!!!!! O MUNDO É GAY !!!!!

A DISCRIMINAÇÃO COMO IDÉIA-SUPERSTIÇÃO

No Amazonas, nativos – chamados índios – da etnia Ticuna são discriminados por serem gays. São chamados de “meia coisa” e outros nomes pejorativos, além de sofrerem agressões físicas. Segundo o antropólogo Darcy Ribeiro, há registro de comportamento homoerótico entre os chamados índios desde o século XIX.

Qual é o corpo/corporeidade dos chamados indígenas? Em que sentido ainda é possível compreendê-los como etnicamente “diversos”? Com cinco séculos de exploração, desde os jesuítas, ainda se pode falar em um povo sem contaminação pelos signos do chamado homem branco?

No cinema Aguirre – A Cólera dos Deuses, do alemão Werner Herzog, quando nativos e europeus se encontram pela primeira vez, o conquistador espanhol mostra uma pequena bíblia ao nativo, que a examina visualmente e joga no chão. Antes da bíblia tocar a madeira da jangada, porém, é o corpo do chamado índio que cai no chão, assassinado com um golpe de espada.

Haviam, entre índios e brancos, naqueles tempos, diferênças no modo de ver o mundo irreconciliáveis. Hoje em dia, o que ainda persiste é uma pálida ilusão de que é possível manter esses povos com a sua cultura intacta. Qual indígena não sente a imobilidade decorrente do esfacelamento da relação naturante-naturada que o ligava ao seu território? Por que há tantos suicídios, alcoolismo e violência entre eles? Há diferença no modo de sintomatizar a existência no modo de produção capitalístico entre índios e brancos?

Para a lógica do capital, a discriminação não é necessária: todos são consumidores. Não há mais exclusão, como querem as pastorais e muitos dos movimentos sociais que ainda estão no início do século XX. Daí o espanto pseudo-antropológico com as manifestações de discriminação entre os indígenas. Para o moralismo burguês, que estabelece um sistema de julgamento onde o “certo” é sempre o emissor da sentença, é uma festa (do ressentimento). É um cheio e dois derramando…

A discriminação é fruto de um conhecimento errôneo, de um olhar para o mundo ainda despido da faculdade da razão. Vê-se o negro, o branco, o amarelo, o azul. Sente-se o doce, o salgado, o amargo, o azedo. Acredita-se na percepção imediata. Há gostos, há cores. Há também exploração e um mundo onde alguns são mais iguais que os outros. Cenário preparado para os equívocos da percepção xuxeada. Ou melhor seria dizer Kakazada?

Pela razão, existem outras perspectivas, análise, produção de saberes e dizeres, e não julgamento a partir de algo impreciso, inexistente. A discriminação é produto da superstição, que nada mais é do que acreditar nas coisas de imediato, sem o uso da faculdade da razão. Contra essa doença social, só o conhecimento, o saber não engessado pelo academicismo, mas potente pela alegria de ser carregado por bons encontros.

Ui! E agora vamos ver outros sopros gayzísticos (ou não) que passaram no nosso Mundico!

Φ CARTA MAGNA DO EQUADOR IGUALA UNIÕES CIVIS. Todos os jornais brasileiros deram destaque aos poderes do poder executivo indicados na nova constituição equatoriana, como se o poder executivo do país se reduzisse a Rafa Corrêa. No entanto, a inteligência LGBT imediatamente perguntaria: como pode ser centralista uma constituição que teve ampla discussão e partipação dos grupos sociais? Fato é que na nova constituição não há diferenças entre uniões civis hetero e homoeróticas. Os direitos são iguais, justamente pelo entendimento de que a diversidade não deve ser uma imposição ideológica, mas uma linha intensiva desejante. Que o diga María Soledad Vela, do Acuerda País, e que luta pela emancipação afetiva-afetante das mulheres. Na terra onde a maioria é de nativos – os chamados indígenas – a última década foi de convulsões sociais e três presidentes depostos. No entanto, em matéria de avanços nas política públicas LGBT, o Equador deu show na maior parte dos chamados países democráticos. Vamos à la playa, bombom? Sentiu a brisa, Neném?

Φ NESTA ELEIÇÃO NÃO SEJA OTÁRIO. VOTE EM CANDIDATO QUE SAIU DO ARMÁRIO. Semana passada foi a campanha para que as entidades LGBT apresentassem aos candidatos a pauta de reivindicação do segmento. Esta semana, o site Mix Brasil, em parceria com a ABGLT lançou a lista de candidatos assumidamente homoeróticos, para que o eleitor possa saber quem é quem no jogo da bicha. De qualquer forma, não adianta votar no candidato apenas porque ele é simpático às políticas LGBT. Por acaso o mundo – que é gay – se reduz aos LGBT´s? De nada adianta aprovar a lei anti-homofobia se não tiver água na torneira ou se o transporte coletivo urbano for uma imobilidade, não é? Portanto, meninas, pensem bem, e sigam a máxima da campanha espinosista de combate ao mau candidato deste Bloguinho. A lista ainda é provisória, e não tem nenhum gay manoniquim candidato – assumido, pelo menos, nenhum! – mas você pode dar uma olhada nela por aqui. Por que tu não te candidatas, Gegê? Sentiu a brisa, Neném?

Φ SARGENTO LACI FINALMENTE EM LIBERDADE. Desta vez o ministro Gilmar Mendes acertou: de tantos habeas corpus distribuídos com “facilidades” por aí, ele também deu um ao sargento Laci, que apelou ao STF depois de ter recurso negado no STM. Acontece que, ao menos com Laci, o ministro acertou. Preso desde o dia 04 de junho, Laci, além de sofrer violência institucional e psicológica na prisão, não oferece riscos, portanto deve, por lei federal, aguardar seu julgamento em liberdade. Mas o episódio dos sargentos não termina aqui. Primeiro, porque o processo continuará correndo na justiça, e Laci pode ser condenado por deserção. Além disso, Laci foi vítima de uma violência institucional, o que cabe, além de processo, uma discussão pra além do lugar-comum sobre as forças armadas e sua relação (ou não-relação) com a população. Houveram realmente avanços no trio da defesa nacional, da ditadura para cá? Tudo indica que não… Sentiu a brisa, Neném?

Beijucas, até a próxima, e lembrem-se, menin@s:

FAÇA O MUNDO GAY!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.