A MORAL ELEITORAL DA IMPRENSA MANAUARA

O filósofo Nietzsche, em um dos seus axiomas, diz que “a moralidade não é outra coisa (e, portanto, não mais) do que obediência a costumes, não importa quais sejam: mas costumes são a maneira tradicional de agir e avaliar”. E, para explicar como se faz o tradicional, ele afirma ser uma ordem que sai de uma autoridade “que se obedece não porque ordena o que nos é útil, mas porque ordena”. Ou seja, nesse caso, toda obediência é uma subserviência por medo originada na superstição.

Eis o medo de independência jornalística que domina a imprensa de Manaus. Eis porque ela sempre se encontra arrolada nos quereres dos governantes. Por isso, é comum, em determinado momento, encontrarmos periódicos fazendo proselitismos a um governo e depois estes mesmos periódicos se posicionando como adversários deste governo, e nada por um engajamento racional/profissional, mas um envolvimento de mercado. A tradição maior: o lucro.

A IMPRENSA EM TEMPO DE ELEIÇÃO

Esse tipo de posicionamento retrógrado se mostra em grande nitidez em tempo de eleição, quando jornais passam a tomar partido dos partidos de determinados candidatos, quase sempre candidatos da direita, que eles acreditam sairão vitoriosos do pleito e, então, serem contemplados com alguma graça pecuniária.

Aí se mostra o axioma de Nietzsche. Como já se tornou tradição histórica em Manaus, o costume de comprometimento com governantes segue em frente. Nenhuma suspeita sobre como esse discurso se fez e se tornou costume inquestionável, em detrimento ao público, que pretende o jornalismo como educação cívica. Desta forma, o dever da imprensa esvanece o que é útil para a sociedade.

A MORAL E A ONISCIÊNCIA DA IMPRENSA

Não bastasse esse conluio com os governos, a imprensa também se toma como detentora de um poder cognitivo capaz de enunciar, “acima de qualquer suspeita”, sentenças, juízos de valores, endereçados à população, sobre acontecimentos que não tocam na sociedade, por não serem de sua autoria. Mas que ela, crente deste poder social, tem por certo esta função jornalística.

A posição do jornal A Crítica, no caso do DVD exibido pela senhora Renata, ex-esposa do senhor Nei Barros, acusado por ela de ser sócio do governador Eduardo Braga, segundo ela, chefe da quadrilha com quem realiza várias transações escusas, e também a respeito de um “dossiê” exposto na internet, trazendo como conteúdo fatos comprometedores das vidas dos candidatos e não candidatos da direita, expõe este quadro megalômano da imprensa.

Em sua edição do dia 24, publicando o fato já entregue à Procuradoria Geral da República, pelo senador Arthur Neto, o jornal afirma que acabou a campanha eleitoral limpa. Agora passou a prevalecer a “baixaria” (gíria produzida pela TV-Alienadora). Triste reducionismo. Esta sentença do jornal joga também na vala comum candidatos que nada tem a ver com os fatos produzidos pela escabrosa direita. Os candidatos Serafim, Praciano, Ricardo Bessa e Navarro não são personagens da dança maldita que o jornal sentencia. O fato é próprio de “políticos” e coadjuvantes que compõem e sustentam a subjetividade da dor do sistema capitalista, que durante mais de trinta anos domina o Amazonas parlamentar e executivo entrelaçados com imprensa sem voz ativa/racional.

Por tal, a honradez, a honestidade, a responsabilidade, e acima de tudo o respeito com o público-eleitor continua sendo o comprometimento dos quatro candidatos que não fazem parte do discurso sórdido da direita anti-democrática.

Felizmente o jornal não é proprietário dos saberes e desejos democráticos da população, que sabe agir e avaliar fora das ordens tradicionais dos costumes da autoridade oculta: a voz paranóica.

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