TRASLADO DE SÃO BENEDITO (1ª Parte)

Glorioso São Benedito!

Servo de Deus destinado.

Glorioso São Benedito!

Servo de Deus destinado.

Que fielmente adorastes

A Jesus crucificado.

A Jesus crucificado.”

São Benedito por você.

O Novenário de São Benedito é realizado todos os anos no Ylê Axé Sesu Toyãn, começando no sábado de aleluia. Na oitava noite de novena, o santo faz o traslado para uma outra casa de santo escolhida pelo conselho de São Benedito, que organiza as novenas e festejos. Lá, entidades do culto afro Mina Jêjo Nagô recebem o santo e ocorre uma festa de acolhida. No dia seguinte, o traslado é feito em retorno ao barracão original, conforme as tradições dos rituais religiosos mais populares que perduram como devoção espiritual e beleza plástica.

Publicamos agora, na primeira das três partes que compõem este trabalho, o resumo histórico do livreto distribuído aos participantes do Novenário, segundo o qual “a novena de São Benedito foi textualmente formada por fragmentos de orações e ladainhas fornecidas em 1991, por Dona Creuza, quando da primeira novena realizada inicialmente no Templo de Candomblé Terreiro de Santa Bárbara”. Ao longo dos anos, os babalorixás Gilmar Ti Yemonjá e Vichê Arnaldo de Nochê Abê introduziram outros cantos populares e organizaram o apostilado. Finalmente, o Dofono Raulzinho Ti Oxum fez o trabalho de recuperação de textos e trechos perdidos e deu-lhes a forma atual, “situando-os em uma sequência mais harmoniosa”, constituindo um verdadeiro documento histórico.

NOVENÁRIO PERPÉTUO EM HONRA A SÃO BENEDITO

* Resumo Histórico *

A origem da devoção a São Benedito deve-se ao colonizador português, que por volta do ano de 1610 o trouxe para o Brasil. O santo negro, nascido no ano de 1526, em São Filadelfo, na Sicília, Itália, ganhou a simpatia não somente dos senhores da colônia, mas também dos negros e de todo o povo humilde, que via no santo a manifestação da Providência e caridade Divina. A sua devoção pelas religiões de matrizes africanas está intrinsecamente ligada à devoção ao Vodun Toy Averequete, não sendo possível fazermos referência a um sem citarmos o outro.

Toy Averequete ou Verequete, também conhecido ritualisticamente por Adunoblé, na casa dos Jejes, é tido como um rapaz e vem na frente trazendo os outros Voduns, tendo em vista que o mesmo foi o primeiro Vodun a entrar nas matas “para pegar os caboclos” que lá se encontravam. Já no nagô Abioton, Casa de Nagô, Fanti Achanti e Terreiro de Abê — Manjá, bem como em outros terreiros de Mina do Maranhão, é tido como Senhor; bebe, fuma, fala, louva São Benedito e gosta do tambor de Crioula. Verequete é também considerado chefe dos terreiros de Mina do Maranhão, nos quais recebe o título de “TOY AVEREQUETE VONUKÓN, GAL POSSUÉ NO KEJÁ”, que significa: “O Rei de todas as coisas, que entra nas matas”.

Das terras do maranhenses o seu culto e devoção transportaram-se para o Estado do Amazonas junto com mulheres ousadas que trouxeram consigo não somente suas bagagens e lembranças do Maranhão querido, mas também a sua jóia mais valiosa, sua religiosidade — o culto aos Voduns. Como não poderia ser diferente, Toy Averequete também se tornou o principal Vodun reverenciado nestas terras, destacando-se o seu culto no templo de candomblé Terreiro de Santa Bárbara, como era conhecido o Ylê Axé Oyá Tope Messan Orun, no antigo bairro do Seringal Mirim, hoje chamado de João Alfredo.

Em 1991, a tradição em louvor a São Benedito foi resgatada no terreiro de Santa Bárbara e lá permaneceu ao longo de sete anos, sendo progressivamente difundida pela encantada dona Herondina, na coroa de Pai Gilmar Ti Yemonjá, que juntamente com outros encantados, como o Cigano de Pai Ribamar Ti Xangô, o caboclo Rompe Mato do vichê Arnaldo de Nochê Abê, a encantada Dona Mariana de Frank de Oxóssi, o caboclo Tapindaré do saudoso Luzimário Ti Obaluayê, bem como o caboclo Surrupira da querida dona Miracy Ti Ossãe deram continuidade ao culto em louvor ao santo. O novenário transferiu-se da casa de Pai Ribamar para a casa de Pai Gilmar e manteve-se constante em seu caráter religioso até os dias atuais, com seus rituais específicos e toques característicos dos tambores da Mina do Maranhão, em homenagem conjunta ao Vodun Toy Averequete e ao glorioso São Benedito, protetor dos negros e medianeiro constante da Providência Divina.

Na novena, percorre-se diariamente com o santo negro o caminho da misericórdia e vivencia-se um pouco a ternura humana e divina revelada no Cristo, Jesus, e tão bem cultivada por seu humilde servo São Benedito, como pessoa de fé constante e amor infinito.

Amanhã, aqui neste bloguinho, o traslado de São Benedito para a casa de Mãe Vera D’Oxum e Pai James d’Ogum.

●●● YLÊ AXÉ SESU TOYÃN ●●●

(Pai Gilmar, Fômu de Yemonjá)

Rua Bom Jesus, nº 09 — Jorge Teixeira (Manaus-AM)

Telefone: (92) 9176-2290

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