O SENTIDO DO VOTO-OPOSIÇÃO PARA A DIREITA MANAUARA

0

Como o signo maior da direita é o impulso: a reação sem reflexão. Um efeito, nunca causa, conseqüência e não princípio, ela não sabe que a palavra posição significa, no grego, tese. E toda tese é um novo conhecimento, ou novo enunciado, colocado no mundo, alterando a síntese constituída do mundo que antes da tese predominava. Enquanto que oposição é uma outra tese que se opõe à anterior: um novo.

Em política eleitoral, seria uma tese nova de um partido contrária à dominante do partido que se encontra no poder. Como se observa, na eleição para prefeito em Manaus (bem provável, em muitas cidades do Brasil), a candidatura que se coloca adversária da atual, que concorre à reeleição, não apresenta nenhuma tese, nada que se mostre como possibilidade de alteração do que já está constituído no quadro da cidade. Nem conteúdo e nem expressão projetam o novo. Só o já visto e sabido pelo manauara.

É assim que, desconhecendo o que significa tese, que o vereador, cabo eleitoral do candidato da direita tradicional, Amazonino (PTB), Di Carli, emite, ilógica, opinião (do grego, doxa-individual) afirmando que a vitória do ex-governador é certa porque o eleitor de Manaus vota na oposição. Afirmando que a candidatura de seu amigo é oposição. Para completar, ilustra, sentenciando que assim foi na eleição passada quando Serafim foi eleito prefeito, concorrendo contra as duas máquinas governamentais: do estado e do município. Na verdade, a junção da direita composta do governador Eduardo Braga, Amazonino, candidato, e muitos direitistas. E completa que agora Amazonino, como oposição, está lutando contra a máquina do município, Serafim, e do estado. Blefe. Embora Eduardo Braga não afirme apoio a Amazonino, seu curriculum eleitoral conta mais: é da direita. E mais, seu candidato Omar, derrotado no primeiro turno, foi o primeiro a alardear seu apoio ao representante maior da direitaça.

O VOTO DA OPOSIÇÃO EM MANAUS

O voto da oposição em Manaus, ao contrário do que imagina Di Carli, é a manifestação de todos os seguimentos econômicos, sociais e intelectuais que vêm fazendo a leitura da imagem urbana construída por grupos demagógicos que se revezam nos governos, às avessas dos quereres desses cidadãos manauaras.

Portanto, é um voto racional, saído do exame feito sobre a triste condição ontológica que aqueles impuseram à estética de Manaus. É um voto que sai de todos os quadrantes da cidade. Do centro e dos bairros, sejam os tradicionais e os mais pobres. Todos tecendo a cartografia da tese. A oposição. O novo. A Potência Popular.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.