BREVES POEMINHAS DE BRECHT ENQUANTO DEVIR 14 DE AGOSTO

PRODUÇÃO AFINSOPHIA.ORG

 

O Homem é a expressão e o conteúdo do Mortal e Imortal como Biológico-Cultural e Plasma-Germinal. A mortalidade e imortalidade de Bertolt Brecht se encadeou, se condensou, se deslocou, se simbolizou, se materializou como práxis e poieses produtiva para além de 10 de fevereiro de 1898 e 14 de agosto de 1956 ao Infinito Caosmótico. A Caosmose-Destino de Todos como sujeitos-históricos Transcendentalidade do Planeta Errante.   

Enquanto pura ecceidade, intensidade-mortalidade que enlaça ideias, objetos e sujeitos, Brecht se mostra em sua práxis-poiética-revolucionária, já que cada palavra sua é um átomo que em sua Potência-Clinâmen abala. transforma, e cria a Política como Vocação Humanamente Indestrutível. 

 

Estes breves poeminhas confirmam a sua Pura-Potência-Política-Revolucionária.

 

NUMA GRAVURA DE LEÃO CHINESA

“Os maus temem tuas garras

Os bons se alegram de tua graça.

Algo assim

Gostaria de ouvir

Do meu verso”. 

 

ALÉM DESSA ESTRELA

 

Além dessa estrela, pensei, nada existe

E ela está tão devastada

Ela somente é nosso abrigo, e

Olha o aspecto dele.

 

CANÇÃO DE UMA ENAMORADA

 

Quando me fazes alegre

Penso por vezes:

Agora poderia morrer

Então seria feliz

Até o fim.

 

E quando envelheceres

E pensares em mim

Estarei como hoje

E terás um amor

Sempre jovem. 

 

O CÃO

 

Meu jardineiro me diz: o cão

É forte e astuto e foi comprado

Para guardar o jardim. Mas o senhor

Criou-o como amigo dos homens. Para que 

Recebe ele sua comida?

 

E EU SEMPRE PENSEI

 

E eu sempre pensei: as mais simples palavras

Devem bastar. Quando eu disser como é

O coração de cada um ficará dilacerado.

Que sucumbirás se não te defenderes

Isso logo verás.

 

GRANDE TEMPO, DESPERDIÇADO

 

Eu sabia que cidades eram construídas

Não fui até lá.

Isto pertence à estatística, pensei

Não à história.

Pois o que são cidades, construídas

Sem a sabedoria do povo? 

 

DIA QUENTE

 

Dia quente. Sobre o joelho a pasta. 

Estou sentado no pavilhão. Uma canoa verde

Aparece através do salgueiro. Na popa

Uma freira gorda, gordamente vestida. À sua frente

Um senhor em roupa de banho, um padre

                     provavelmente.

Nos remos, remando com todo vigor

Uma criança. Como nos velhos tempos, penso eu

Como nos velhos tempos! 

 

NÃO NECESSITO DE PEDRA TUMULAR

 

Não necessito de pedra tumular, mas

Se necessitarem de uma para mim

Gostaria que nela estivesse:

Ele fez sugestões

Nós as aceitamos.

Por uma tal inscrição

Estaríamos todos honrados. 

 

 

                              “Talvez nos encontremos de novo, mas ali onde você me deixou não me achará novamente”.                                 

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