O MEDIUM TELEVISIVO E A OPINIÃO PÚBLICA

MÍDIA E CORRUPÇÃO: TUDO A VER

A mídia golpista/seqüelada toma por corrupção qualquer desvio da conduta constituída que ofenda ou ponha em risco a moral de classe, os bons costumes e a inabalável retidão dos seus iguais. Daí as mentiras, os subornos, as depravações, o desrespeito ao próximo, as injúrias, brigas públicas, acusações infundadas praticadas por políticos profissionais, como assassinatos, roubos, tráfico de drogas, catástrofes, traições, dilemas familiares e outras tristezas servirem de conteúdo para a programação das variadas, mas iguais, mídias. É se alimentando da dor que a mídia se torna aquela que pratica, exige e dá o exemplo do que é ser correto, sério, digno, humano e justo. A mídia descansa, portanto, tranqüila, no leito da retidão, pois luta contra a corrupção. Então porque não reforçar esta luta inventando estas tristezas, acusando sem provas, noticiando vaziamente, informando pela desinformação, construindo factóides, escondendo os fatos, não analisando os acontecimentos, reproduzindo notícias sem critérios, sendo parcial, inventando matérias, enfim, sempre em busca do “furo” que fundamente suas fraudes midiáticas. Sempre à frente (embora com a audiência em baixa) a Rede Globo vai mais longe. Ela é a parceira oficial da campanha “O que você tem a ver com a corrupção?”, que será lançada nacionalmente no dia 16 deste mês. Bem que a Globo entende de corrupção. Só para ficarmos em alguns exemplos: foi parceira da ditadura militar, a tentativa de fraudar as eleições de 1982 no Rio de Janeiro para prejudicar Leonel Brizola, suas omissões e recusas em transmitir as campanhas das Diretas Já, em 1984, a influência de Roberto Marinho na nomeação do ministro Maílson da Nóbrega, em 1988, e atualmente a condenação em primeira instância pelas acusações, sem provas, no então espetáculo midiático, o “Escândalo do Mensalão”. O que não passa pelas informações verborrágicas da mídia é que a corrupção é produzida como efeito da inércia social/política que ela própria contribui para fortificar. Se os principais objetivos da campanha são acabar com a impunidade e educar as futuras gerações para que não haja mais corrupção no Brasil, a parceria com a Rede Globo, Folha de São Paulo e outras bem servem de exemplo para sabermos o que é corrupção, tanto no sentido cristalizado-midiático como no social/político. Logo, a Globo, como toda a mídia que prefere a inércia epistemológica à criação de outras percepções que não sejam as já constituídas, tem tudo a ver com a corrupção.

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