Se a Vertebral não analisou nada se realizou

# Se o filósofo francês Baudrillard estivesse vivo, diante da virtualidade apresentada pela ABERTURA DAS OLIMPÍADAS, talvez ele exclamasse: “Agora O Crime Perfeito afirma seu absoluto real: a transparência virtual engoliu de vez todos – atletas e público!”. Escafudeu-se o mundo comigo, contigo e com o Raimundo. A ironia paródica maior do espetáculo, é que se a China não conseguiu realizar a revolução comunista permanente, realizou o comunismo-virtual destroçando a superioridade tecnológica de seu maior inimigo: os Estados Unidos. Os norte-americanos ficaram embasbacados no mundo sem dualidade, sem alteridade do grande Big-Brother chinês. Eles por essa não esperavam. Eles que, depois de Matrix, acreditaram ter dissipado o mundo real e mandado as favas as percepções e as cognições, foram também transformados em vítimas e carrascos do Crime Perfeito das Olimpíadas chinesas. Agora, é a predominância da ordem do vazio único, a transparência onde ninguém vê mais ninguém, e também não é visto. O Oriente se confundiu com o Ocidente. A terra desapareceu, e com ela todos nós, até o mestre Galileu. Se tomando a virtualidade como dissipação do real, Baudrillard afirmou que a Guerra do Golfo não existiu, imaginemos com as Olimpíadas da China o que diria. Talvez: “As Olimpíadas que não existiram!” Inferimos, então, que assim, acabou a era das Olimpíadas. “Atletas, procurem outros pódios para subirem!” Até eu estou duvidando da segundona real com seu TDPM – Transtorno Disfórico Pré Menstrual.

# Depois de ler a ENTREVISTA COM O CANDIDATO A PREFEITO AMAZONINO, ex-prefeito biônico de Manaus, ex-três vezes governador do Amazonas e uma vez senador, sem exercer, a filósofa Filó se pôs a examinar a afirmativa em que ele diz: “Agora as pessoas não me conhecem, elas conhecem o ‘Negão’, o verdadeiro Amazonino é um intelectual”. A sentença personalista jogou Filó em duas vertentes: uma perceptiva-política e a outra epistemológica. A primeira um marketing populista, “Negão”, afirma um erro perceptivo que se impôs como verdadeiro: Amazonino, não chega a ser nem cafuso, quanto mais negro. Falsa percepção que a psicologia afirma ser um objeto inexistente, tomado como real. Mas Filó deixou de lado a prótese étnica. Que o Movimento Negro acione seus direitos de cor. Já basta a usurpação de cor realizada por Michel Jackson. O que tocou Filó foi o epistemológico, intelectual. Aí ela partiu para destrinchar o despiste lingüístico-racional.

Amazonino estabelece uma duplicidade inexistente quanto ao termo intelectual e sua função. Intelectual todos somos. O intelecto é uma das faculdades da razão que opera como agente do conhecimento e orientador do homem no mundo. Como criador e concatenador de signos capazes de indicar as relações dele como ser atuante. Até um analfabeto é um intelectual. Entretanto, a palavra, com o emergência do intelectual burguês, no século XIX, passou a ser uma “charme” de classe que se dizia pensante das causas e dos efeitos sociais que o proletariado não alcançava, principalmente o operariado. Ou seja, o intelectual-burguês se considerava o marxista desbravador da liberdade do proletariado. Babaquice que Freud explicava como Complexo de Culpa de Classe. Como que alguém que não liberta seus afetos aprisionados pode pensar o outro e o libertar? Exibicionismo que os filósofos Sartre e Foucault mostraram ser a doença infantil do egoísmo. Todo intelectual burguês é um insuportável narcisista. Daí não ser necessária para o crescimento do socialismo, mas sim o próprio operário. Como mostra o conceito de operarismo do filósofo Toni Negri, onde o trabalhador como intelectual entende a cientificidade pós moderna e sua ação nos meios de produção, idéias saídas do pensamento do filósofo Gramsci.

A duplicidade intelectual de Amazonino nos leva a perguntar: como ele conseguiu durante suas gestões afastar o intelectual e fazer prevalecer o “Negão”, que segundo se infere de sua afirmativa, não é intelectual? Será por isso que suas administrações foram decepcionantes? Sendo verdade, e se ele fosse uma real negro, seria discriminação: “Negão” não tem intelecto? Alguém poderia, exclamar: “Deus nos protegeu, o governador não tinha intelecto”.

Piora sua tese da duplicidade quando afirma ser marxista. Como já foi provado que o marxismo é um método político/social de grande eficácia para construir uma sociedade justa, e introduzir o homem na história, e estando ele tantos anos nos governos, porque não concebeu no Amazonas os traços de uma realidade socialista capaz de colocar essa sociedade, pelo menos, na era moderna, já que ainda não saímos da idade média? Filó gargalhava com o intelectual marxista de Amazonino que anda lendo São Francisco. E finalizou, perguntando: “Em quem o povo deve votar? No ‘Negão’, ou no intelectual? Se for no ‘Negão’, corre o perigo de erro de gestão por falta do intelecto. E se votar no intelectual corre um perigo maior de não contar com o ‘povo’ em seu governo. E governo sem povo não é democracia, e sim, tirania”. É filó, com suas afirmativas vaidosas o Amazonino deixa transparecer que sempre foi seu próprio problema político.

Quem pode toque!

Olimpicamente eu quero rock!

Beijos e Abraços Vertebrais!

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.