CARIMBÓ “RAIO DE SOL” É DE QUATIPURU (PARÁ-BRASIL)

Raio de Sol

Em janeiro passado, quando este bloguinho compareceu ao Fórum Social Mundial, em Belém do Pará, além dos eventos políticos sociais, o evento foi marcado de forma singular, conforme relato de participantes de todas as edições do Fórum, pela animação de diversos grupos musicais e folclóricos, o que até deixou sisudos alguns sérios revolucionários, como um repórter de uma das mais importantes entidades da mídia alternativa, que ao encontrar algum rapaz ou garota muito festiva, fazia a pergunta: “Você veio pra festa ou pra política?” Como se defender as raízes culturais de uma localidade não participasse da luta global contra o capitalismo de mercado.

Para nós, amazomanoniquins, não bem acostumados à Zona Franca, que importa tudo conforme o ditame da indústria cultural: o rock (sem pedra) de Skank, o axé (des)music de Ivete Sangalo, a senilidade dolorosa de Fábio Júnior, o pagode desvitalizado de Zeca Pacotinho, as emoções recortadas de Zezé de Camargo, Roberto, Claudinha, Jota Quest, Chitãozinho, Dudu Nobre… No caso manoniquim, ainda contribuímos com o boi cocanestlelizado, fabricado pra turista otário assistir como cultura amazônica. São apenas exemplos, a lista da nulidade artística-musical brasileirinha é extensa.

Para nós foi gratificante ver uma cidade (Belém) onde você encontra por todos os cantos — bares, casas, táxis — boa música aliada à musicalidade de raiz paraense. Mesmo o que é ditado pela indústria cultural ao Amazonas e outros estados como sendo paraense, toca em Manaus, mas nem sinal em Belém.

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Foi numa dessas andanças poéticas-políticas que nos encontramos com o grupo de carimbó Raio de Sol e a Marujada Quatipuru. Quando vimos pela primeira vez aquele velho com uma rapaziada e uma marujada em um palco do FSM 2009, foi um encontro maravilhoso para os olhos e o coração. Era o Carimbó Raio de Sol e a Marujada Quatipuru.

Pessoas de diversas vertentes na luta por justiça social e que assistiam à apresentação, sacando a importância de afirmação, não apenas identitária, do Carimbó como Patrimônio Cultural Brasileiro ante o avassalamento cultural que a indústria cultural globalizada tenta impor, expressaram esse entendimento com seu corpo, caindo na folia do legítimo Carimbó paraense.

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Um pouco depois, quando procurávamos um restaurante para almoçar, topamos novamente o Raio de Sol, dessa vez embaixo de uma mangueira. Encostamos e conversamos, conforme publicado à época neste bloguinho, com o velho que víramos no palco. Chama-se Mestre Come-Barro:

Neste nosso grupo, a gente toca tudo, a gente faz xote, a gente faz valsa, madruga, a gente toca marujada, ladainha… Eu mesmo, de trabalho, tenho 41 anos, mas o grupo está com oito anos. Eu brinco desde a idade de nove anos. Eu aprendi com os negros antigos lá da minha cidade, Quatipuru, daqui mesmo do Pará. Os meninos aqui já são da nova geração, porque os antigos foram se acabando, destes só tá eu de resto, aí já estou pegando mais jovens para aumentar o grupo, que é para não morrer. O rapaz que toca clarinete é um jovem de 16 anos, tem o vocalista, e o que mais nós apresentamos é o carimbó e a marujada. Mas retumbão, chorado, tudo isso a gente apresenta. Principalmente no festival de Quatipuru, que é em dezembro. Na cantoria de Reis o nosso grupo também sabe, também se apresenta.”

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Para nós, que conhecíamos apenas o carimbó modernizado de Pinduca e, por um acaso, Mestre Verequete, além de encontrar outros realizadores dessa fundamental manifestação popular do criativo povo paraense, foi maravilhoso ver o talento e vitalidade do Mestre e da rapaziada, fundamental para o movimento contínuo do autêntico carimbó, assim como maravilhoso foi ver a alegria das senhoras, moças e rapazes da Marujada Quatipuru em toda a sua simplicidade e alegria de dançar.

