A CÂMARA DA GLOBO QUE CAUSA DOR

Na sociedade do sensorial imóvel, a violência que mais atrai reação dos indivíduos é a somática. Uma queda, um hematoma, um tiro, uma facada, um murro, um tapa, um câmara aérea da Globo que cai em cima do público que assiste na Marques de Sapucaí, no desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro, a performance carnavalesca da escola da insigne sambista Beth Carvalho, a grandiosa mangueira.

O cabo quebra, ou eufemisticamente, solta, e a câmara hipnótica em movimento aéreo cai sobre o público quebrando a ilusão televisiva que a existência “é uma janela aberta para o mundo”. Pavores, escoriações, dores, afirmam que a dor é mais real que o psicodélico que a Globo empurra como mercadoria “de primeira necessidade” para o telespectador.

Mas uma câmara caída sobre um público anestesiado, para não dizer alienado, dado a coisificação do termo, não causa tanta dor como causa a violência da programação da Globo. Jornal Nacional, Telenovelas, Faustão, Big Brother, Jô, Fantástico, etc, são mais traumáticos do que uma câmara que cai sobre alguém em função de suas avarias afetivas e cognitivas serem mais indeléveis.

A programação da Globo é mais perigosa que um cabo que se solta e causa a queda de uma câmara sobre o público. Com todo respeito, é claro, a dor física sentida pelos vitimados. Como não morreram, logo, logo, tudo estará cicatrizado. O impossível é cicatrizar os traumatismos causados pela limitação de inteligência da Globo e sua indiferença ética quanto tudo que oferece como mau aos telespectadores que segue a “saúde” do entretenimento de mercado.

As câmaras caem, mas a estupidez continua ilesa.

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