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Para os filósofos Nietzsche/Deleuze, a guerra é o juízo de Deus operando como ação justa do país agressor como credor sobre o devedor. Um ajuste de contas paranóico. Se não pagas não terás o reino eterno. O paraíso.

Os Estados Unidos instituíram, intervindo na histórias de vários povos, a dívida universal, uma espécie de pecado original do capitalismo. Todos lhes devem, por tal eles são os grandes credores planetários. Todos lhes devem. E quando um juízo passa a cobrar, todos os devedores tornam-se submissos às suas leis, valores. O governo Bush invadiu o Iraque, segundo ele, para defender o povo iraquianos contra a violência da ditadura Saddam. Passou a ser a escala mensuradora do que é violência no Iraque.

Nesse tempo de violação da soberania do Estado iraquiano a maior violência que um povo pode sofre de um país intervencionista , os Estados Unidos mataram, torturaram, aleijaram crianças, mulheres, idosos, milhares de inocentes. Semana passada, uma autoridade máxima da força militarista do governo Bush comunicou que neste momento o Iraque vive seu mais baixo grau de violência. Entender: violência para o invasor é a luta dos iraquianos por sua liberdade. Depois dessa autoridade (lembrar o filósofo Bertrand Russel, que afirma ser a autoridade quem age pela razão. Os atos do governo Bush são sempre irracionais) explicar em cadeia de comunicação mundial os seus dados estatísticos porque afirmava da diminuição da violência no Iraque, Bush resolveu fazer uma visita surpresa no país destruído por ele. Foi a Bagdá.

Lá estava ele, no palco próprio para sua encenação tragibufa, com sua cara de quem não era esperado viver no mundo dos homens, tentando desrealizar o real iraquiano em luto com seu delírio de paz celestial. A felicidade tanática, orgulho de seu governo.

E eis que, para sua vista surpresa, emergiu uma surpresa, do meio da platéia, um iraquiano, sobrevivente-moral, lançou-lhe um sapato, não o atingindo. Lançou o outro lado do sapato, novamente não o atingindo. Nas duas sapatadas, Bush se desviou. Teve mais sorte que as torres duas gêmeas que encontravam-se imóveis na inteligência da CIA.

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Lei da física. O sapato tinha número maior que 40. Um sapataço lançado ao ar não se movimenta em força de linha reta. Faz ondulações, o que dificulta atingir um alvo. Fosse uma sapato de criança ou de mulher, tamanho do que seu governo vem matando no Iraque, aí seria mais fácil atingi-lo. Além de quê, os iraquiano ainda não inventaram o sapato-bomba. Se já houvesse um pisante-bomba, de nada teria valido o balançado de Bush.

Mas, como o mundo está comentando, o que importa é que a sapatada mostrou que sua segurança já não é mais tão segura, e que, no momento de seu patético ocaso governamental, um sapato tenta limpar em seu corpo a sujeira que sua patologia derramou sobre o povo iraquiano durante todos estes anos. A poeira assassina.

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