SÁBADO DE ALELUIA NO TERREIRO DE MINA GÊGE-NAGÔ TOY LISSÁ/AGBÊ MANJÁ

Mãe Emília Sab de Aleluia 01 por você.

Clique nas imagens para vê-las de perto.

Como o culto afro Mina Gêge-Nagô cumpre os preceitos da quaresma, a casa ficou fechada para rituais públicos, por isso, somente agora, quarenta dias depois, é que Nochê Hunjaí Emília de Toy Lissá/Agbê Manjá e seus filhos recebem todos os convidados na reabertura da casa com muita alegria e devoção, como se pode perceber na fala de Mãe Emília distribuímos aqui.

Essa festa é uma reabertura da casa. A gente fecha a casa, depois da obrigação da cana verde, por quarenta dias, a Quaresma, todo esse período anterior à semana santa a casa fica fechada. Os vodunços, os orixás são recolhidos. Só ficamos em oração. A gente se guarda e pega as guias, todos os aros são recolhidos. É obrigação ficarem dentro do peji, que é aquele santuário sagrado, onde só tem os vodunços, os orixás, somente coisas sagradas ali dentro. Fica tudo ali dentro e só na Quinta-feira Santa é que se tira, pra lavar, organizar, coloca-se tudo em obrigação, que é pra no Sábado de Aleluia se usar.Só reabre no Sábado de Aleluia. Quinta-feira Santa tem a displantação da cana verde, tem a ceia que a gente faz. Na Sexta-feira Santa tem a procissão, aqueles rituais todos, e só depois de 7h da noite nós começamos a descobrir a casa toda, pra arrumar para a festa do Sábado de Aleluia.

Mãe Emília Sab de Aleluia 02 por você.

Mãe Emília Sab de Aleluia 28 por você.

Mas antes de reabrir a casa, participamos da comunhão realizada pelo compartilhamento do santificado geum, que não pode ser registrada por acontecer dentro do peji.

Antes de tudo tem o geum, que se faz antes de abrir a casa. É uma comunhão que se faz com a comida, com o amalá, com coisas que são do santo. Ali naquela hora, já estão entregues as orações, você faz o seu pedido. Você recebe o furá, que é feito com arroz e outros mistérios que têm, come a farofa de amendoim e bebe o aluá, que é feito de abacaxi, milho, essas coisas.


Após o geum, as guias dos filhos foram entregues conforme os cargos dos filhos, e só então se iniciaram os rituais, mas com as luzes ainda apagadas…

Depois é que começa, com as luzes apagadas, somente com as velas. Quando a gente termina de cantar, que louvou Aleluia, é que se acende a luz, aí vem o clarão. Tem que se cantar para todos os vodunços, para todas as mães. Muitos descem, vem mostrar que eles estão ali.

Mãe Emília Sab de Aleluia 07 por você.



Dom João, que é mensageiro de Lissá, senhor da casa e da coroa de Mãe Emília, foi chamado para tomar conta deste reinicio das atividades. Aleluia, Dom João!

Aleluia! Dom João, olha teus filhos

Olha que o mundo mudou

Vamos dar o joelho à terra

Pra adorar nosso Senhor

Aê, manjedor, rompeu alegria

Vodun raiou

Mãe Emília Sab de Aleluia 10 por você.


Mãe Emília Sab de Aleluia 16 por você.

Pai Dinho, Pai Pequeno, segunda pessoa dentro da casa, que, segundo Mãe Emília foi deitado e preparado desde criança, quando ela andou na Bahia e no Maranhão, por isso demonstra tanto conhecimento e segurança em tomar conta da roda e dos tambores. Com sua cavernosa, potente e melodiosa voz, preenche o terreiro, enquanto as entidades vão chegando e preenchendo-o.

Mãe Emília Sab de Aleluia 12 por você.

Mãe Emília Sab de Aleluia 11 por você.



Finalmente foram liberados os tambores deitados e chamados a baixar os vodunços para o principal rito da noite: o Abieié, “bolos” nas mãos por uma palmatória. Antes de começar o ritual, por fazer parte de uma tradição que não é mais usual e até condenável atualmente, Mãe Emília e Pai Dinho explicaram alguns significados simbólicos desse ritual, o qual também não pudemos registrar por realizar-se no peji.

Mãe Emília Sab de Aleluia 35 por você.


