JUIZ QUE ANALISARÁ DENÚNCIA CONTRA GLEEN JÁ ABSOLVEU LULA POR FALTA DE PROVAS

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Ricardo Leite reconheceu que Lula não poderia ser condenado apenas com base em delação premiada, contrariando o modus operandi de Curitiba

Jornal GGN – O juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara do Distrito Federal, será o responsável por analisar a denúncia que o procurador Wellington Oliveira apresentou na terça (21) contra o jornalista Glenn Greenwald e outros investigados da Operação Spoofing.

Oliveira acusa Glenn de ter orientado os hackers que supostamente invadiram o celular de Sergio Moro e outras autoridades envolvidas na Lava Jato. Além disso, o procurador afirma que o jornalista sabia que o crime que alegadamente resultou no dossiê do Intercept Brasil estava em andamento.

Leite é o juiz que absolveu Lula na ação penal em que o senador cassado Delcídio do Amaral afirmou que o ex-presidente teria tentado comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras e delator da Lava Jato, Nestor Cerveró.

O GGN já havia alertado, antes da sentença, que Delcídio não tinha provas da acusação contra Lula. Ao contrário, pela delação de Cerveró e depoimento de outras testemunhas, tudo levava a crer que o ex-senador inventou a história para poder fechar um acordo de delação com a Lava Jato. No final, o próprio Ministério Público reconheceu que sua colaboração era imprestável do ponto de vista probatório.

Leia mais: Juiz de Brasília absolve Lula por falta de provas

Leite, porém, já tomou decisões controversas na Lava Jato. Foi ele quem suspendeu as atividades do Instituto Lula e depois colocou a responsabilidade em um pedido do Ministério Público que nunca existiu. O despacho foi corrigido por tribunal superior.

A denúncia contra Glenn Greenwald foi criticada por criminalistas, jornalistas, instituições em defesa da sociedade civil, a imprensa internacional e até ministros do Supremo Tribunal Federal.

O GGN mostrou ontem que, para denunciar o jornalista – que estava protegido de investigações por uma medida cautelar do STF – o procurador Wellington Oliveira utilizou um áudio de conversa entre Glenn e um dos hackers presos na Operação Spoofing.

No diálogo, Glenn e o hacker Luiz Molição dizem que a invasão no celular de Sergio Moro, divulgada na imprensa em 6 de junho de 2019, não tinha nenhuma conexão com o dossiê que já estava nas mãos do Intercept. Mas o MPF ignorou esse trecho da conversa, e implicou o jornalista por supostamente ter orientado o hacker a destruir mensagens trocadas com a redação.

O Intercept Brasil publicou nota alegando que o áudio agora utilizado pelo procurador é o mesmo que foi analisado pela Polícia Federal, e descartado, porque a instituição não vislumbrou nenhum crime na conversa.

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