EU, AMÉRICA

Faz-se a guerra e vai-se à guerra por motivos vários, os principais são patológicos.  A teoria expansionista sempre foi um sintoma patológico. Alguns, geo-econômico-ideológicos, outros, geo-econômico-teológicos, de qualquer sorte, sempre patológicos. Patológico, porque a lógica do nascer para viver é interditada com pela tara da eliminação culturalmente cultuada. Nisto mostra a supremacia dos impulsos tanáticos esquizo-paranóides sobre a razão. Todos os argumentos usados para a realização da guerra são sempre irracionais: saem sempre destas ordens entrópicas supersticiosas onde os impulsos paranóicos lançados na superfície impedem o aparecimento da razão. Não precisa ser um piegas cristão para perceber como estes homens e mulheres das guerras estão arrolados em suas patologias que as querem coletivas. “As guerras são feitas por sociedades!”, exclamam com o propósito de implicar os povos em seus desejos cruéis. Seus enunciados carregados de signos libertatórios e democráticos diante de seus atos irracionais, movidos por suas patologias, revelam a dimensão de suas vivências entrelaçadas com os outros, seus semelhantes: a impossibilidade de ter o outro como parceiro de uma jornada ontológica. O medo travestido de coragem. O medo de repetir a dor que sofreram em suas existências passadas que interditaram suas potências. A dor no outro é sempre seu medo alucinado no social: a patologia da guerra.

Homens e mulheres fazem a guerra nos territórios bélicos. As potências exercitam suas armas de precisão: as armas inteligentes. Homens e mulheres vão à guerra como profissionais das forças armadas, outros vão por razões financeiras: garantir um salário. São os recrutados que vendem sua força de trabalho bélico com o pensamento no ganho futuro. Os Estados Unidos da América sempre alimentaram o sonho da democracia política econômica, mas nunca conseguiram criar uma sociedade em que seus filhos não precisassem vender seus corpos em uma guerra. São seus excedentes econômicos prontos para serem recrutados no momento em que a patologia de um grupo se manifestar com precisão. O que sempre ocorre. Desde que se tornou potência imperialista, os Estados Unidos nunca passaram sem realizar uma guerra. A compulsão bélica-econômica expansionista. Agora, manifestada latentemente, é a vez do Tibet com culpa à China. A contagem do momento é a de 4000 mil americanos mortos (numericamente é pouco comparado com os iraquianos, os donos da casa, mortos entre militares e civis, principalmente crianças, mulheres e idosos) no Iraque. O líder do grupo, Bush, vem a público e diz que se responsabiliza, e os soldados continuarão no pais invadido e saqueado. Bush e Rice falam em liberdade e democracia. O mundo sabe: liberdade para seus impulsos sublimados em ambição econômica. Quem não vivenciou afetos construtores não pode viver a paz. A paz democrática é apenas um fenômeno acústico. O teatrólogo alemão Brecht, que viveu duas guerras, sabia desta patologia. Teve em seus calcanhares o não menos “humano demasiado humano” (Nietzsche), Hitler. Entre tantos escritos sobre as guerras, escreveu um poema retratando a pedagogia do aliciamento dos jovens para as guerras. Suas estratégias de doutrinação amparadas no niilismo mítico e místico. O que coloca a vítima mitificada-mistificada, seduzida, ajoelhada, diante de senhor sedutor, em nome de seus delírios. Na verdade simbiose: só há sedutor, porque há seduzível. O poema “Cantar de Mãe Alemã”, Bush, veste bem? É… Talvez. Foi composto em uma subjetividade Hitler. Bush é inferior em quase tudo a Hitler, só não, no ódio contra a humanidade. Assim, lhe veste bem o poema. Em verdade, o espírito de nossa época é sofrível. Como pode um Bush ser líder.

Cantar de Mãe Alemã

Meu filho, esse par de botas

E essa camisa marrom eu te dei

Mas teria antes me matado

Se soubesse o que hoje sei.

 

Meu filho, ao te ver erguer

A mão pra Hitler em saudação

Não sabia que o teu destino

Seria a própria danação.

 

Meu filho, ao te ouvir falar

De uma grande raça de heróis

Não sabia, não via nem pressentia

Que eras mais um algoz.

 

Meu filho, ao te ver marchar

Atrás do Hitler em corte

Não sabia que quem com ele partia

Nada acharia senão a morte.

 

Meu filho, tu dizias: a Alemanha

Em breve será motivo de assombro.

Eu não sabia que ela se tornaria

Um monte de cinzas e escombros.

 

Via a camisa marrom te vestir

Não me opor foi minha falha

Pois não sabia o que hoje sei:

Que ela era a tua mortalha.

(Tradução Paulo Cezar Souza).

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