O CRUZADO DE DIREITA DO PSDB CONTRA A GLOBO

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Há homens cujo processual contínuo do existir é tecer a democracia como devir político/estético/ético. Há homens cujo existir é circular na área periférica do centro imóvel/molar do medo da vida, estes não são democratas. Entretanto, são esses reativos que mais trombeteiam o nome democracia, exaurindo a potência de seu conceito-criador em benefício da roda vazia da nominalização-simulante.

Ontem, com respingos ainda hoje, o Senado serviu de palco para essa performance nominalística-simulante da democracia. O PSDB, com seus acólitos-gerais, resolveu ressonar a enunciação palavra de ordem imóvel do ministro Gilmar Mendes, que em suas “espetacularizações” midiáticas, além da ordem de suas funções jurídicas constitucionais, afirmou que a prisão de Daniel Dantas pela Polícia Federal não precisava de tal “espetacularização”. Afetado por tal paixão (para o filósofo Spinoza: idéia má) o partido resolveu usar seu melhor golpe na luta contra a democracia: o cruzado de direita. Com uma técnica bem treinada durante todos estes anos de esculacho contra a segurança democrática nacional, ele se posicionou no ringue para defender dois flancos. Um, a criatura criada em seu governo: Daniel Dantas. Dois, afirmar o significante-circular palavra de ordem bem enunciado por uma autoridade com cargo constitucional, o que para o partido representava estar junto da opinião pública que acredita na infalibilidade das autoridades constituídas. Tudo imaginação.

O certo é que no destrambelhamento senatorial valeu de tudo. Rasteira, golpe na boca do estômago, cotovelada, rabo de arraia, etc, tudo para ajuizar que a Polícia Republicana abusou de seu poder constitucional ao algemar o bando do ‘Orelhudo’ Daniel Dantas. No meio da “espetacularização” senatorial, valeu até falar de mãe. O irremovível “democrata” Arthur“5,5%”Neto afirmou, “indignado”, que tudo que estava acontecendo era um perigo para democracia (dele), coisa de ditadura (dele). Alusão de que a Polícia Federal é a Polícia Política de Lula. Resposta ao pronunciamento do senador Pedro Simon, que discursou em defesa da PF argumentando, porque eles, a direita, não se pronunciavam no senado com tanta ênfase contra a polícia quando ela prendia, amarrava e exibia os pobres diante da mídia. Para enfatizar mais sua “indignação”, “o orgulho do Amazonas” recorreu à imagem-materna na ditadura. Afirmou que sua mãe havia sido perseguida pelas ruas de Manaus. O que nos conduziu a uma pergunta-filial: se sua nobre mãezinha estava sendo perseguida pela ditadura, onde andava o bom filhinho, que hoje evoca a mãezinha como uma heroína para ecoar a palavra de ordem do seu amigo ministro, que não foi protegê-la contra os horrores do arbítrio? Arthurzinho não pode responder. Estava nas praias de Rio. O glamouroso sul maravilha. E nos parece que quando Arthut“5,5%”Neto se encontra fora de Manaus, a cidade desaparece. Aí ele pode mirabolar mil fantasias mirabolantes sob efeito lendário das Amazonas.

O CRUZADO NA GLOBO

No afã tresloucado de ecolaliar seu ministro, a direita esqueceu que se colocava contra a sua mater midiática: a Globo. A quem estão ligados siamescamente na conspiração paranóica contra o governo Lula. Não percebeu que entrou na zona do “fogo-amigo”. A zona que a psicodélica deusa decadente atua e engole seus frangos imagéticos. Por isso, foi a mídia quem mais abusou da “espetacularização” das prisões. Que o diga o bom discípulo do mestre Maluf, Pitta. O afã tresloucado foi tamanho que nem percebeu que a adversária, mesmo abusando das prisões, já estava em nocaute. Não faturou nada com a prisão do ‘Orelhudo’. De tanto escamotear, esconder, durante todos estes anos notícias sobre a corrupção praticada pelo bando do protegido de Fernando Henrique, foi vítima de sua própria trapaça televisiva. Quando mostrou a prisão do mais ousado crápula da história do Brasil, seus telespectadores não o conheciam. E não o conhecendo, não puderam realizar o feed back: o que mantém a emissora como a maior produtora de alienação nacional. Diria o filósofo Baudrillard: o mesmo do mesmo passou de um terminal a outro terminal, sem alteridade. Daí o diálogo de duas senhoras:

Uma — A Polícia Federal prendeu um homem muito rico.

A outra — Quem foi?

A primeira: — Não sei.

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