ERIC NEPOMUCENO: QUEM É ANTIÉTICO, INDECENTE E IMORAL NÃO TEM CONDIÇÕES DE JULGAR NEM A SI MESMO
O que mais me chama atenção, além da eficácia do golpe, além da cumplicidade sórdida dos meios de comunicação do meu país, é a desfaçatez do poder judiciário. Nunca vi um desembargador julgar um recurso contra uma pena de um juiz e elogiá-lo, quer dizer, é de uma desfaçatez que não tem limites.
Por Eric Nepomuceno.
Dessa maneira confirmou-se o golpe de 2016. É verdade que no caminho o grande mentor do golpe, um playboy cafajeste provinciano chamado Aécio Neves da Cunha, que é o verdadeiro nome dele, foi atropelado, atropelado por gravações, por (mochilas?) que só confirmaram que ele é o ladrãozinho de sempre. E além do mentor do golpe, o Aécio Neves da Cunha, o executor do golpe Eduardo Cunha está preso, mas de resto o golpe foi um êxito total. Porque mais do que derrubar a presidente Dilma Rousseff e seus 54 milhões de eleitores, o objetivo do golpe era impedir que o Lula fosse candidato e evidentemente ganhasse mais um mandato.
Muito bem, há recursos, o Lula tem bons advogados, vai recorrer. Agora, eu francamente sou pessimista e não acho que vão autorizar ele a disputar a eleição. Vou continuar na batalha, claro, mas não muito otimista, ou um pouco pessimista. O que mais me chama atenção, além da eficácia do golpe, além da cumplicidade sórdida dos meios de comunicação do meu país, da grande imprensa, é a desfaçatez do poder judiciário. Os três do Rio Grande do Sul em aliança com o juiz Sergio Moro. Nunca vi um desembargador julgar um recurso contra uma pena de um juiz e elogiá-lo, quer dizer, é de uma desfaçatez que não tem limites.
Quer ver outro exemplo de que a desfaçatez não tem limite no judiciário do meu país: um fulaninho chamado Ricardo Leite que é um “juizéco” de Brasília manda prender o passaporte do Lula. Baseado em que? O próprio trio lá de Porto Alegre tinha autorizado o Lula a viajar, aí vem esse camarada que sai de sua insignificância, de seu anonimato e brilha, brilha fugazmente. Agora, o dano que ele faz à democracia brasileira, à imagem do Brasil, sem mencionar ao Lula e sua família.
Quer ver outro escândalo aqui? Um evangélico que vive citando a bíblia nas sentenças dele, um “fulaneto” chamado Marcelo Bretas, casado com uma juíza, ambos têm imóvel próprio e ambos ganham auxílio-moradia. Quer dizer, como confiar na integridade moral, na decência, na ética desse camarada disfarçado de juíz? É uma coisa sem limites, é uma aberração atrás da outra, é sem fim.
Eu não estou em condições de sentir outra coisa que não seja uma indignação feroz com o que está acontecendo neste país. E não vai ter fim. Porque não há um mecanismo de controle, ou não há ninguém com tutano pra frear essa sequência de violências, de arbitrariedades, de aberrações. Cadê o Conselho Nacional de Justiça? Então esse “juizéco” aqui do Rio desafia o Conselho Nacional de Justiça? É um direito dele? Pode até ser, Marcelo Bretas, mas é uma atitude indecente a sua, é uma atitude antiética, é imoral. E quem é antiético, indecente e imoral não pode julgar nem a si mesmo, quanto mais aos outros
Não tem jeito. Eu não achei que eu fosse viver o que eu vivi para tornar a ver meu país se esfacelar na mão de uma manada de gentalha de quinta categoria.