O senso comum da sociologia, fincado na crença que o mundo é real e imóvel, e não evanescente, afirma que nenhum empresário das comunicações tem ideologia. Errando, ela acerta, não só quanto a esse tipo de empresário, mas também a todos. Não existe ideologia, o que existe é uma subjetividade capitalística produzida pelas forças dos corpos materiais e imateriais das instâncias semiótica e econômica que moldam as larguras, as profundidades e as alturas dos espíritos daqueles por ela capturada e se fazem seus reprodutores de forças molares. No dito presente: o capitalismo de mercado. Como nas décadas de 30 e 40, o nazi/fascismo. Assim, ao contrário do conceito nadificado de ideologia da sociologia, a subjetividade carrega corpos que estão constantemente emaranhados, em luta, para emergir como indicador de realidades.

Esta a subjetividade que captura e mantém os Frias da Folha de São Paulo, os Marinhos do Globo, os Mesquitas do Estadão, os Civita das Vejas, e outros pelo universo capitalístico a fora. Todos com o mesmo propósito da subjetividade reacionária: o lucro. Mesmo que a mentira e a intriga, valores negados pelo jornalismo, sejam usadas para este fim. Nisso, infere-se que não existe jornalista ingênuo quanto à orientação editorial de seus proprietários. Toda matéria produzida segue esta mesma ordem: o lucro. Nada de contradizer Brecht: Primeiro a moral, depois a barriga. E sim o lema burguês: “Primeiro a barriga, depois a moral”. Acrescentando-se que se por força for preciso a moral. A empresa de uma empresa de comunicação é de comunicar a informação com o lucro como objetivo precípuo, mesmo, como diz o filósofo Baudrillard, que já não exista mais informação.

O PATRÃO INVESTIGADOR DO JORNALISTA

Na subjetividade jornalista de mercado, o conceito que mais os proprietários e muitos jornalistas(?) recorrem é censura. Outros conceitos, próprios do jornalismo disciplina cívica, como ética, honradez, criatividade, imparcialidade, democracia, são confinados no inconsciente da empresa para não emergirem e conturbarem o lucro empresarial. É que censura, para eles, é todo ato de dignidade jornalística que possa perturbar o leito calmo da violência comunicacional que exercem. Daí que quando um leitor, ou mesmo um jornalista, estes raros, produzem um exame realista da atitude destas empresas, estes personagens logo recorrem ao conceito censura em suas defesas. Principalmente os que nunca se envolveram em lutas pelas liberdades. E ainda citam a ditadura militar.

Aqui, em Manaus, uma destas empresas recorreu duas vezes aos poderes patronais da censura para censurar o jornalista Mário Adolfo. Um dos proprietários da empresa, com notória relação com o poder estadual atual, passou a alterar o texto da coluna política do jornalista. Diga-se que Mário Adolfo é um jornalista com muito tempo de serviço na imprensa amazonense. O que não contou para o ato prepotente do censor.

Segundo informação do jornalista censurado, ele começou a perceber que seus textos estavam sendo alterados porque apareciam publicados com sinais tendentes ao candidato da empresa, Omar, vice do governador Eduardo Braga, e revelando faces tendenciosas contra os candidatos oposicionistas Praciano (PT) e Serafim (PSB), que, segundo o jornalista, não os têm como candidatos contrários a sua opinião política.

Então, com seus textos censurados, o jornalista tomou a decisão mais democrática possível: pediu demissão da empresa censora. O que foi apoiado por membros da categoria, que vêem nos envolvimentos da imprensa local com grupos políticos reacionários da direita um obstáculo à realização do jornalismo como uma profissão ontologicamente ética.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.