ENEM ― DEPUTADOS DO AM COMEMORAM O FRACASSO

Diz o adágio popular que “a beleza está nos olhos de quem vê”. Transpondo o termo beleza para o termo conhecimento, o adágio remete à compreensão que a opinião resulta de um conceito pessoal, deixando de lado o que é tido como realidade. O sujeito opinante opina de acordo com sua condição no mundo, alijando o complexo social. Um recurso perigoso de tentar fazer prevalecer uma visão reduzida a si mesma sobre a visão coletiva.

Este o perigo apresentado hoje na Assembléia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) por deputados que apóiam o governador Eduardo Braga. Com o resultado sofrível divulgado pelo ENEM sobre as escolas estaduais do Amazonas, classificadas, em seu conjunto, em 23º, com 46,53 pontos — o estado do Pará está no 13º lugar, com 48.15 pontos, e nem por isso está comemorando —, os deputados fragmentam a realidade do ensino público, por dever do ofício de servir o governador, ou por limitação cognitiva sobre o que é educação pública, procurando pôr em seu lugar um simulacro (o que não se assemelha ao real) tecido como imagem positiva do governo no ensino público.

Desta maneira, o que em outros causa grande preocupação, nos deputados-desrealizados, é motivo de comemoração. Uma exposição insuspeita da lógica do fracasso como modelo a ser perseguido. Uma comemoração que faz com que cada dia mais aumente na população a desconfiança no ensino proporcionado pelo governo, que investe em massa no marketing enquanto se afasta das políticas sociais que a população necessita, evidenciando o entendimento que se não fossem os programas do governo federal pouco se teria que afirmar desta administração.

Todavia, para piorar o ensino no estado, o fracasso não se reduz apenas às escolas públicas, atinge também todas as escolas privadas — cujo funcionamento encontra-se sob as leis do ensino e avaliação administrativa do estado ―, onde a que obteve a maior nota conseguiu 6.9 pontos. Pouco, para quem vive exclusivamente do ensino de mercado, já que tem como modelo de ensino o endereçamento do aluno para o mercado capitalista. O mercador que precisa ser preservado, segundo estas empresas de ensino. Mas seguindo esta lógica, esta futura mão de obra vai implodir o sistema. O que para alguns seria o ‘bicho’.

Em síntese, a comemoração dos deputados, além de demonstrar o grau de desrealidade e subserviência, mostra outro perigo: suas próprias formações intelectuais divorciadas do grau superior de inteligência que exige a democracia para os cargos políticos necessária para examinar as realidades opressivas e tentar desativá-las racionalmente para que o povo possa continuamente tornar-se cidadão.

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