Depois é que se vira para o povo que vem pra levar o Abieié pros seus filhos. O Abieié é a disciplina que os vodunços vêm ao mundo para dar disciplina pros filhos, pra mostrar que eles são pais, são tudo, que a mesma passagem que passou o nosso Senhor todo poderoso, a gente vai ter de fazer também esse ritual todinho. Por isso se canta para todos os vodunços, todos os orixás. Os encantados descem, os pais espirituais descem para dar disciplina pros filhos. Eles mandam os mensageiros vir. Àqueles que não incorporaram, a obrigação é da mãe de santo da casa dar aquele bolinho pra dizer pro filho que ele cumpriu sua disciplina.

Mãe Emília Sab de Aleluia 44 por você.


Ô abieié! Ô abieié!

Ô abieié!, meu vodunço

Abieié!

Mãe Emília Sab de Aleluia 34 por você.


Seu Ubirajara baixou e veio distribuir seus disciplinantes e santificados “bolos” nas mãos dos filhos e até para os convidados.

O Abieié é, na verdade, uma pedra que é preparada durante sete dias e na qual a gente canta para os vodunços. A palmatória também é preparada durante sete dias. É uma tradição muito antiga. Muitas casas não fazem mais isso, mas a gente continua nossa tradição. Eles descem e vão naquela pedra fazer a obrigação que tem que fazer, se o filho errou a vida toda, se está errando, ou se não. Chama-se Tambor de Alegria. Tambor de Alegria porque todo mundo da comemorando a reinação de Cristo de novo. Esse bolo não é só pra disciplinar, é um bolo que espanta qualquer coisa que estiver em cima de você, se você tem uma força contrária ele vai espantar. Tem muito significado.


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E o tambor era realmente de alegria e contagiou a todos, tanto quem estava na roda quanto os convidados, todos regozijados pela beleza e espiritualidade do verdeiro culto Mina Gêge-Nagô. Após o Abieié, Pai Alan, que vem de uma família devotada ao santo (segundo Mãe Emília, sua mãe era mãe de santo, a avó dele era mãe de santo, do tempo da pajelança), fez as homenagens à casa e a todos que ali se encontravam.


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Como já passara da meia noite, então Virou o tambor para dar passagem para dona Maria Légua, filha de dona Légua de Boji Boá, da família Cambinda.

Mãe Emília Sab de Aleluia 42 por você.


Veio ainda seu Zé Pelintra, na cabeça de Pai Alan, e seu Colhe Maneiro, na cabeça de Pai Dinho.


E com dona Légua veio a irmã. Na cabeça de seu Tatá, toda a alegria da melodia empolgante nas rezas e nos volteios da dança de dona Xica Baiana.

Mãe Emília Sab de Aleluia 48 por você.

E assim a festa do Sábado de Aleluia entrou pela madrugada até o raiar da bela manhã do Domingo de Páscoa, com a comunhão de toda a alegria e satisfação de estarem ali no vigor dos cultos afro que, agora, após a Quaresma, seguirão pelo ano a fora…



26 thoughts on “SÁBADO DE ALELUIA NO TERREIRO DE MINA GÊGE-NAGÔ TOY LISSÁ/AGBÊ MANJÁ

  1. a senhora poderia me mandar seu,endereço de sua residencia,eu tambem cultuo,mina nago atraves do meu pai de santo,que a mãe de santo dele se chama diquinha.meu povo e de légua.quero um dia conhecer uma casa, que cultue em são luis e sou muito grato e conhece-lá.tenho casa de santo em joão pessoa -pb.
    vou esperar com muita carinho a sua resposta….

  2. Claudio,
    o Terreiro de Mina Gêge-Nagô Toy Lissá/Agbê Manjá, de Mãe Emília, onde também funciona a sede da Federação de Umbanda e Cultos Afro Brasileiros do Estado do Amazonas (Fucabeam), fica à rua Pintassilgo, nº 100 – Cidade Nova II (Manaus-Am). Se vier a Manaus, com certeza será bem recebido por Mãe Emília, que a todos trata bem com simplicidade, doçura e sabedoria.
    Axé!

    1. Oi gostaria de um numero pra entrar em contado com a senhora.

      fico aguardando ansioso!!
      realmente pelas fotos vi q tem muito axé!

