DEBATE DO SEGUNDO TURNO, EM MANAUS, É O TRIUNFO DA TARTAMUDEZ-DEMOCRÁTICA

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Há dois tipos de gagueira como sintoma de tartamudez:

1 – Da ordem fisiológica-psicológica.

2 – Da Ordem política-social-democrática.

Em democracia, a mais difícil de tratamento é a segunda que aparece como sintoma da ausência de vivência de sociabilidade humana. Quando se é aprisionado pelos grilhões da família privada que impede o conhecimento e a prática coletiva. Como se sabe, um indivíduo só existe ontologicamente quando seu ser encontra-se engajado e responsabilizado pelo movimento social liberto das forças da família privada, grupos particulares e entidades privilegiadas.

Em Manaus, em função dos resultados constantes das predominâncias desses três tipos de representações, a democracia nunca foi um devir-político dos que dialogam livremente, sem tartamudear. Ela aparece, nesse simulacro, como ineficácia da linguagem-política. Uma linguagem obstruída por ruídos alienados da democracia que permite décadas e mais décadas a soberania doa afásicos-políticos. Ou, como diz o filósofo Nietzsche, os tagarelas. Os que não superaram as expressões e conteúdos da linguagem.

Neste quadro tartamudo, entende-se a razão porque estes tipos são iguais. É que quando um encontra o outro ele logo se identifica em função, também, de sua impossibilidade de linguagem-devir, linguagem-práxis-poiesis. A linguagem que cria o novo. A linguagem que parla. Que faz de todos a comunidade parlamentar.

Não entender as ondulações semióticas que carregam as contínuas partículas-linguísticas como possibilidades de transformar o mundo criando outro falante, é o grande indicador de todo tartamudo. A confusão-linguagem-tartamuda é o grande elemento produtor dos que não percebam e concebam o mundo clara e distintamente. Tudo que ele precisa para não ter comprometimento democrático.

Em Manaus, quase todos partidos políticos sofrem desse sintoma tartamudo, o que leva parte da população afirmar que todos seus representantes são iguais, porque é fácil detectar um um indivíduo tartamudeante. No primeiro turno das eleições municipais, houve um rimbombar de tartamudez por parte de todos os candidatos. Alguém disse: “É a pós-moderna Torre de Babel”. Com todo respeito, posto que em Babel buscava-se um entendimento linguístico. E na afasia-democrática, não.

Imprensa tartamuda, anuncia debate entre os candidatos Amazonino e David. Em um entendimento simplíssimo, debate pressupõe antagonismo de ideias. Como os dois candidatos representam partidos tartamudos, entende-se que não haverá nenhum debate, mas um patético show de tartamudear. Ambos são bem aliançados. Se pelo menos um dos candidatos dominasse a potência-dialética da linguagem, o tédio seria um tanto quebrado. Um tagarelava e o outro, sorrindo, tentava traduzir, para o telespectador, o que o tagarela se matava para não falar, posto que o tartamudear é uma artifício de esconder o significante e o significado. Mais, os dois são um em tartamudez-eleitoral. A essência necessária da demagogia.

O que não fizeram dois eminentes personagens-históricos que foram gagos no sentidos fisiológico-psicológico: os filósofos Sócrates, dos métodos da Maiêutica e Ironia, e Demócrates, do materialismo. E do nosso lado, além grego, o ilustríssimo cantor Nelson Gonçalves, o Reis da Seresta, o da Volta do Boêmio.  

 

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