!!!!! O MUNDO É GAY !!!!!

* – Outdoor em homenagem às mães lésbicas e bissexuais, campanha promovida pelo Grupo Luas (Liberdade, União Afetivo-Sexual das Mulheres Lésbicas e Bissexuais) e Movimento Leões do Norte, do Recife (PE). Um Lushow!.

QUE SEXUALIDADE QUEREMOS? – Parte I

Há um discurso científico que perpassa praticamente todas as áreas do conhecimento humano, da psiquiatria às artes, e que está muito mais “encarnado” em nós do que imaginamos ou gostaríamos que estivesse: o da sexualidade.

Quer dizer que a sexualidade é muito mais do que uma disciplina de conhecimento sobre as práticas sexuais e de gênero? Sim, basta a gente considerar que definimos identidades humanas em sociedade em função do sexo e do uso do corpo, para perceber que a coisa é bem mais complexa e capilarizada do que a gente pode imaginar.

Sou homem, és mulher, aquele gay, uma travesti, um efeminado, uma machinha-machona”, são identidades. Elementos de ordem de um regime de signos que classifica, hierarquiza, atribui valores e distribui num plano de socialidade. E quem puder que aguente o rojão!

Não iremos aqui nos deter na pergunta fatídica: por que o homem procura saber sobre o seu próprio sexo? Um pouco desviante disso, tentaremos explicar de forma muito resumida – e certamente sem esgotar o assunto – porque a sexualidade, que é uma palavra recente, com uso popularizado há pouco mais de um século, perpassa toda a produção humana, sendo ela própria uma delas.

Que interesse temos em definir como fazemos sexo, com quem, e que tipo de práticas realizamos em busca da satisfação sexual?

É que a sexualidade define a existência das pessoas em pelo menos três campos distintos: o do enredamento dos saberes, o do estabelecimento das normas, o dos modos de subjetivação. Um homoerótico, uma prostituta, têm seus valores atribuídos socialmente em função do uso que fazem do seu sexo, e isso é uma identidade, uma casca ôca, um estereótipo. Ainda assim, pessoas morrem, pessoas matam por causa disso.

SEXUALIDADE E O ENREDAMENTO DOS SABERES

O passamento de um saber eminentemente teocrático para um paradigma cientificizante marcou a explosão da sexualidade como campo do saber, e foco de interesse das outras disciplinas do conhecimento humano.

Hoje, praticamente todas os saberes das chamadas ciências humanas e suas derivadas passam pela sexualidade. A medicina se define, de certa forma, a partir da sexualidade. Há uma medicina do corpo da mulher e do homem, com suas especialidades próprias, e se considerarmos o ramo da medicina de modificação do corpo, chamada plástica, que forma profissionais aptos a moldar um corpo feminino como masculino e vice-versa, já podemos até afirmar que exista uma medicina transsexual.

A mesma medicina que hoje opera um pênis onde havia uma vagina e uma vagina onde havia um pênis, há pouco mais de um século atrás, condenava o homoerotismo como doença (“a inversão sexual, os invertidos”), a masturbação como prática nociva ao corpo e à mente, ao mesmo tempo em que considerava o uso de certas substâncias como natural, por exemplo, o tabaco, através do cigarro, que era indicado inclusive a crianças.

É que a medicina, como de resto as outras ciências e ramos do saber – o Direito, a Psicologia, a Economia, a Sociologia, a Antropologia, e por aí vai – partiu de uma perspectiva negativista para um positivismo produtivo. Positivismo no sentido em que passou a produzir conhecimento sobre como esse corpo realmente é e funciona. A questão não é mais moral, mas de formação de campos do saber que determinam formas de subjetivação. Se antes o homoerotismo era condenado como prática moralmente condenável, com o conhecimento sobre o corpo, foi possível por exemplo que parte da medicina considerasse a prática do sexo anal como inadequada apenas porque o ânus “não é órgão sexual”. Se atualmente a medicina já não prioriza a dualidade homem/mulher, é porque as pressões sociais fizeram arrefecer este campo de influência moral na ciência, e também por conta da medicina de mercado, à qual não interessa de onde venha o dinheiro.