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Para compartilhar com outras pessoas o carimbó do Raio de Sol, pegamos com ele um CD do grupo e pedimos a permissão de Mestre Come-Barro para disponibilizá-lo na rede. Portanto, puxe sua teia, baixando no link abaixo e caia na folia do autêntico carimbó paraense. Afinal, em tempos de sociedade de controle, não há política maior que deixar passar a Inteligência Coletiva e liberar o corpo e a alma para movimentos-ritmos naturais e livres, intensivos e desconcertantes, inimagináveis. Ah! Belém! Quatipuru! Santarém! Oh!, meu Pará, “cuando yo te vuelva a ver”

Baixe aqui: Carimbó “Raio de Sol”

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19 thoughts on “CARIMBÓ “RAIO DE SOL” É DE QUATIPURU (PARÁ-BRASIL)

    1. NASCI EM QUATIPURU,ADORO A MINHA CIDADE ATRAVES DESTE TO MATANDO A SAUDADE DA MINHA TERRA QUERIDA,O RIO É LINDO NÃO MAIS QUE VOCE QUATIPURU,FRANCI E REBECA

  1. Quatipuru e terra muito boa,é pena que o povo não sabe escolher seus governantes. so escolhe gente imcompetente.

  2. Eu tenho muito orgulho da minha cidade, principalmente do meu pai por ser mestre do carimbó de Quatipurú,o meu lutou muito pra o fazer o grupo RAIO DE SOL, eu estou morando em são paulo mais se Deus quiser em dezembro eu estarei prestigiando a festa da marujada!! EU AMO QUATIPURÚ HÁ QUE SAUDADE

  3. Salve povo do blog Sophia! Grande Abraço!
    Uma alegria ler a matéria de vcs sobre o nosso carimbó e especialmente sobre o grupo Raio de Sol, parceiro há 05 anos em iniciativas em prol do reconhecimento e valorização de nossa cultura popular amazônida-brasileira.

    Visitem o blog do nosso ponto de cultura “Danças Circulares da Amazônia” – wwww.dancascircularesdaamazonia.wordpress.com

    Mestre Come-Barro, incansável e digno em seu saber-fazer-ser-conviver cultural, está na ativa sempre. Confiram em nossos posts “Cunvidado – com Raio de Sol e Dona Onete”; e “Raio de Sol e Dona Onete – Ensaios, Cunvidado, Cantorias, Toques e Trocas…”

    Maria-Esperança

  4. Maria-Esperança,
    que não espera e avança, então é uma composição maravilhosa de afetos produtores de um bom encontro, pois é uma alegria afinada ver as tradições autênticas do povo paraense serem movimentadas com vivacidade e amor poiético-musical-democrático…
    Abraços afinados!

  5. Parabens mestre come-barro, como é comhecido;por sua dedicação
    e perseverança.voce mostrou a todos os quatipuruenses que todos os seus esforços se mostram hoje como uma gramde vitótia atraves do grupo raio de sol.E Parabens tambem a todos os integrantes do grupo por não deixarem a nossa cultara morrer.
    moro em Parauapebas-pa e sou filho de Quatipuru com muito orgulho.Um grande abraço. EU AMO QUATIPURU!!!!

  6. Morava em primavera, mais ia nanorar em quatipuru onde apesar das rixas, fiz bons amigos graças a Deus. Hoje moro em goiania mas não esqueço do meu torrão

  7. sou filho de quatipuru e amo muito esta cidade se deus quizer irei em dezembro para esta grandiosa festa

  8. suo de quatipuru e tenho muito orgulho de minha terra pena que tive que morar em outro estado por não ter a chace de crescer na minha linda cidade que tanto amo

  9. É. todos tem razão de terem tanta saudade dessa pequena e pacata cidade.
    Que só existe para matar e morrer de saudade.
    Moro em Belém, mas nunca saí de lá.
    Então, o melhor lugar é aquele que se sente saudade, è nossa terra Natal. Ana Alice.
    Meu pai. è o Militão

  10. para quatipuru minha terra natal “minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá…… não permita DEUS que eu morra, sem que eu volte para la.

  11. Sou de Salvador conhecir uma menina dai de Quatipuru e já me apaixonei por Adriana Souza e pelo povo desta cidade….bjs. eu sou Fernando….até brevi!!!!!

  12. Estou encantado com a alegria de voçês, sou de Salvador e conhecir uma menina daí é a Adriana Souza amo esta menina.Estao de parabéns pela cidade e pela festa….eu sou Fernando…em breve estarei aí…bjs!!!!

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