A SECRETÁRIA DA SEMED, TEREZINHA RUIZ, NÃO FOI DEMITIDA

O filósofo Baudrillard diz que todo sistema cria um “princípio de equilíbrio, que se mantém por suas trocas” relativas aos valores, as causalidades, e as finalidades sob regras duais do bem e mal, verdadeiro e falso, o signo e seu referente, e sujeito e objeto. Quando esse princípio de equilíbrio é abalado, ocorre o cataclismo: os homens não sabem como se orientar no mundo. Ou, particularmente, em seu mundo.

Com a cassação do “prefeito” (aspas em virtude da medida cautelar que lhe sustenta) Amazonino pela magna juíza Maria Eunice Torres do Nascimento, aquilo que era para ser um “princípio de equilíbrio” da administração pública municipal, passou a se mostrar como uma cataclismo baudrillardiano. A gestão que teria um equilíbrio legal com suas regras de trocas, tornou-se um “faz de conta”. Cassado em primeira instância, e sob ameaça de a qualquer momento ter a sentença definitiva que lhe afastará de vez do indicativo “prefeito”, Amazonino, não se aventurou a arriscar uma performance administrativa a ponto de seus atos serem tomados como reais.

Em meio a abolição do sistema como “princípio de equilíbrio”, portanto coberto pelo véu da obnubilação do indefinido ameaçante, a sua administração não poderia apresentar a lógica coesa das nomeações democráticas. O que significa dizer, que todos seus secretários, também, encontram-se na ordem do cataclismo, por isso atuam no “faz de conta”. O que leva a população a não ter como designação real quando é anunciado mais uma nomeação, ou mais uma demissão de membros de seu secretariado.

Daí que, como não existe nomeações, não existem demissões. O fato é tão da esfera fragmentária do supra-real, que não dá nem para qualquer secretário adaptar, para si, a frase do ministro da educação, na ditadura, Eduardo Portela, que disse: “Não sou ministro, estou ministro”. Ninguém pode estar (do filósofo alemão, Heidegger) sem que não tenha uma procedência ontológica. O que até os alunos do curso de filosofia da UFAM sabem.

Desta maneira, a eterna secretária de educação do grupão da direita, Terezinha Ruiz, não foi demitida, já que jamais fora admitida.

8 thoughts on “A SECRETÁRIA DA SEMED, TEREZINHA RUIZ, NÃO FOI DEMITIDA

  1. A gestão Ruiz caiu em menos de 100 dias ou seja foi uma passagem tão breve que tem diretor de escola que nomeado e não deu tempo para tomar posse, essa prefeitura está parecendo painel de aeoroporto a cada minuto é atualizado de tão rápida(as nomeações e demissões ocorrem), enquanto isso nas escolas as classe estão ultra-lotadas fazendo a famosa lei da Química ser contrariada pois dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço, com isso causando desconforto para os alunos e professores, e dificultando o aprendizado, só para cumprir estatisticas educacionais.

  2. El Chavo,
    essa é a inércia secular do sistema educacional amazonense, inclusive da Princesinha do Norte. Essa do “painel de aeroporto” foi boa. É com humor que se fragmentam as estruturas do poder constituído.
    Valeu!

  3. … “a famosa lei da Química ser contrariada pois dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço”… Está famosa lei da da Química na realidade é da Física.

  4. tomará q chame os concursados,pois estou esperando há mais de um ano e nada!!fala sério chega de enrolação

  5. Valeu Fernando,
    essa gestão da Ruiz(inha) é quimicamente absurda e fisicamente impossível. Como é que ocupa lugar no espaço o que nunca existiu? Assim como vai ser com quem a suceder, e a tudo que diz respeito à gestão cassada de Amazonino.

    Eraldo,
    aqui no Amazonas, uma das chances que você tem é tentar entrar pelas vias judiciarias, porque aqui concursado é enterrado vivo, vide os “desconcursados da susam”. Qualquer coisa…

  6. QUANDO CHAMARÃO OS CONCURSADOS PARA O CARGO DE PEDAGOGO?
    JÁ FAZ UM ANO E NADA AINDA!!!!! CHEGA DE ENRROLAÇÃO. ENQUANTO ISSO, ESCOLAS FICAM SEM PROFESSORES, SEM MERENDAS E SEM AULAS!!!! ISSO É O UM ABSURDO!!! RIDÍCULO!

  7. MANIFESTO DOS POVOS SEM HISTÓRIA

    Venho através desta manifestar preocupação em relação aos atos praticados contra a nossa História e Geografia do Amazonas pelo então secretário de educação do município Vicente Nogueira.