No direito, o homoerotismo passou de anomalia social a sujeito de direito – embora ainda não de fato – em relação às suas especificidades. As lutas pelo PLC 122/06 e pela união civil são o atual estágio de uma luta que se iniciou no próprio reconhecimento da normalidade social do homoerotismo. É quando o direito recorre à outros campos do saber para definir o estatuto de existência em sociedade dos homoeróticos. Mas serão só estes saberes a definir? A questão da expansão dos mercados e de nichos mercadológicos específicos certamente contribui para esses enfraquecimento gradual da estranheza ao homoerótico. Afinal, somos todos iguais perante deus (=dinheiro/consumo).

Mas até que ponto essas ‘conquistas’ levam a população LGBT para um estatuto de sujeitos de fato e de direito social? Será interesse dos LGBT serem considerados sujeitos apenas no aspecto do consumo? O quanto de ‘positivo’ existe na produção de conhecimento sobre a sexualidade e o homoerotismo, na medida em que devolve e continua a envolver as pessoas numa modelização subjetivadora? Quando abordarmos, na segunda parte, a questão da normatividade, continuamos o nosso papo-cabeça, menin@s.

Ui! E agora vamos ver outros sopros gays (ou não) que passaram no nosso Mundico! A Lôca!

Φ GRUPO SOMOS PARTICIPA DE PAPO SOBRE GÊNERO E SEXUALIDADE. Quem também está engajado em uma discussão sobre a sexualidade e o que/quem somos, é a SOMOS! A lôka! Mas é verdade, gente. O grupo está participando do seminário “Corpo, Gênero e Sexualidade”, promovido pela UFRGS, onde o objetivo é “discutir o corpo como construção cultural e como efeito de inscrições processadas nas práticas sociais e na fabricação de corpos contemporâneos enfatizando sua relação com a saúde, a beleza, a socialização e o trabalho”. Interessantíssimo, aí nóis lá nos pampas do Rio Grande uma hora dessas! Quem puder participar, é uma boa oportunidade para discutir mais a fundo estas questões. Para saber qual a programação, coloque o dedinho aí no link, e se joga no blogue da SOMOS! Ui! Sentiu a brisa, Neném?

Φ MAIS UM ESTADO AMERICANO LIBERA O CASÓRIO: MAINE. O governador John Baldacci, do Estado de Maine, sancionou nesta sexta-feira o decreto que permite a união civil homoerótica naquele lugar. É o quinto estado americano que libera a união civil entre pessoas do mesmo sexo. Em New Hampshire, a assembléia já aprovou a lei, mas falta a assinatura do governador. É mais um estado coberto pela onda colorida do engajamento gay, baby!! Sentiu a brisa, Neném?

Φ OI CONDENADA A INDENIZAR TRANSSEXUAL. A justiça do Rio de Janeiro condenou a operadora Oi a pagar uma indenização de seis mil reais referente a danos morais. O problema ocorreu quando um operador de telemarketing da empresa ligou para a transsexual para oferecer um plano, e diante de uma negativa, passou a ofender com palavras, acreditando que a pessoa não faria nada. A condenação se deu com base no Código de Defesa do Consumidor, e para a sorte do atendente ressentido, o PLC 122/06 ainda não foi aprovado. Caso contrário, da esfera cível, ele iria cair diretamente na esfera criminal. E ainda tem quem diga que o projeto não é importante… Sentiu a brisa, Neném?

Φ LANÇAMENTO DO PLANO NACIONAL SERÁ DIA 14. O Ministro Paulo Vanucchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República e a ABGLT convidam a todos para participar, no próximo dia 14, no Palácio do Itamaraty, às 14h, do lançamento do PLANO NACIONAL DE PROMOÇÃO DA CIDADANIA E DIREITOS HUMANOS PARA LÉSBICAS, GAYS, BISSEXUAIS, TRAVESTIS E TRANSSEXUAIS – LGBT. Nõa percam, e depois corram para marocar conosco, pobres mortais que não poderão estar em Brasília nesta data festiva, baby. Em breve, você lê aqui mais detalhes sobre o plano, viu. T’hacalma. Sentiu a brisa, Neném?

Beijucas, até a próxima, e lembrem-se, menin@s:

FAÇA O MUNDO GAY!

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