INDICAÇÃO AO OSCAR DO DEMOCRACIA EM VERTIGEM EXCITA A DOR DA INVEJA DOS INSIGNIFICANTES

PRODUÇÃO AFINSOPHIA.ORG
A inveja é um afeto triste. Como diz o filósofo Spinoza, “a inveja é o próprio ódio, isto é, uma tristeza, por outras palavras, uma afecção pela qual a capacidade de agir do homem, ou o seu esforço, é reduzido”. A inveja é concreta impotência. É redução ontológica do existir ao grau zero de agir. Dominado pela impotência, o invejoso torna-se um ente de um mundo fantasmático produzido por seus afetos-tristes que são projetados no objeto-invejado.
 O invejoso é sempre alguém com forte sentimento de insignificância. Ele não encontra em si significâncias que possam lhe prover de alegria de agir ontologicamente como um ser de valor para o outro. O que significa que vivenciou uma triste infância que lhe impossibilitou a crença de ser aceito pelo mundo e se tornar um ser oblativo, participativo, altruísta, solidário amante e amado. Uma situação propícia para a proliferação do ódio excitado pela negação da vida que experimentou como perverso não. O que lhe coloca sempre disposto a se relacionar com sujeitos-sujeitados carregados por esse mesmo afeto-triste. Iguais com seus iguais. 
Em sua impotência-ontológica, o invejoso é um ente de sofrimento contínuo, porque se sente paranoicamente perseguido por duas qualidades-valorativas do objeto que inveja. Em sua prisão-paranoica-desejante, ele quer ter e ser o objeto de sua inveja. A radical impossibilidade de ter e ser outro. Parafraseando o sentido de radical para Marx, ele toma a coisa, sua inveja, pela raiz, porque a raiz de sua inveja é ele mesmo. O que lhe impossibilita de ser outro.
Tomando seu desejoso-invejo fabulisticamente, ele quer se apropriar dos corpus constitutivos materialmente do objeto-invejado. A beleza exterior do objeto-desejado. As suas qualidades resplandescentes que excitam sua inveja-odiosa. Desejo impossível de ser realizado, visto representarem as categorias corporais deste objeto sem as quais ele não seria tão belo. Ao desejar a beleza deste objeto ele afirma seu auto-desprezo: não aceita sua materialidade-corporal. Se sente sem significância para atrair outro que seja belo em si mesmo. Ele se toma como sujeito-feiura. 
Ciente de que não pode ter as categorias corporais do objeto de sua inveja, ele tenta o pior para seus objetivos-invejosos. Ele quer ser este outro para fugir de sua insignificância Kierkegaardiana. Assim, ele mata sua fé e perde seu Deus que lhe criou da forma que é. Para ser o outro teria que ter as vivências ontológicas deste que ele inveja e que confirma o quanto é insignificante. Se apossar de suas qualidades-existenciais. Ambição lograda: ninguém pode ser outro sem deixar de ser si mesmo. Logo, sua inveja é, na verdade, insatisfação consigo. Um suicídio-ontológico mascarado como inveja do outro. Deslocamento projetivo: “devolve essa beleza que nunca tive e que por tua causa não posso ter”. 
O que desespera muito o invejoso, é que a pessoa invejada não tem qualquer preocupação com suas belas qualidades. Elas são belas nelas mesmas como rastros de suas vivências estética e eticamente agradáveis que nos presentes são concretizadas através dos engajamentos da práxis e da poiesis construtoras da historia humanamente comprometida. Um afeto-social-alegre resultante de uma infância criativa e feliz. 
Mas o invejoso não se satisfaz somente com as alucinações e delírios que provocam seu triste-sentimento de insignificância expressado como inveja e ódio. Ele, como ente profundamente frustrado, é traspassado pelo impulso de vingança sobre aquele que ele nomeia como responsável por suas frustrações. Ele quer que o outro sofra. É assim que ele confirma Spinoza quando ele diz que “o ódio é uma tristeza acompanhada de uma ideia de uma causa exterior”. Para ele a causa de sua dor encontra-se fora. Na pessoa que ele escolheu para se vingar. E não nas repressões impostas por seus pais quando criança e que serviram como fator base para estruturação de seu inconsciente, legalização de seu super-ego e submissão-invejosa de seu eu-consciente.
A  sensível, insignie, corajosa e talentosa cinegrafista Petra Costa, com sua obra-revolucionária Democracia em Vertigem  que foi indicada para concorrer ao Oscar, não contribuiu apenas para mostrar a importância cinematográfica do Brasil no cenário mundial revelando as mentes corrompidas que executaram o ato pervertido do golpe contra a democracia brasileira destituindo Dilma Vana Rousseff da presidência, e que propiciou o evento ultradireitista Bolsonaro, mas também contribuiu para mostrar a quantidade de invejosos que existem no Brasil e que, pela força de suas invejas, são verdadeiros perigos à democracia.
Diante do desfile fantasmático da inveja, os brasileiro belos, alegres e felizes devem ficar atentos em suas potências, porque a democracia não constitui seu espírito-político com o corrompido corpo-inveja.                                                                                                                           

 

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