR RESULTADO DAS ELEIÇÕES, E “QUE SÓ DEUS O TIRAR DA CADEIRA”. PERGUNTA-SE: QUE DEUS?

PRODUÇÃO AFINSOPHIA.ORG

 

A maioria dos que se dizem crentes em Deus, não sabe o que até o iniciante em psicanálise sabe:

A primeira experiência de uma criança em relação a crença em um ser superior, nasce com o Complexo de Édipo, quando ela toma seu pai como um ser poderoso, uma autoridade que lhe protege e, também, lhe castiga. Um Senhor com poderes que ela não tem, inclusive quando ela faz a relação de seu tamanho com o dele, e confirma essa diferença ao olha-lo de baixo para cima, e que ela teme. Por tal, a afirmação de ser “temente a Deus”. Uma fake news mito-teológica, já que Deus em sua bondade não causa temor em ninguém. Não é essa sua pedagogia-educacional-sacra-amorosa. 

 

É nesse momento que aflora o chamado Ideal do Ego: a criança busca imitar a personagem que ela toma como poderosa. Principalmente, impulsionada pela angústia da castração. E que dessa experiência vai nascer seu superego: a representação das leis, das ordens, a sua consciência moral-social e seu respeito ao que lhe é imposto. Um comportamento que tem como base o medo. O que significa, quanto mais o sujeito tem um superego tirano, mais ele faz a transferência-projetiva desse superego na objetividade. Mais ele quer ser considerado e respeitado. Trata-se de um comportamento impulsivo da ordem da irracionalidade.

 

Entendendo o que o iniciante em psicanálise entende, sabe-se que a partir do momento em que essa autoridade é internalizada pela criança, e toma corpo-angustiante em seu inconsciente, produzindo o sentimento de culpa, ela vai, em seu processo de desenvolvimento-psíquico, encadeando elementos-místicos da cultura em que vive, e passa se tomar como crente em um deus representante de uma religião, sem que esse deus jamais deixe de ser um reflexo de sua primeira experiência com a imago da autoridade paterna. Não é à toa que ela nomeia seu deus como senhor. Daí, o sentido de que Deus é Pai.  

 

Se essa experiência com os pais, principalmente, o pai, é oblativa, experiência de amor-doação, experiência-altruísta, solidária, como mostra a psicanalista Francoise Dolto, a criança tem, da autoridade por ela experimentada, um afeto de segurança-bom que lhe ajuda a construir um ego-democrático, que na ordem do sentimento religioso vivencia, um Deus-Sensorial-Racional-Ético.  Porém, se ela tem uma experiência captativa, imposta por um pai-castrador, provinda dessa autoridade, ela pode desenvolver um dos três tipos de egos: um ego-submisso, um ego-alheio, um ego-tirano identificado com o pai captativo-castrador. Sendo o último, no quadro político-social, um ego-anti-democrático. Um ego estruturado pela força-castradora continuamente dominado pelo medo. O que leva esse tipo de ego a apresentar compulsivamente um comportamento desconfiado, agressivo e violento. 

 

Bolsonaro, percebendo que sua reeleição não será concretizada, dada a conscientização-atual da maioria da população, vem expressando graves ameaças à Constituição Democrática, chegando a insinuar que pode não respeitar o resultado da eleição presidencial, o que soa como desvairada chantagem sobre os eleitores que o querem fora do poder-governamental.

 

Mas, o que soa mais perigoso, é ele afirmar que “só deus o tira da cadeira”. O que leva o brasileiro a perguntar: Que deus!? O deus dele pessoalizado, daí ser escrito com d minúsculo, ou o verdadeiro Deus com D maiúsculo? Já que o verdadeiro Deus é Democrático. Ama todos que expressam o amor em seus atos que saem das potências individuais, mas que são distribuídos coletivamente. E não como projeção-tirânica de um ego-captativo.  

 

Entretanto, para a segurança Democrática-Brasileira, o eleitor lúcido e comprometido com o destino do Brasil, sabe que Deus não apoia o absolutismo-egoico que persegue apenas satisfazer suas exacerbações-narcísicas. E mais, ele sabe que eleição é um caso-político-social exclusivamente da essência humana, e não coisa de Deus, e são os homens e mulheres, como potência-eleitoral, quem decidem. E não ele, visto não ser tirano e nem tendencioso. 

 

Em síntese: Por Deus, Bolsonaro vai sair da cadeira!   

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