PSB E PCdoB, O MAU DAS ALIANÇAS

O filósofo Spinoza, século XVII, foi o primeiro a afirmar que a democracia não é uma idéia, mais representação mental que produção racional, como imagina a democracia representativa cunhada no conceito de política no século XIX, mas sim um afeto comunalidade, um devir social. Bons encontros que aumentam a potência de agir de todos materializada no Bem Comum resguardado no Direito Civil produzido pelo encontro coletivo de todas as potências dos homens como liberdade comprometida em sua singularidade. A sociedade alegre. Uma produção constitutiva contínua de afetos bons, corpos materiais e imateriais. Ao contrário dos encontros maus, que diminuem a potência de agir social, suporte da sociedade triste.

SPINOZA EM MANAUS

Comentou-se, e comenta-se, que uma possível aliança do PCdoB, do casal Eron/Vanessa, com o PSB, de Serafim, está pendente à aliança do PSB, Rio de Janeiro, com o PCdoB de sua prefeiturável Jandira Feghali. O PSB-Rio só faz aliança se o PCdoB-Am aliançar com o PSB-Serafim. Deixando o triste caso interestadual em questão, que democraticamente é tristemente doloroso, fiquemos por terras tapuias.

Spinozianamente, é um mau encontro. Não porque o PSB comporá com um corpo cujas afecções carregam a tristeza. E não também porque o PCdoB comporá com um corpo cujas afecções carregam tristeza. Mas porque ambos, democraticamente, carregam afecções tristes, e este encontro será sempre a diminuição da potência de agir socialmente. A imposição do PSB de Serafim, querendo a aliança com o PCdoB, parece relações de casais malditos (como fala o filósofo Deleuze), que sempre transbordaram, mas exigem a permanecem da união. Por mais frustrada que seja. Ficam espacialmente juntos, mas os espíritos fantasmagoreiam alhures e algures. Embora a infidelidade seja pública.

Serafim não percebe, ou não quer aceitar (coisa do comeu do meu pirão, prova do meu cinturão) que o PCdoB sempre esteve mais para Braga do que para ele. É lá que Eron trabalha. Os ‘comunistas’ municipais não tinham o ‘tham!’ do deputado. Além do mais, o PCdoB ainda não evidenciou em si a evidência ‘política’ de Omar, que nunca foi comunista, e por tal foi o primeiro a passar — como diria o velho Milton, pai do filósofo Rui Brito — de malas e cuias para a ‘boa’ e reacionária direita. O PCdoB, salvo calculismo colonizado, que fala em dialética, não dialetizou os momentos carnavalescos do pós-ditadura com seus personagens fictícios que se queriam comunistas e que depois mostraram suas realidades edipianas com alguns deles até oferecendo poemas a Amazonino. Essa estória (com ‘e’, nada de H) de dizer começou a luta contra a ditadura (que já nem existia) junto com a gente, é engodo marxista (Perdão, Marx).

Uma imagem-conceito democrático óbvia que Serafim também não percebe é que, com a desistência da deputada Vanessa à disputa prefeitural e o apoio do PCdoB a Omar, com grande rejeição, principalmente da classe média, estudantil e grande parte da chamada classe pobre, essa triste aliança só vai lhe tirar possíveis votos. Votos de Vanessa que migram, em maioria, para o Praça, e parte para ele. O eleitor de Vanessa é escolado (nos dois sentidos), foi ele que lhe auxiliou a ganhar de Amazonino, Braga e Omar. Que havia prometido apoiar Vanessa. Omar, que Eron enalteceu em discurso de camaradas. E que, em possível segundo turno de Amazonino com outro, apoiará o duplo-ex inimigo biliar de Eron.

Colega (bom tratamento “quando havia galos, noites e quintais”, Belchior), Serafim, ninguém é, em ’política’, compulsivamente vice impunemente. Agora, se você quer apenas aumentar o tempo-eleitoral na mídia, lembra do eficiente-cronos Enéas.

2 thoughts on “PSB E PCdoB, O MAU DAS ALIANÇAS

  1. O PCdoB que antes parecia que “estudava” desta vez preocupado so consigo (Eron e Vanessa), não atentou para o prazo das coligações que deveriam ser homologadas até o dia 30 de junho de 2008. Segundo o presidente do TRE, juiz Ary Moutinho, não pode mais haver homologação e sim apoio formal. Mas há uma explicação: eles sabiam, como o Eron está do lado do Eduardo ia ficar “constrangedor” subir no palanque do Serafim. Diante dessa pendenga jurídica, eles podem correr para os dois lados. Prática que é comum nos políticos do Amazonas nos últimos anos.

  2. Valeu, companheiro Anônimo!
    Enquanto o PCdoB (Partido do Casal do Braga) vai se omitindo para se assumir, o povo só…
    Abraços!

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