VEJA A DIFERENÇA ENTRE DOIS EDITORIAIS DA FOLHA, DE 2017 E DE HOJE, SOBRE LULA E A SENTENÇA DE MORO

O jornal celebrou a condenação do ex-presidente na ocasião e disse que a tese de perseguição era “farsesca”; o tempo mostrou que a Folha estava errada

 

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Em editorial publicado neste sábado (27) a Folha de S. Paulo admitiu, pela primeira vez, que os diálogos revelados pela Operação Spoofing deixam evidente que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não teve um julgamento imparcial. Apesar do reconhecimento, a Folha não fez qualquer autocrítica sobre seu apoio cego à Lava Jato no passado.

“Desde que vieram a público, em junho de 2019, os primeiros vazamentos de conversas entre investigadores da Lava Jato e o então juiz Sergio Moro, ficou evidente que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não teve um julgamento imparcial no caso do famigerado apartamento de Guarujá (SP)”, diz a abertura do editorial deste sábado, intitulado “O pós-Lava Jato”.

Com o reconhecimento, a Folha se coloca como o primeiro veículo da grande imprensa a assumir que Lula não foi julgado da maneira correta. O jornal chega até mesmo a dizer que as conversas entre procuradores e juiz são “razão suficiente para a suspeição”.

“Há não poucas evidências de que a Lava Jato em várias ocasiões extrapolou”, sustentam.

Em julho de 2017, quando Lula foi condenado por Sergio Moro, o jornal celebrou sem nenhum pudor e alegou que haveria um “oceano de evidências de corrupção bilionária na administração petista”. Na ocasião, chegou a dizer que a tese de que havia uma perseguição era “farsesca”. O tempo mostrou que não.

“Réu em outras quatro ações penais, líder também entre os rejeitados pelos eleitores, o petista se dedica à pregação farsesca de que seria vítima de perseguição política. Por disparatada que seja tal retórica, seu partido ainda dispõe de força para reverberá-la com o objetivo de pressionar os tribunais”, dizia a Folha em 13 de julho de 2017, no editorial “Lula condenado”.

A defesa do ex-presidente sustenta que as mensagens não são a única prova da suspeição de Moro e da atuação ilícita dos procuradores, que grampearam advogados do ex-presidente, vazaram ligações telefônicas, mantiveram interceptações fora do tempo previsto legalmente e vazaram delações com o objetivo de prejudicar a imagem de Lula. Além. é claro, da sentença sem provas concretas de que o triplex do Guarujá seria do ex-presidente.

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Lucas Rocha

Jornalista da Sucursal do Rio de Janeiro da Fórum.

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