FRACASSO DO DESEMPENHO DO PÓLO INDUSTRIAL DE MANAUS REFLETE A ESTREITEZA POLÍTICA DOS GOVERNOS

A malversada crise internacional começou a “afetar” o comportamento do PIM. Já são, contabilizadas até agora, mais de seis mil demissões, e outras estão por vir. O governo do estado acena com mais incentivos, além dos que já existem, e apenas isso.

O retraimento no consumo, decorrente da diminuição da oferta de crédito fez com que os insumos produzidos na outrora chamada Zona Franca de Manaus tivessem uma queda no consumo, prejuízo automaticamente repassado para a mão-de-obra, que é demitida. Assim dirão os economistas e profetas da obviedade. Dentre eles os governos, tanto os atuais quanto os anteriores.

A ZFM, ou PIM, sempre foram plataformas de manutenção de empregos. De profissionais do executivo e do legislativo, que se arvoram a ser defensores do modelo econômico aplicado na cidade de Manaus. Arthur ‘5,5%’ Neto, a título de ilustração, em tempos de governo tucano (os oito anos malditos de FHC), semana sim outra também corria a fingir apagar incêndios provocados, não ironicamente, por colegas de partido, principalmente de São Paulo, que pretendiam acabar com os incentivos fiscais dados às empresas multinacionais instaladas no bairro do Distrito Industrial de Manaus. O casal Vanessa e Eron, comunistas da mesa farta, também costumam se aproveitar do rumores de apocalipse social toda vez que a ZFM é ameaçada. O que não acontece há pelo menos seis anos, desde que Lula assumiu.

O que fica evidente, embora não se manifeste através da classe dos economistas ortodoxos é o fato de que estes mesmos profissionais do executivo e legislativo não conseguiram, nas últimas décadas, produzir na cidade um movimento econômico autônomo de outras produções, a fim de eliminar a dependência do atual modelo.

Manaus é considerada a quarta cidade brasileira em termos de PIB. No entanto, o dinheiro, abstrato, referência da patologia do capital, não substitui o objeto em seu valor intrínseco. O trabalho, como produção humana, é a criação de novos modos de existir dentro de um contexto da coletividade. O trabalho engendra a comunalidade, que é a composição desejante num plano da potência e da eticidade. Satisfação e prazer estéticos. Daí uma cidade, num plano democrático, ser um organismo que não separa a atividade econômica da política. E isto para além da mera discussão entre liberais do mercado e reguladores estatais.

Trata-se de saber em que sentido a circulação do dinheiro, a produção do capital, está subordinada a um interesse efetivamente coletivo, e produção desejante de comunalidade. Em Manaus, isto não ocorre. Efetivamente, as empresas instaladas no PIM o fazem no plano da aparência: estão fixadas no terreno do bairro do Distrito Industrial. Mas a contribuição econômica à cidade, quando muito, reduz-se aos empregos que gera. O capital, sem pátria, não transfigura-se em modos de existência coletivos que propiciem o desenvolvimento social e a produção intensiva de seu povo. Modelo, pois, predatório, bem de acordo com os preceitos básicos do modo de produção capitalista, e com todos os seus corolários: miséria, violência, xenofobia, desigualdade, corrupção, entre outras.

Daí os malfadados “ataques” ao PIM tornarem-se um pirão cheio de jabá para os políticos locais, ou ao menos eles crêem nisso. Menos engendrar novas economias, o que a atividade macropolítica destes que aí estão há mais de 30 anos produz é cada vez mais dependência. Esta, que aparece mais evidentemente a cada uma das “crises” do capital, quando o modelo econômico que supostamente deu certo no meio da floresta mostra a que veio: sem uma economia autopoiética, só pode existir um arremedo de cidade. E um arremedo de políticos.

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