SAIR DE UM EVENTO ULTRADIREITISTA NÃO FAZ NINGUÉM HERÓI E MUITO MENOS AJUDA BAIXAR O PREÇO DO PEIXE

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Até as pedras que não rolam, por isso criam limo, sabem que Moro condenou Lula, sem provas, movido por duas premonições distintas da ética-democrática:

1 – Para ele não ser candidato ao cargo de presidente, que fatalmente ganharia, deixando a cena política livre para qualquer candidato das direitas.

2 – Eleito, o candidato das direitas, ele seria conduzido ao cargo de ministro, e, em seguida, indicado por seu presidente a uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

Até a Globo, sua inventora-antidemocrática e elevadora ao cargo de herói-nacional, sabia que ele teria essa indicação em um desgoverno que objetivasse o sentimento do mercado. Porém, depois de uma campanha mística-sexual, o eleito por por mais de 56 milhões de votos de semelhantes, foi Jair Messias Bolsonaro, que de Messias só tem o nome. Em síntese, foram três seguimentos que projetaram o  Messias tupiniquim ao Palácio do Planalto, lá na Brasília de 60 anos. Que se tratasse de uma pessoa estaria no grupo de risco do Clovid – 19. Primeiro seguimento: a mistificação-delirante. Segundo seguimento: a inveja-paranoica. Terceiro seguimento: a compulsão-obsessiva pelo lucro. 

Eleito Bolsonaro, no primeiro turno, começaram, por parte dele, as articulações com Moro para conduzi-lo ao ministério da Justiça. Eleito Bolsonaro, no segundo turno, a segunda premonição se realizou, parcialmente: Moro foi feito super-ministro. Ultrapassou o cargo de ministro da Justiça. Foi o primeiro ministro da Justiça de um evento eminentemente ultradireitista da história amarga da chamada política brasileira.

No trono, Moro realizou as ambições ditatoriais de Bolsonaro. No caso Clovid – 19, não teve qualquer participação relevante para o combate da pandemia. Além, de se postar claramente em defesa dos interesses da família Bolsonaro durante este um ano e quatro meses. Diziam, até alcunhados esquerdistas, que Moro suportava Bolsonaro porque pretendia a realização total da segunda premonição: ser indicado ao STF com as saídas dos ministros Celso de Mello ou Marco Aurélio.

Alguns afirmavam que ele estava suportando as humilhações impostas por seu chefe contando com essa expectativa. Na verdade, a psicanálise já mostrou que Moro é um vetor do sentimento narcisista-exacerbado, onde o eu desloca sua libido para si-mesmo, como afirma Freud. Moro sabia onde se encontrava e quais seus motivos.

Agora, Moro deixa o cargo e procura se mostrar como um herói, sem saber que para a democracia todos que participam de um evento ultradireitista não podem sentar na galeria das liberdades democráticas. Ainda acreditando ser herói da Globo, ele afirmou em sua patética despedida, que é um homem que pretende sempre ajudar o país. Iludido em fortalecer seus propósitos falou sobre seu combate à corrupção ao prender Lula. Como, logicamente, jamais leu o filósofo Nietzsche, não sabe que corrupto é todo aquele que teve seu espírito e instinto degenerado. Assim, usar a lei para prejudicar outrem em seu benefício, não sabe que é também corrupção.

Acreditando-se presidenciável, impulsionado pelos dois valores burgueses, vaidade e ambição, ele deixa transparecer que o povo-eleito vai continuar lhe amparando, ainda mais por ter deixado o evento ultradireitista. Afetante erro de perspectiva amnésica-histórica. Nunca o povo vai esquecer que ele serviu fielmente a um evento ultradireitista. O caso do filósofo Heidegger comprova: até hoje não se cristalizou a amnésia-histórica por ele ter aceitado o cargo de reitor da universidade de Freiburg, sob a dominação nazista de Hitler.

 

Bem, é preciso pegar leve com o filósofo do Ser e Tempo. O filósofo Sartre já o liberou. Esta memória é da intelectualidade-movente, e não dos estriados-cognitivos. Os que não raciocinam além dos moldes que lhes foram imprimidos como consciências-pré-determinadas com um fim específico de defesa das classes sem sentido-intelectualmente político. 

Daí, que a saída de Moro não lhe fez herói e sequer ajudou baixar o preço do peixe.  

Sem falar que brevemente o ministro Celso de Mello vai decidir sua ambição: julgar sua parcialidade contra Lula.

 

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