BYE, BYE, AMAZONAS! A BAND ENTROU EM TEU INTERIOR

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Bié, bié, Brasil! Bye, bye, Brasil, adeus. Tanto faz falar em português ou inglês… Mares de antenas espalhados… Ninguém segura este milagre…”, ironizou o inquieto artista/educador Gonzaguinha, a expansão doutrinária da tecnologia/televisiva alienadora do povo brasileiro. Por sua vez, Cacá Diegues, em seu filme Bye,Bye, Brasil!, com música do não menos artista/educador Chico Buarque, mostrou a violência cultural que as populações do interior do Brasil são submetidas com a força deletéria da televisão. Todo um processo de fragmentação e diluição da cultura natural/original dos nordestinos e nortistas, em benefício da semiótica do sudeste, porta de entrada e disseminação da cultura norte-americana para todo o território nacional. Tudo em nome do progresso pela comunicação. A integração paranóica aberta e fechada.

TE CUIDA COBRA-GRANDE, A BAND CHEGOU!

Em um navio as margens do Rio Negro, o empresário João Carlos Saad, presidente do Grupo Bandeirantes, juntamente com o ex-deputado federal Francisco Garcia, diretor da TV Rio Negro, reprodutora responsável pelo sinal da Rede Bandeirantes em Manaus, mais sua filha, Rebeca, deputada federal, e o prefeito cassado em primeira instância pela magnânima juíza Maria Eunice Torres do Nascimento, Amazonino, entre outros convidados, celebraram, efusivamente, em tom de portentoso acontecimento para a região norte, o início da retransmissão do sinal da Bandeirantes para mais de setenta localidades do interior do Amazonas.

Entre as amenidades que são comuns em momentos como estes, se faltassem não haveria a mágica ritualista do supérfluo que coroa estas cerimônias desrealizantes, palmas para um dos diretores do Grupo Bandeirantes, que comentou ser importante preservar a Amazônia, mas que é preciso desenvolvê-la “economicamente de maneira sustentável”. Imaginemos nós, lesos cabocões, a sustentabilidade do Amazonas amealhado pelos signos linguísticos capitalísticos propagados pela Rede Bandeirantes. Mais palmas, desta vez telúricas, para o comentário midiático do prefeito cassado pela nobre juíza Maria Eunice Torres do Nascimento, Amazonino, que entendo a Bandeirantes como uma forte organização da comunicação brasileira, sentenciou categórico: “Ela vai emprestar para todos nós mais qualidade na comunicação”. E a Globo, não tem qualidade? Te cuida Bonner-Simpson. No fundo, ao microfone, via-se, e ouvia-se, a apresentadora do insípido e patético programa das tardes paulistas-nacionais, Márcia Goldschmidt.

Como a programação do Grupo Bandeirantes é em sua maioria produzida em São Paulo, o que a cobra-grande, o curupira, o boto, a piraíba, o mapinguari, o macaco prego, e outros manos sentirão em suas potências lendárias serão as interferências alienígenas de ruídos agressores aos seus modos de ser. Entretanto, como são originais, é possível que saberão como combater o inimigo. Saberão encarar um Datena, com sua consciência policialesca, um Luciano do Valle, com seu ufanismo meloso, um Canal Livre dominical, com sua trupe de “senhores sensatos”, vociferando contra o governo Lula, e outros ruídos mais.

DA RETRANSMISSORA TV RIO NEGRO

A TV Rio Negro, é daquelas TVs locais que se não fossem as programações importadas, ela se reduziria a um anêmico tele-jornal, e programas de miserabilização popular. Uma espécie de cabo eleitoral-televisivo capaz de eleger “ilustres e inteligentes” representantes da democracia. Como na última eleição, em processo de cassação, o vereador Henrique Oliveira.

Prova incontestável encontra-se nas eleições dos irmãos Souza que anos a fio, usaram seu estúdio para promover a humilhação de parte da população miserabilizada de Manaus, e se tornarem os “paladinos” da justiça de Manaus.

O sucesso foi tamanho que hoje um dos apresentadores do programa, deputado estadual Wallace Souza, está sendo acusado, juntamente com o filho, de ser integrante de um grupo de extermínio, entre outros crimes.

Neste rescaldo de confronto cultural que violenta a cultura amazonense, e ajudará a eleger outros futuros candidatos com votos do interior, o certo é que Gonzaguinha, Cacá Diegues e Chico novamente serão atualizados no interior do Amazonas. Bye, bye, Amazonas!

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