BELCHIOR AFIRMOU QUE “NOSSOS ÍDOLOS AINDA SÃO OS MESMOS”, MAS O BOLSONARISTA, VITAL FARIAS NEGOU

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A Vida é um contínuum Devir e a Existência é sua confirmação. Existir é produzir através da práxis e da poiese os fundamentos humanos da Vida. O movimento dialético do novo que faz do Existir a alegria criativa da Potência de Agir. O filósofo Nietzsche diz, que “a vida ativa o pensamento e o pensamento afirma a vida”. O que implica a certeza que viver é criar continuamente o novo, já que a Vida é sempre o espírito da novidade.

Todavia, a cultura dominante, estratificada como verdade, criada por alguns homens e mulheres, não permite o movimento criativo da Existência como confirmação da Vida. A Existência como princípio Ontológico é obstruída pela existência-nadificante tida pelo poder dominante como o verdadeiro princípio de realidade. Assim, é instituída a serialidade do vazio, tão bem mostrada pelo filósofo Sartre. A repetição-narcísica-obsessiva que é sempre reiterada para a proteção dos esteriótipos representativos-sociais. 

Neste quadro de poder-dominante, os sujeitos-sujeitados procuram criar seus referencias como idealidade-cotidiana desse tipo de existência. Submetidos aos valores estabelecidos, uns se mostram harmoniosos. Enquanto, outros simulam contestação. E outros, negação. Desta forma, transcorre o tempo pulsado socialmente até o derradeiro rito desta existência-nadificante: a morte. Derradeiro, porque a serialidade do vazio, como repetição, já é morte. A existência-nadificante é a cerimônia macabra da pulsão de morte. O regozijo da dor. A pulsão de morte que perambula pelo Brasil, como extrema-direita, nazifascista, ameaçando os territórios-existenciais-democráticos.

Em sua obra, Como Nossos Pais, o compositor-cantor, sobralino, Belchior, tentou um ajuste de contas com a sociedade-ditatorial-brasileira, onde ele mostra otimismo com o que virá, mas, também, mostra pessimismo ao afirmar que “ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”. E crava a sentença analógica, “nossos ídolos ainda são os mesmos, e as aparências não enganam, não. Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém, mas é você que ama o passado e não vê que o novo sempre vem”.         

Nesse anti-fluxo que Belchior se posta, o compositor e cantor, paraibano, Vital Farias se tomava como negador dos valores estabelecidos pela sociedade-ditatorial-brasileira. Com se diz: era um rebelde. Em seu tempo pulsado socialmente se envolveu com vários representantes das esquerdas, principalmente das artes, como foi o caso com Chico. Se acreditava um filósofo por ter dominado algumas noções de sistemas filosóficos. Criava obras contestatórias do sistema capitalista, como Pra Você Gostar de Mim. “Vou comprar dois automóveis, um pra mim outro pra ti. Vou comprar mais dois imóveis, uma pra mim outro pra ti. Mas isso não constrói nada. O que você precisa é muito singular”. Chegou a se candidatar pelo PSOL e PCdoB. 

Mas Vital Farias era apenas um representante da existência-nadificante. Um negador do sistema apenas como o tipo que faz gênero nestas ocasiões. Hoje, aos 77 anos, não sabe que a velhice, como afirma o filósofo Deleuze é um momento de júbilo em que o idoso tem mais atenção nas coisas, melhores percepções e micropercepções . E, ainda, como afirma o filósofo italiano Toni Negri, é a época em que a ternura e a suavidade fluem como nova forma de existência. Nada desse modus de ser-movente se revela na ‘filosofia’ de Vital Farias. 

Por ser esse sujeito-sujeitado na serialidade do vazio, ao contrário de seu conterrâneo Chico César (este verdadeiro filósofo), fica projetando seu ódio-ignóbil no comunismo que ele, e seus iguais, não conhecem. Sequer conhecem o comunismos primitivo e cristão. E muito menos o comunismo científico de Marx e Engels. Diz, como sua conterrânea Elba Ramalho e seu parceiro Elomar, que foi a China comunista quem criou o vírus da Covid 19 e espalhou pelo mundo. E para reafirmar todo seu engajamento, vai permitir que sua música Ai Que Saudade de Ocê, seja trilha da campanha de seu ídolo Bolsonaro na vacinação cantada pelo outro bolsonarista Fábio Júnior.

No mais, se acreditarmos na afirmação de Belchior, que “nossos ídolos ainda são os mesmos”, transladando-a para o momento atual, onde Vital Farias surge como a negação da Vida como Práxis e poieses, visto que seus percursos foram todos reflexos da existência-nadificante que hoje se mostra visível com sua imobilidade-social ao se identificar com a extrema-direita, onde não há vida, significa que ele nega os versos de Belchior.   

Entende-se, então, que Belchior não falava para Vital Farias. 

 

 

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