O CASTELO DE AREIA DE DE FERNANDO HENRIQUE E O MANEQUIM DASLU DE GILBERTO DIMENSTEIN

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Há uma passagem fascinante num romance de Fitzgerald (o número do esqui aquático), dez páginas de imensa beleza sobre não saber envelhecer… Vocês sabem, os espetáculos que são constrangedores para os próprios espectadores.”

Spinoza, Gilles Deleuze

Nas velhas artimanhas morais ou superstições, a velhice, comumente associada ao eufemismo “terceira idade, melhor idade”, amplamente utilizado em falsos projetos governamentais, deve ser inquestionavelmente respeitada pela cronologia que se lhe acrescenta até a morte, da qual, por uma juventude artificialmente forjada, escapa-se até o inadiável. Para a filosofia, ao contrário, envelhecer é sempre uma meditação sobre a vida (Deleuze), nunca sobre a morte, da qual nada se sabe; sendo esta, portanto, filosoficamente, uma falsa questão. Falsas questões da falseação da velhice de “notáveis” brasileiros, auxiliados pela sequelada Folha de São Paulo, nas duas operações da Polícia Federal Republicana.

A DIMINUIÇÃO DA POTÊNCIA “VELHO”

Como a cena do romance Suave é a Noite, de F. Scott Fitzgerald, a que Deleuze se refere no trecho que colocamos no início destas linhas, quanto mais velho fica Fernando Henrique em mais maus encontros ele se envolve. Pois, no alto dos seus 77 anos, o “principesco dos sociólogos”, diante do democrático acontecimento Operação Castelo de Areia, resolveu sair em defesa da Camargo Correa: “O apoio da Camargo Corrêa, pelo que vi, era legal, não tinha nada de irregular.” E tentou ser sarcástico ao tentar incluir, suspeitosamente, o PT por força do ressentimento, sem um mero indício, entre as siglas constantes na caderneta da empresa: “Terá sido a única empresa grande que não deu dinheiro para o PT. Acho que o PT deve protestar.” Um velho estúpido, a pior imagem que se pode ter da velhice.

SENILIDADE NÃO É QUESTÃO DE IDADE

Não tão, cronologicamente, velho, Gilberto Dimenstein, nos seus ainda 52 anos, querendo-se educador da ignara classe média paulistana, diante da Operação Narciso, formula também a sua falsa questão: “A prisão de Eliana Tranchesi é um espetáculo?” Sensitivo e preocupado com o estado de saúde da dona da Daslu, ele apela para metempsicose, respondendo: “O que pode argumentar é que, se fosse pobre, Eliana não chamaria tanta atenção é verdade. Mas a minha sensação é de que se trata de um espetáculo midiático.” Por estas e outras, não se lhe diga nunca que ainda é jovem, muito menos velho, pois que já é senil.

Assim, estes, a cada mau encontro se deparam com a morte, uma quimera, e nunca poderão nem mesmo ser chamados de velhos rabugentos, o que já seria atingir uma preservação do ser, quanto mais vivenciar a velhice como potência ativa da vida.

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