A mediocridade do futebol é geral. O planeta terra está repleto de amenidades futebolísticas. As vezes acontece de se manifestar um Barcelona, mas é só uma breve manifestação. Junte-se a mediocridade do futebol a avidez dos agentes empresarias e mais o vazio intelectual da mídia deste esporte – que um dia foi bretão – temos então o espetáculo da mesmidade. Nada mais do que o mesmo predominando como figuração nestas eliminatórias para a Copa de 2010.

Na partida – não pode ser chamada de jogo, porque na mediocridade não há jogo – entre as seleções do Brasil e Uruguai, predominou o velho adágio popular: “O futebol é uma caixinha de surpresa”. Os uruguaios dominando a partida no primeiro tempo, sempre ameaçando as balizas do goleiro Júlio Cesar – que nada tem do imperador romano –, eis que o irritado Daniel Alves, para se livrar da pelota, dá uma chutão em direção do goleiro uruguaio, que para confirmar que o “futebol é uma caixinha de surpresa”, aceita a superstição futebolística: frangaço. Pela maneira anêmica do chute e desengonçada deslocamento da pelota, pareceu ser da Sadia ou da Perdigão. Nada de granja, muito menos de quintal que pudesse servir para canja à uma mulher grávida de futebol.

Ainda no primeiro tempo, com os uruguaios em síndrome de seleção da Colômbia nos tempos de Valderrama e Higuita, que era só drible e toque de bola sem chutar em gol, ou Atlético de Madrid com toques comandados pelo uruguaio Forlan, os “branca de neve” aproveitaram o rebate do goleiro em cobrança de escanteio, depois um cruzamento da direita, com o bom goleiro disputando, sem braços, com a cabeça do brasileiro, saiu o segundo gol.

É lógico que superstição é superstição, não tem nenhum signo racional. Pela superstição dizem que o pior no futebol carioca só acontece com o Botafogo. Tudo superstição de próprio botafoguense. Só que o goleiro do Uruguai acreditou. Atuou como se a superstição fosse real. Aí não deu outra: o Uruguai apresentou um futebol medíocre, mas muito mais futebol que o Brasil que jogou na sorte do que é de pior “só acontece com o Botafogo”: o goleiro da seleção uruguaia é goleiro do Botafogo.

Na ordem da superstição não poderia ser diferente. Uma seleção medíocre como a seleção brasileira, para ganhar só com a mandinga do tudo que é de pior “só acontece com o Botafogo”. Tudo fora do real. O espaço imaginário onde se concentra a seleção canarinho. Para a alegria dos cartolas e da mídia acéfala.

2 thoughts on “BRASIL 4, URUGUAI FUTEBOL

  1. Valeu, companheiro,Fael, pela procedente informação.

    Sem tiração de broncas I – Quem nos informou que o goleiro era do Botafogo foi um auxiliar da Coluna Chagão.

    Sem tiração de broncas II – Quem sabe que o goleiro do Villa, Viera, em convivência, nestes poucos dias, com o goleiro do Botafogo,Castilho, não foi contaminado pela superstição futebolística carioca no estigma, “tudo de pior acontece com o Botafogo”?

    Abraços, Fael, sem nada de pior.

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