O CONSENSO DAS COLIGAÇÕES DA DIREITA

A filósofa francesa Barbara Cassin, em seus estudos sobre a democracia grega como devir, e não coma idéia, mostra que a pluralidade dos semelhantes só se torna uma realidade social através da práxis do conceito-articulação: o consenso. Para a filósofa, o consenso como conceito-articulação democrático coordena-se em três domínios: o lógico (o logos como linguagem dialógica), ético (como consentimento das partes em presença) e o político (obter a concórdia). Articulados como práxis capazes de manifestar o consenso da homologia, identidade do discurso, e da homónoia, identidade do pensamento, fundam o corpus constitutivo da democracia. De forma que, o consenso sendo um conceito-articulação nas pluralidades do diálogo e do pensamento, manifesta-se como um processual contínuo de atualizações de significados sociais, defende a democracia contra o perigo de sua usurpação pela tirania, que, em sua força entrópica, elimina o lógico, o ético e o político da homologia e da homónoia.

AS COLIGAÇÕES DA DIREITA

Como a democracia é uma pluralidade constitutiva, sempre em movimento em função de sua potência política/ética/estética criadora, atualizada como Bem Social, infere-se que os corpus desprovidos desta pluralidade constitutiva, sua potência criadora, não podem aspirar à democracia. Desta forma, acredita-se que os partidos de direita, cujos corpus expressam a democracia como idéia, a abstração da política, não carregam o consenso como conceito-articulação, mas tão somente o entendimento imóvel de suas paixões reacionárias. Assim, em tempo de eleição, as coligações destes partidos, não vão além dos minutos somados nos meios de comunicação para suas propagandas já tão conhecidas dos eleitores, pois o lógico, o ético e o político, não se encontram inclusos em seus discursos provenientes de suas práticas entrópicas anteriores. Tanto faz um destes candidatos concorrer apenas por seu partido, como concorrer por dois, três, quatro, quantos forem, a democracia, como sociedade dos amigos, não se faz real.

No caso de Manaus, esta entropia-política é bem visível nos partidos de direita, recheados com parte da “esquerda”. Nisso torna-se grotescamente cômico a encenação bufa, neste pleito, destes partidos se contorcendo para se mostrarem diferentes de seus iguais. Saltam aos olhos e aos ouvidos suas identificações. Nenhum mínimo sinal de antagonismo. Tudo muito bem harmônico. Harmônico, como é no “presente-passado”, o grupo dominante dos semelhantes por seus próprios interesses. Daí que quando se puxa um fio das acusações de atos contra as políticas públicas, sempre contrai vários. Como permanecem na mesma entropia política, seus programas de governos se assemelham até na linguagem, sem contar em seus objetivos. Entrevistados, o que um fala é o eco do que os outros parceiros já emitiram.

Sendo assim, assistindo harmonia dos iguais na encenação bufa, restou ao eleitor-ator da cena democrática suas gargalhadas sobre as sofríveis performances que não lhe empatizam.

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