A imaginação é uma das potentes faculdades humana. Elaa, dependendo da situação, entrelaça-se com a inteligência produz , ou afirma saberes. Em alguns momentos de vigília ela flui sem rédeas. Outras ela é dirigida pela vontade. “Eu estava pensando em ti”. “Não, tua estavas imaginando”. “Tenho pensado muito no nosso amor”. “Não, tem imaginado nosso amor”. É a imaginação se mostrando com objetividade, mesmo quando alheia. De qualquer porto a imaginação deixa navegar névoas de imagens-lembranças, nada nocivas.

Todavia, há um momento em que a imaginação é nociva para seu possuidor. É quando ela está confluída em afetos prenhes de dores. Culpa, inveja, ressentimento, rancor, ódio, como forma de superstição. Aí a imaginação é o mais baixo grau  da faculdade humana, visto que ela desloca o sujeito para uma transcendência persecutória. Sujeito-perseguido. É aí que um deus falseado é nomeado pelo supersticioso para se mostrar como Deus-Juiz que livra seu usuário das acusações fazendo-o personagem acima e abaixo de qualquer suspeita. Pela imaginação-supersticiosa, é claro.

COM QUEM DEUS ESTÁ?

O deputado estadual, Wallace, investigado e indiciado pela Justiça do Amazonas acusado de autorias de vários crimes, juntamente com seu filho, Rafael, em discurso na Assembléia do Estado para os seus pares, com o propósito de atingir alguns membros da CPI, e assim melhorar sua situação diante com possíveis beneplácitos, afirmou, em lágrimas, que tudo que fez Deus estava consigo. Foi um discurso, teologicamente, todo pontoado de Deus. Se alguém tivesse que afirmar que um sujeito é crente de acordo com a quantidade de vezes que este sujeito profere a palavra Deus, ali estava um insuspeito crente: o deputado.

Por sua vez, o ex-policial, ex-guarda-costas e ex-amigo do deputado, Moacir, ou Moa para os íntimos e a imprensa, testemunha chave de acusação que abriu o leque de denúncias contra Wallace e seu filho, depois de voltar do presídio em Catanduva, no Paraná, para novos depoimentos, afirmou que aceitou Jesus. Filho de Deus, para muitos, o próprio Deus.

Agora, o dilema teológico foi levantado. Wallace fala o nome de Deus e sempre se reporta a seu passado de próximo da igreja católica. Por seu novo lado, o teológico, Moa, afirma que Deus está consigo. Dois rivais em uma mesma imaginação-supersticiosa.

Wallace, que afirmou, no começo das investigações, que não conhecia Moa, diz que tudo que seu ex-guarda costa disse à polícia é mentira. Já, Moacir, em seu novo depoimento, pós-encontro com Cristo, reafirmou tudo que falou e ainda apresentou novos sinais incriminatórios contra o deputado. Desta forma, salta a pergunta que quer ser calada: Com quem Deus está?

Bem, quanto ao caso de quem tem a verdade para realizar a justiça democrática, o Poder Judiciário do Amazonas pode, através de seus Códigos de Leis, mostrar para sociedade. Mas quem tem poder de afirmar com quem Deus está, é que é o fundamento do dilema. A sociedade tem que recorrer às igrejas com seus padres e pastores? Mas aí salta a certeza para a sociedade: “Tem tanto religiosos envolvido com falcatruas, delitos leves e pesados”. Neste caso, sendo o Brasil uma democracia, e a democracia o governo de todos, e sendo Deus um espírito para os bons, e sendo o Povo uma potência boa, só cabe ao Povo sentenciar em sociedade os desígnios democráticos de Deus.

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