TATIANE CORREIA: “O JOGO ELEITORAL JÁ COMEÇOU”, DIZ FRANKLIN MARTINS

Em entrevista a Luis Nassif e Marcelo Auler, jornalista e analista político traça cenário para as eleições presidenciais de 2022

O jornalista Franklin Martins – foto: Valter Campanato/ABr

Jornal GGN – O jornalista e analista político Franklin Martins foi o convidado da TV GGN 20 horas desta sexta-feira (14/01), onde traçou um cenário em torno da disputa da eleição presidencial de 2022.

Franklin foi ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social durante o governo Lula. Foi líder estudantil durante a ditadura e participou da organização Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8). Franklin foi preso em 1968 e, após sua soltura, se engajou na luta contra o regime, precisando se exilar no Chile e na França.

Ao começar o programa, Nassif apresenta um panorama global da pandemia de covid-19. “Houve uma enorme pressão para o ministro Queiroga divulgar os dados do ministério”.

“Daí, dentro dessa pressão, ele disse que os dados estavam disponíveis – depois, percebeu que os dados não estavam no ministério e garantiu que até sexta-feira o site do Ministério voltaria a funcionar” – e o site do Ministério permanece em branco.

Nos Estados Unidos, foram registrados 889.613 novos casos apenas nesta sexta-feira. Na média semanal, o país registra 802.197 novos casos, alta de 31,7% em sete dias e de 131,1% em 14 dias.  Quanto aos óbitos, 2.224 pessoas morreram de covid-19 nos EUA. A média diária semanal chegou a 1.867 vidas perdidas, alta de 33,5% em sete dias e de 46,3% em 14 dias.

No caso dos casos registrados no mundo, a média dos últimos sete dias chegou a 2,454 milhões, alta de 35,3% em sete dias e de 123% em 14 dias. Dos 20 países com maior crescimento de casos per capita, 15 estão na Europa.

Quanto aos óbitos, a média global em sete dias foi de 5.247 vidas perdidas, alta de 15,1% em sete dias e de 12,6% em 14 dias. Dos 20 países com maior registro de mortes per capita, 15 estão na Europa.

“Aqui, nós estamos perdidos. Pior que ele (Marcelo Queiroga), só o ministro Pazuello”, diz Nassif.

Os fatores que podem definir uma eleição

Segundo Nassif, todo processo eleitoral é marcado por ondas – neste caso, um candidato dispara e ocorre o chamado overshooting do mercado – “o mercado começa a apostar, ele dispara, até que chega um momento em que o mercado para e daí você tem reversão”.

“Esses movimentos de ondas se dão até o final do processo, e o importante é você ter uma ideia clara de quais são aqueles fatores centrais que vão definir a eleição até a data final”, diz Nassif

Para discutir mais a respeito, Nassif e o jornalista Marcelo Auler conversam com o jornalista e analista político Franklin Martins.

“Eu acho que o jogo (eleitoral) já começou pra valer, embora seja só em outubro que o jogo se decide”, diz Franklin. “Nós temos um processo político desembocando em um processo eleitoral – o que nós temos hoje em dia é um processo político muito forte, de um enorme desgaste do governo”.

Para o ex-ministro, as pesquisas presenciais mostram uma compreensão crescente por parte da população: “65%, 70% das pessoas acham que o Bolsonaro é um péssimo presidente. Isso é uma coisa fortíssima, ninguém ganha eleição assim”.

Em linhas gerais, Franklin Martins ressalta a existência de um “desgaste monumental” do presidente Jair Bolsonaro, gerando uma sensação “de que o Brasil não tem governo, está à deriva na crise sanitária”.

“O (Marcelo) Queiroga falou, o ministro da Saúde, ontem ou anteontem, ele disse que cerca de 40% dos óbitos (é pouco confiável por causa dos números), mas que 40% dos óbitos são de pessoas que não se vacinaram ou não tomaram a segunda dose – o que mostra que isso é algo que vai para a conta do presidente porque ele, na verdade, nega a vacina”, ressalta Martins.

