“5º AMAZONAS CINE FESTIVAL”. E O AMAZONAS?

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Poderia ser enunciado: “5º Festival de Cine Amazonas”. Mas “nossos governantes” são por demais inteligentes e poiéticos. Passam a esponja sobre a lousa portuguesa e a semântica, a gramática e a ortografia é des-historizada e o Amazonas é apresentado na “filologia” inglesa. Diriam os que nutrem “inveja de nós”: “Coisa de cabocão”. Ou: “Coisa de provinciano”. Marcas do afeto da auto-insignificância.

NOSSOS POIÉTICOS/INTELECTOS GOVERNANTES

Que existam invejosos ou não, o Amazonas nunca teve, em sua história, um governante que sentisse e entendesse além do óbvio, do óbvio do outro, modelo a ser seguido. No começo era o Rio de Janeiro, a consciência colonizada se fez carne e habitou entre nós em imagens “Copacabana, princesinha do mar”, Terezinha Morango, Tiago de Mello, Nino Gato, Márcio Souza, Paçoca, Berg, etc. Agora, vale tudo que possa servir de marketing fantasmagorizante como deslusão de reconhecimento. Para quem sabe distinguir filme de cinema, para os gregos, Kinema, imagem em movimento, coisa dos filósofos Heráclito, Demócrito, Lucrécio, Bergson, etc, o evento propagandístico é de causar frouxos risos. Saltam imóveis fotogramas rançosos do nostálgico glamour parisiense da classe média manauara que teima em acreditar que a sua Manaus é cinemasófica.

Mas o real do virtual-marketista é nenhuma possibilidade de distinguir que no filme, substância química, qualquer elemento físico, principalmente a luz, pode imprimir ilusórios corpos, que, projetados por um aparelho com lentes atravessadas por rolos de fitas com auxílio da luz, cria a ilusão do movimento aquela piscadela em um milionésimo de segundo , adesivada pelos “míopes” de cinema. Nada que corresponda ao cinema: a arte dos devires. Como diz o filósofo Deleuze: o plano ótico-sonoro. A filosofia cria conceitos; o cinema, imagens. E Jean Luc-Godard: “A vida se reproduzindo 24 quadros por segundo.” Ou: “Uma batida do coração”.

O “Amazon Fest de cinema” sempre foi de filme. Sempre contou com as presenças dos Alan Parkers, sempre teve “Expresso da Meia Noite”. Claude Lelouch, “Um Homem e Uma Mulher”. Batgirl, tudo que possa ser globalizantemente doméstico e cosmético, o hedonismo artrósico.

ZONA FRANCA MEU AMOR APRESENTA: DVD’s CONFIDENTES

Como diria qualquer vídeo-dolente, se está valendo tudo nesse Cine Fest para chamar a atenção do exterior sobre o que se faz no Amazonas em alusão ao seu cine-imagem, fora da tentativa do governo do estado em querer ser reconhecido como cine-estético, o que não é, pois não consegue produzir uma estética política governante, seria interessante que fosse exibido no badalado tapete vermelho das generosas autoridades os DVD’s de Dona Renata: “As Metamorfoses de Dona Renata” (rodado com a técnica cinamatográfica do Plano Fixo). Aí o Fest-Filme borbulhava. Não seria cinema, é verdade esse Amazonas jamais dará cinema , mas pelo menos seria mostrada para o mundo a tecnologia de ponta da Zona Franca de Manaus: a mãe dos CD’s e DVD’s. Assim, olhos outros mirariam para o Amazonas e aumentariam os investimentos. E com tanta demanda de criatividade, quem sabe logo seja lançado o “1º Manaus Cine Festival Ação Conjunta”. Os cinegráficos: governador e prefeito.

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