ECONOMIA DOMÉSTICA ― NO BALANÇO DOS PREÇOS

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O Brasil, hoje!, a partir do governo Lula, é um país considerado internacionalmente como tendo uma economia forte, que não chegou a ver-se, em momento algum, como seria a fantasiosa perversão da direita/mídia sequelada, alquebrado com a denominada crise. E embora não creiamos nessa crise já que crise é mudança, alteração ontológica , pois desde Marx sabe-se que o Capitalismo mantém-se sempre a partir de simulações de crise falsas crises que desestabilizam apenas para os capitalistas possam auferir seu lucro do estado de exceção —, é entre os trabalhadores, as donas de casa, os estudantes, etc, que se sente na hora do almoço a ausência de ingredientes caros ao um paladar, mas é aí também, quando estes se despessoalizam em multidão que todas as possibilidades se tornam reais linhas de fuga de preservação de um aroma, de um tempero. Por isso este bloguinho passa a trazer situações onde se percebe os efeitos da malfadada crise na alta dos preços e… com vocês Tiquinho e Vó Juracy…

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O ESTADO DE ESCASSEZ DAS VERDURAS

Tiquinho: Vó! Vó! Cheguei! A caldeirada tá pronta?

Vó Juracy: Tá… Que fome é essa?! Não teve o desbrocante na escola?

Tiquinho: É que tá sem merenda!

Vó Juracy: (servindo o caldo) De novo? Foi a semana toda isso…

Tiquinho: É jaraqui!?

Vó Juracy: Não! (O garoto da uma colherada no prato) Hoje só deu pra comprar branquinha!

Tiquinho: Cadê o sabor do tomate?

Vó Juracy: É que o valor era 1 real o kg, e agora 4 a 6 reais. Os feirantes jogam um preço, é um só…

Tiquinho: É a cheia vó…?! E o sabor da cebola?

Vó Juracy: É que o valor era 2,70 o Kg, e agora de 2,80 a 3,50. Muita variação de preço…

Tiquinho: É a cheia vó…?! E o sabor do pimentão?

Vó Juracy: É que o valor era 2,50 o Kg, e agora é 5 paus. Muita alta no preço…

Tiquinho: É a cheia vó…?! E o sabor do cheiro-verde?

Vó Juracy: É que o valor era 2 reais um pacote com cheiro, cebolinha e chicória, e agora é 5 só o cheiro… Não queira nem saber!

Tiquinho: Não dava pra comprar só cebolinha, pra dar sabor?

Vó Juracy: (Prepara o pirão) É que o valor foi de 2 reais o maço, e agora é 2,50… Quem quer, leva…

Tiquinho: É a cheia vó…?! Nem chicória?

Vó Juracy: É que o valor era 50 centavos o maço, e agora é 4 reais… E não tem, o seu Cardoso disse que vinha uma remessa de Belém, e que ia baixar o preço… Ficou foi mais caro!!!

Tiquinho: É a cheia Vó..?! (Prova o caldo mais uma vez.) Não tem pimenta “doce” pra dar um gostinho?

Vó Juracy: É que o valor era de 2 a 2,50 o Kg, e agora é 7 a 8 contos o Kg. Quem não quer, não leva…

Tiquinho: É a cheia Vó…?! Não tem pimenta ardosa pra compensar a falta do tomate, da cebola, do pimentão, do cheiro, da cebolinha, da chicória e da pimenta doce?

Vó Juracy: É que o valor era de 1 a 2 reais o litro, e agora é 15 reais o Kg. Quem pode comprar, compra; quem não pode, fica sem…

Tiquinho: É a cheia Vó…?!

Vó Juracy: Não é não meu neto. O ribeirinho sempre plantou, acompanhado o fluxo das águas, para suprir sua necessidades básicas, e hoje dependemos dos produtos de outros estados, e a Zona Franca Verde só… Nada! É o triunfo da tal economia capitalista e a despolitização do mundo. E, de quebra, ainda jogam a culpa na natureza, o Governo na sua ausência de inteligência, cria um estado de escassez, que coloca o cidadão numa condição de carestia geral!

Tiquinho: Pelo jeito, o caldo vai ficar só na pimenta do reino e no coloral…

Vó Juracy: Do jeito que tá, vai ficar só na água e no sal! O melhor é a gente fazer um canteirinho ali do lado da varanda, senão…

Tiquinho: E eu te ajudo, vó! Mas deixa só fisgar aqui essa branquinha, que tá deliciosa assim, imagina quando a gente tiver as verdurinhas!…

11 thoughts on “ECONOMIA DOMÉSTICA ― NO BALANÇO DOS PREÇOS

  1. Amigos da afin,sou morador do jorge teixeira,mas vim do interior,Bareirinha,e la conservamos ainda o habito de fazer canteiros,achei estranho o comportamento do manauara,prefere comsumir do supermercado,que ja esta tudo pronto,esses temperos completos,e o preço das coisas aqui sao absurdas,onde a terra e fertil o homen e a mulher,sofrem essa tal caristia!Vanessa.

