O JOSÉ DA MIDIÁTICA ELIANE CATANHÊDE

A coletividade como codificadora de enunciações semióticas sonoro-cognitivas produziu em seus percursos sociais muitas sentenças lingüísticas, algumas palavras de ordem, entre elas a conhecida: “E agora, José?”. O poeta, apanhou-a, entremeou-se nas lides ontológicas, movimentou signos sociais, históricos, estéticos, políticos, e teceu a multiplicidade poética: “E Agora,José?”. O poeta sabe que não libera sentidos, mas sabe que as palavras sopram como devir desterritorializante. Como ventos cantantes acima da linguagem dada a ser ouvida. O poeta não se toma por mágico ou Deus. Ele apenas se desloca com as palavras para territórios ainda não habitados na aventura de torná-los visíveis a quem lhe acompanha. O poeta é apenas um companheiro.

A funcionária do Jornal Folha de São Paulo Eliane Catanhêde pôs um texto cognominado de “E Agora, Josés?”. Como se trata de uma obstinada defensora e propagadora do jornalismo de mercado, o jornalismo que não é uma disciplina cívica, e como para este jornalismo, o que menos importa é o espírito democrático da coletividade. À priori sabe-se que ela não recorreu a este enunciado em decorrência da cumplicidade que possui com a voz da coletividade, do mesmo modo que não recorreu a Drummond em função de sua amizade democrática com o poeta. Recorreu à enunciação coletiva-poética “E Agora, José”, respondendo a sua triste compulsão aos clichês. Visto que é impossível encontrar vida inteligente em tal prática jornalística.

A agente da Folha de São Paulo gruda na informação da Interpol (Polícia Internacional), que afirma ser verdadeiro os conteúdos encontrados no computador de Reyes, apreendido pelos militares do governo Uribe, em território equatoriano, e passa a defender a inocência do presidente da Colômbia, e desloca para suspeição os presidentes do Equador, Venezuela e Brasil, que se colocaram contra o episódio de violação do território do Equador realizado por ordem do governo Uribe. No emaranhado de seus clichês-josés, tem a petulância de exigir de Lula, depois de insinuar que Chávez financia as Farc, e que o governo do Equador tem relações com o grupo guerrilheiro, uma posição contrária a que vem adotando quanto aos dois países, principalmente a Venezuela, que, segundo ela e a Interpol, “a Venezuela estaria disposta até a enviar armas e US$ 250 milhões para o grupo guerrilheiro”.

Dos josés da funcionária midiática, perguntemos a um só: ela é diplomata? É consultora de política internacional do governo Lula? Membro da OEA? Qual a autoridade internacional que detém? No banal: é assessora de imprensa da Interpol? Lógico que não. Se a agente do jornalismo de mercado não consegue nem ser democrática profissionalmente, como se arvora a ser voz da polícia internacional e modelo de relação diplomática dos países sul-americanos? Só tomando tal desejo como mais um delírio megalomaníaco da direita conspiradora na pessoa da facciosa imprensa.

Breves clichês usados em seu minúsculo texto pró-Bush:

maus lençóis, a braveza descamba, velhas alianças, lavar as mãos, estão contra a parede, morrendo de rir, enfrentar o touro, achando graça nenhuma.

Afogada em sua semiótica-clichê, a conservadora nada carrega do José-coletividade, e nem José-Drummond. Mas carrega a similitude com o senador-clichê Arthur“5,5%”Neto.

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