FALA ESTUDANTIL: UM PROCESSUAL POLÍTICO

O político é um ser da Polis implicado pelo fundamento Idéia-Democrática que o torna partícipe das construções semióticas desta sociedade dos amigos: a democracia. Implicado pelo fundamento, o político é um pretendente que age essencialmente na pluralidade justa da Polis. Nisto, não se situa à margem da sociedade, dada sua práxis como sujeito que habita uma imanência produtiva.

Daí que o político é todo ser da Polis que carrega sua própria voz e não a ressonância semiótica de um sujeito tido como voz de comando. Estas as múltiplas implicações do político, e não a determinação de uma agremiação dos profissionais do executivo e legislativo. Quase sempre sem políticos.

O PROCESSUAL POLÍTICO ESTUDANTIL

Muito longe do que pretende fazer crer a mídia dependente dos poderes legislativo e executivo, que afirma ser a questão estudantil sobre o direito do passe um direcionamento dos representantes dos partidos PT, PSB e PCdoB, os estudantes de Manaus simplesmente manifestaram a intensidade democrática de cada um como um ser político. Aquele cuja práxis é a pluralidade política da fala de si mesmo. O fator estudantil, que tem em uma sociedade sua própria voz constituída pelas potências da observação, exame e síntese da realidade social em que se move. Sua voz não é eco, e sim originalidade lingüística.

Entretanto, por limitação epistemológica, ou vício da subserviência, a maior parte da mídia manauara vem se mostrando coesa com a opinião opiniática do prefeito cassado Amazonino, que afirma ser a manifestação estudantil uma manipulação de membros destes partidos. E para constatar a enunciação opiniática do prefeito cassado, a mídia, no caso particular, o jornal A Crítica, apresenta matéria conferindo ao ato estudantil desencadeado só nestes dias, em razão dos membros dos citados partidos antes encontrarem-se no governo do anterior prefeito, Serafim. Triste fantasia comprometedora. Os fatos não emergem a partir de um único interesse de pessoas ou grupos. A emergência dos fatos é produto de encadeamentos coletivos quando se encontram com forças contrárias. O processual político. No governo Serafim, os estudantes não sentiram forças antagônicas, como neste momento, que tentassem inibir suas intensidades políticas como sujeitos democratas e democratizantes. As adversidades não emergiram exclusivamente por que alguns da chamada esquerda encontravam-se bem alojados, usufruindo das benesses da gestão do português, servindo de selim conforto. Uma lógica própria da limitação perceptiva e cognitiva política. Um argumento para se proteger contra a potência coletiva do Multitudo, a caoticidade criativa do povo, como dizem Maquiavel/Negri/Hardt. Caoticidade que nem o prefeito cassado e sua mídia entendem. Já que, para eles, o caos é nada mais do que oposição de objetos deslocados em espaços concebidos pela percepção. Como acontece a todo momento com o dito trânsito de Manaus.

Assim, nesta caoticidade criativa manifestada pelos estudantes, os membros dos partidos conferidos como de esquerda estão sendo apenas meros coadjuvantes – agora sim –, querendo somar alguns dividendos para eles. Além de quê, quase todos estes partidários não possuem força discursiva nem com eles mesmos. Por isso, com exceção do PSB, o PT e o PCdoB, encontram-se no governo retrógrado do Eduardo Braga. Onde se encontra, então, a força examinadora e transformadora deles para serem tomados como políticos? Portanto, mano, a potência criativa é estudantil.

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