  2. Sou Mae Solteira,estou sentido no bolso a dificuldade de adquirir os preparos para a comida,e esse governo fala nessa tal de zona franca verde,que a gente sabe que nao funciona,porque se funcionase eles fiscalizavam o aumento nos preços!Kamila-Bairro da Paz.

  3. Meu nome e irma marcia,sou evangelhica,moro no novo israel,e acredito que deus quando fez a terra a natureza,fez para o homen viver em harmonia com ela,mas ele destroi,e esses politicos ainda ficam se a proveitando,como diz essa vó,tomara que deus castige esses politicos.que usam o nome deus em vao.

  4. Me lembro que antigamente ninguém comprava cebolinha, xicória, coento. Hoje vem tudo de fora. Numa caldeirada de bodó, de jaraqui não faltava alfavaca e hoje não encontramos mais. Concordo com o colega acima que fala da zona franca verde. Verde de quê? Só se for dos dólares que eles pegam do estrangeiro, porque agora na enchente estão distrbuindo um cartão de trezentos mangos que deve ser bem através do governo federal. Além disso falaram em terceiro ciclo enquanto isso o povo sofre. Nem xicória tem mais porque a agua inundou tudo. Falam em região metropolitana e pra iniciar iniciam a construção de uma ponte que não vai levar a lugar nenhum, só gasto de dinheiro. E o povo sem os condimentos para o peixe. A foto que colocaram me deu água na boca. Só água, porque nem o peixe eu tenho. Nosso dinheiro, tai, com deputados e agora até parece com promotores. Wuallace comanda o crime. Será que é só ele? E os governantes que ele apoiou e com quem esteve até om momento não sabiam de nada? A minha polícia não sabia de nada? Nosso caldo vai engrossar quando tivermos condimentos. Condimentos que não serão tirados para festas sem alegria, como as que são promovidas pelo governo do Estado: escolha para sede da copa, boi manaus, boi de parintins. Enquanto isso o povo naufraga. Quem cozinha pra eles? Tantas perguntas, tantas respostas. Um amigo daquele que viveu na floresta negra e que percebeu a jogadas do capitalismo. Raimundo dos Educandos.

  5. Esse estado de escassez,que fala Dona Juracy,so prevalece porque o povo ainda nao sabe a importancia de sua funçao politica na hora de votar,como se nao bastase a falta de agua,o transporte coletivo precario,o mau atendimento nos postos de saude,escola que nao sabe qual sua funçao social,vamos ter que ficar sem verdura.Carlos-Compensa 2.

  6. Eu queria saber se e possivel processar o governo pela sua falta de competencia em administrar a cidade?Existe uma lei para combater essas arbitrariedade?Existe um orgao regulador ,que possa verificar isso?Marcos -Zumbi.

  7. Caranba!eu estou em manaus a pouco tempo,pensei que as coisas aqui nao eram tao difices assim,esses preços sao um ofença e um roubo,ao bolso das familias,se esses preços sao do mercado municipal la no centro eu imagino nas partes mas longe…Fabricio-Beijamim Constant-Am,moro na matinha,centro.Francisco.

  8. Vocês da Afin deveriam fazer uma pequisa sobre o valor da carne e do peixe,para ver a alta desses preços!que é prova da má administração pública!Fernanda-Novo Israel.

  9. Eu sempre acesso o blog da afin ,gosto das analises que voces fazem para nos blogueiros sobre as questoes sociais dessa cidade,como voces falam, uma cidade que nao e cidade,e esses valores apresentados pela Dona Juracy,representam a realidade dos preços que os feirantes cobram nos bairros,explorando a populaçao!Manoel-Joao Paulo.

  10. Companheira, Fernanda Nova Israel, a tua pedida caiu como uma luva, ou melhor: como um prato cheio. Como a Afin é constituída de vários gordos e magros,os primeiros grandes carnívaros, e os segundo escamosos peixívaros,as duas linhagens já cairam em buscar de informações sobro os dois produtos fundamentais à alimentação e preservação da fauna humana.

    Abraços estomacais!

  11. Bom e velho companheiro, ManoelJoão Paulo, tu sempre acertas em teus comentários, mas desta vez o teu acerto é um triste acerto: Manaus, infelizmente para nós e outros, realmente não é uma cidade.
    Tu chamas atenção para um fato doloroso: o preço das verduras, peixe, carne e frangos nos bairros:muito caro. Além das posses financeiras da população de baixa renda. Todavia,Manel,o comerciante sofre do atentado do atravessador que por sua vez já atentou contra o agricultor, que por sua vez é atentado pela inexistência de uma política agropastorial do governo do Amazonas, que neste momento anda às voltas com fantasias futebolísticas, mostrando ao mundo que ~´e uma governo fora do real que não ver que o dinheiro que será gasto na tal de Copa poderia ser usado nas políticas públicas.

    Abraços, Manelão!

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