    Desde o início da sua administração tem tido uma postura autoritária e excludente, o que contraria e muito a posição de educador sério. A revelia da maioria dos profissionais e sem uma consulta aos maiores interessados, que são alunos e professores, o secretário de educação do município resolveu extinguir as disciplinas História e Geografia do Amazonas. O senhor secretário em entrevista a rádio Tiradentes a todo o momento desviou das perguntas sobre o assunto, não dando respostas objetivas e claras. Ele falou em fusão com a História Geral, no entanto, esqueceu de dizer que o tempo é insuficiente para lecionar a própria História Geral, que é muito extensa. Não respondeu também quantos profissionais de História serão demitidos, pois reduzirá a carga horária. São perguntas que o secretário poderia fazer o favor de responder e mais:

    O que temos a esconder? Por que não ensinar Fundamento de História e Geografia do Amazonas?

    A finalidade de discutir e relembrar o passado, de fixar memória, perpassa, dentre outras coisas, pela construção direta da nossa identidade cultural ameríndia, manauara, ribeirinha, cabocla, amazônica…

    Porque não transmitir as novas gerações a energia criativa de homens e mulheres que fizeram do Amazonas o que ele é hoje?

    Como as crianças e jovens poderão saber se não forem ensinados sobre o passado que nos fez o que somos hoje? Como saberão sobre as resistências indígenas a colonização; as transformações políticas e culturais; e sobre a cabanagem, “drogas do sertão”, ciclo da borracha, teatro amazonas…

    Estão podando duas disciplinas escolares fundamentais para a formação do nosso povo em nome de que?

    Será um erro tremendo não disponibilizar nas escolas o acesso às informações importantes sobre Manaus e Amazonas para o desenvolvimento do conhecimento de cada pessoa como cidadão pertencente e ligado ao passado da nossa cidade.

    Não ficaremos inertes, não estamos dopados pelo poder de altos cargos públicos, estamos sim percebendo o que está acontecendo. Um povo sem História é um povo sem memória, sem senso crítico, portanto conformado com sua miséria e não é isso que queremos senhor secretário.

    Se não sabemos os erros cometidos no passado, como não repeti-los?

    Na gestão do excelentíssimo secretário nós professores não podemos mais fazer pós-graduação a nível de mestrado, pois ele fez o “favor” de acabar com o afastamento remunerado. Quem quiser fazer pós tem que pedir demissão ou pedir afastamento não remunerado. Pode uma coisa dessas?

    Creio que existem muitas medidas urgentes na educação municipal e estadual que precisam ser tomadas, por exemplo: compra de livros novos para os alunos, equipar bibliotecas, climatizar salas de aula decentemente (a maioria dos ar condicionados estão velhos e quebrados e na zona rural não tem), informatizar, oferecer de forma regular e com qualidade a merenda escolar, fazer concurso público ou contratar pessoal, pois faltam profissionais administrativos, serviços gerais e merendeiras; trabalhamos sem condições em salas super lotadas, trabalhamos sem materiais didáticos…e não menos importante aumentar o salário péssimo do professor, o menor recebido por um profissional de nível superior no Estado. Até o Maranhão, um dos Estados mais pobres do país deu aos seus professores no ano passado 40% de aumento e paga 50% a mais que o Amazonas que tem o PIB e a economia infinitamente maior.

    O mínimo que o secretário deveria ter feito era abrir o diálogo e sugestões com os profissionais de História e Geografia do Amazonas. Passamos anos elaborando material didático, pois essa era a reclamação anterior.

    Não vamos ficar calados e apáticos presenciando essa “lei da mordaça”. Chamaremos a imprensa, ministério público, ministério da educação, pais e alunos para protestar contra mais esse erro da secretaria municipal de educação. Só assim poderemos construir uma educação mais cidadã, mais participativa, transparente, democrática e fortalecida.

    “A memória do homem enquanto ser-do-mundo se constitui na herança que possibilita dar continuidade à obra humana na História”.

    CARVALHO, 1991,131

    Deus nos ajude

    Profº. Caio Nascimento

  8. Prof Caio,
    publicamos na íntegra o seu manifesto e o enviamos ao MEC.
    Aí o link:
    http://afinsophia.wordpress.com/2010/02/03/manifesto-dos-povos-sem-historia/
    O ideal seria que os professores de História e Geografia fizessem um movimento, conclamendo também alunos e pais contra essa medida estúpida de Vicentão.
    Qualquer coisa, avise-nos com um comentário ou ligue nos números:
    3681-5427 / 9158-0230.
    Valeu pela democratização da inquietação.
    Abraços afinados!

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