“Na verdade, o que segurou, fez um declínio muito forte dos óbitos antes, é porque o Brasil tem uma cultura de vacinação e uma estrutura de vacinação”

“A população enfrentou o negacionismo – primeiro de uma forma difusa, mas aos poucos foi e, no final, 80% das pessoas eram a favor da vacina”, diz Martins.  “Então, quem tá morrendo agora, grande parte é quem não tomou a vacina ou não tomou a segunda dose – que às vezes não entendeu que precisava tomar duas doses e o governo não fez campanha para isso”.

Além do chamado descalabro na área sanitária, Martins destaca que o descalabro na área econômica é “uma coisa inacreditável”. “O Brasil afundando e fica falando de teto de gastos e rompendo o teto de gastos para dar emenda secreta para deputado para melhorar a situaçãozinha política dele”.

A embocadura política em torno de Lula

Diante do desgoverno bolsonarista, Franklin Martins destaca o avanço da percepção de que “só uma força política” pode colocar ordem na casa: “as forças políticas progressistas agrupadas em torno do Lula, tendo Lula como candidato”.

“O Lula ainda não disse ‘sou candidato’, ainda não confirmou a candidatura embora 100 em cada 100 analistas políticos garantam que ele vai ser candidato – e eu também acho que ele vai ser candidato”, diz Franklin Martins.

O jornalista destaca a embocadura política que está se traçando diante do governo Bolsonaro, e a alternativa que surge de alguém que tem um legado e a população sabe que ‘o Lula é capaz de fazer’.

“Ou seja, ele (Lula) é uma possibilidade de saída do pandemônio que nós estamos, da pandemia que virou pandemônio por causa da economia”, diz Martins.  “Então, isso é embocadura política. Eu acho que estamos caminhando, do ponto de vista eleitoral, com eleição plebiscitária – ou Bolsonaro, ou anti Bolsonaro”, ressalta Franklin Martins. “E o Lula vai encarnar o anti Bolsonaro”.

Quanto a possibilidade de outros nomes, Franklin Martins considera mais difícil. “Eu não vejo muita possibilidade de surgirem alternativas de terceira, quarta, quinta, sexta via, entende? Os números mostram isso claramente”, diz Martins.

O analista também destaca a situação complicada de Bolsonaro, mesmo com o “núcleo duro” que o apoia, que atualmente está em torno de 15% a 17% do eleitorado. “Ele (Bolsonaro) tem que resistir oito meses, ele tem um núcleo duro que vai de 15% a 17% dos eleitores e não tem uma alternativa para tomar o lugar dele. Esse é que é o problema”.

“Eu não acho que o Moro vai subir para 15, 17 pontos. Eu não acho que o Ciro vai subir, eu não acho que o Doria vai subir. Então, o que tem: um presidente empacado, embrulhado, que não sabe mais o que faz (…) A população hoje em dia tem uma percepção crescente de que tem que botar ordem na casa e reconstruir o país, e isso caminha com o Lula”, diz Martins.

Contudo, embora muito se fale da eleição de Lula e se discuta quem poderá ser seu vice na chapa, Franklin Martins enfatiza a necessidade de se eleger um Congresso com representantes melhores.

“Ou seja, não basta eleger o Lula, tem que eleger o Lula e modificar a correlação de forças no Congresso”, diz Martins. “Não quer dizer que a esquerda tem que ser maioria, mas que as forças democráticas com uma visão de inclusão social – ou seja, as forças que ou são firmes no apoio ao Estado de bem estar social ou estão abertas para discutir isso – elas tem que constituir uma maioria dentro do Legislativo”.

Veja mais a respeito das perspectivas para o cenário eleitoral em 2022 na íntegra da TV GGN 20 horas. Clique abaixo e confira!

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