  3. parabens mãe emilia pelo pelissima obrigaçao de, gostaria de saber o endereço do terreiro para uma futura vizita.
    muita luiz muito axe

  4. Mãe Siça, boa noite!
    Não compreendemos se você quer o número de telefone deste bloguinho ou se o de Mãe Emília, por isso disponibilizamos os dois:
    – o nosso: (92)3681-5427 / 9158-0230
    – o de Mãe Emília: (92)9995-3894

  5. Olá gostaria de manter um contato com uma mãe ou um pa ide santo de Tambor de MIna Nagô, pois recebi um terreiro de mina de herança que está fechado e tenho que reabrir, então preciso fazer iniciação

  6. Gostaria de saber , se mãe emilia tem algum filho de santo que tem casa aberta em belé – Pará, ou se ela atende em belém.

    A mina dela e pura e hj em belém ” quase não existe mina pura” a maioria esta misturada.

    E preciso fazer meu santo , mas ainda não encontrei nem uma casa que me agrade aqui em belém.

    1. kkkk vc tá de sacanagem meu amigo! sou de Belém do Pará me criei no amazonas minha mãe e uma mãe de Santo muito respeitada dentro do amazonas e minha mãe era filha de Santo mãe Berenice da Erondina em Bélem,e hj ela é filha de Santo do Pai Edmilson de Oxossi da compensa, eu e meu Pai somos ogã do terreiro da minha mãe toco tambor de mina com o ritmo do pará bem cadenciado ja frequentei varios terreiros de tambor de mina em manaus concordo com vc kuando vc diz que é dificil ter um terreiro de Mina puro! mais te garanto que dentro do amazonas é dificil de encontrar porque misturaram mina com kêtu, e te garanto meu amigo que cada quarteirão que vc andar, meu amigo vc encontra um terreiro de tambor de mina puro em Belém do pará te digo isso porque é a cultura do Pará, e pelo fato de ser Ogã eu sinto a força do tambor e do terreiro em que ando , e dentro do amazonas não sinto tanta força no tambor e na maiorias do terreiro em que ando!

  7. bem gostaria de saber como faço para ser filha de santo em mina gejo,nago,eu acho gue agui no juazeiro no norte nao ha,gostaria de poder um dia abrir um mega terreiro. para os filhos de santo.

  8. Olá, gostaria que alguém me esclareça se existe um oxalufã feminino,pois fui raspado na umbanda omolocô e me disseram que oxalufã era feminino e se chamava lissá.Porém, consultei esse site e descobri que lissá é vodum.Se alguém puder me esclarecer serei muito grato pois sai do terreiro onde fui iniciado e estou procurando outro.Se houver alguma indicação de terreiro de confiança em guarulhhos ou imediações farei uma visita a ele.

  9. kolofé minha velha sou d rio de janeiro e dote minha asa é de vodun sou da roça do ventura seja hunde oriumdo de la bis neto e seu tata fomotinho de oxum e neto do finado zezinho da boa viagen do rio de janeiro gostaria de saber sobre o voun bosojara e o vodun zeri e e de polipogi porque cei que é voun e voces ai o maranhão kolofé benoe me fale deces vodun

  10. somos do maranhao linda a festa todo ano madrinha maria legua faz seu festejo comoça no 24 ate no dia 30 de julho vem mae de santo do piaui e outras regioes.amanheçe o dia quando todos vao ,fica so seus filhos de santo vem todos os legua boji.e daniel pedro seu cisero seu legua terreza todos sao muitos queridos.

  11. eu sou nora quero fazer o orim mais nao acho naçao~
    gege na cidade onde eu moro e e´ minha raiz minha mae foi do gege mais de 40 anos agora ela foi au lo´ e eu estou perdida nao~ quero angola e nen keto como dissia minha mae ojuile gege faz angola mais angola nao faz gege

  12. Boa noite gostaria de saber um pouco do caboclo serra grande sua familia
    suas corres e banzeiro grande sua familia suas corres e fundamentos
    fui iniciado no mina nago meu pais era de alcantra neto do anjo da boca pelada . mais ele cufou moro no rio de janeiro . nao deu para apreder nada
    de encantaria gostaria muito de saber sobre esse encantados
    onbrigado carlos

    1. Meu irmão se você que fundamento vá ao Codó, não é menosprezando, as outras cidades não, eu sou filho da casa de mãe Francisca de Mariano Légua, a qual era situada na Rua da Cruz Nº. 151 bairro João Paulo – MA, Mas no Codó tem muito o que se ver e aprender.

  13. Que bom ver pessoas fazendo/praticando coisas sérias e bonitas !!! Uma forma correta de demostrar a dignidade, espiritualidade e grandiosidade da Doutrina Mina Gêge Nagô. Deus abençoe!!! Vida longa a todos para prosseguir ensinando tão belo ritual. Axé na Graça de Zambi!!!

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