Nos cortes e nas disjunções filosóficas, sempre saltam corpos a serem liberados, ou liberados. Tudo que nós nunca sabemos no que vai se tornar.

Assim insistindo – movimentando-se – certa vez, encontrávamos em um campo de enunciações filosóficas um companheiro que alguns cronos não víamos. Ele se aproximou contente, falante, narrando sua existência sobre o que fez durante o hiato que nós não nos víamos, e entre sua narrativa familial, disse, orgulhoso, que havia casado com uma filósofa.

Depois de algumas enunciações filosóficas saltou um dizer que pode ser extraído, dependendo de quem extrai, da obra filosófica “Metafísica do Amor”, do alemão Schopenhauer, que nos conduz à ordem intelectiva de que só quem conhece os meandros do amor, suas ilusões e certezas, é o filósofo, e só ele poderia ser feliz no casamento, mas os filósofos não casam.

Já em repouso as enunciações filosóficas, o companheiro se aproximou, não mais exuberando alegria, mas em um rosto preocupado, e fez um comentário dizendo que se o filósofo Schopenhaeur estivesse certo ele encontrava-se duplamente em dilema, ou duplamente logrado: sua mulher não era filósofa, ou então não havia casado, já que sua mulher era uma filósofa.

Tentando uma possibilidade de melhor compreensão, percorremos névoas de dizeres que pudessem lhe acalmar, afirmando que quem falara fora um homem, e não uma mulher. Nisto, ela sendo uma filósofa, embora casada, não o tratava como marido. Por isso, entre os dois, só ela, sem ilusão, era feliz

Então, ele sorriu desconfiado, olhou para o teto da sala, e partiu.

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