£ Enquanto a vereadora Lúcia Antony (PC do B/AM) deseja que em 2008 Manaus continue com o crescimento que teve em 2007, o presidente Lula afirma no programa Café com o Presidente que “2008 será infinitamente melhor que 2007”. Evidente, nenhum dos dois são profetas ou tem o dom da predição do futuro (que aliás, nem existe). Mas como faz parte do Ser o ato de futurar, ou seja, construir no plano da existência uma expectativa como expressão do Desejo a se conceber, é possível levar em conta os dois enunciados. No entanto, só se pode criar uma perspectiva futura levando em conta as condições materiais e imateriais com que se conta no presente. Nos oito anos de réveillon tucanos, o povo já expectava: muda o calendário, as coisas permanecem. Com Lula, não. Há a possibilidade de expectar algumas mudanças, ainda que não sejam aquelas que modificarão profundamente as seculares relações políticas e sociais de submissão ao capital estrangeiro. No caso da vereadora, expectar um ano para Manaus com o mesmo ritmo de 2007 é demonstrar um entendimento sobre o social muito próximo ao da direita: epistemologicamente reduzido, com as percepções sendo substituídas pelas imagens-clichê da mídia marketizada de prefeitura e governo. Senão aí, neste engodo, onde mais a vereadora teria visto crescimento social em Manaus?

£ E Lula ainda espetou a direitaça, que deve ter uma ceia natalina indigesta com os números divulgados durante o ano de 2007. Afirmou o presidente que o povo pobre está comprando mais, tornando-se consumidor. Embora não seja uma revolução social, como também falou o presidente, comer e consumir é sinal de que as pessoas terão possibilidade ao menos de suspeitar daquilo que está acontecendo ao seu redor. A eleição de Lula, a despeito do massacre midiático, é uma evidência disto. A repercussão negativa do fim da CPMF pela população, embora não encontre eco na opinião pública oficial e bem educada da classe mídia, também fará em breve ecoar seus dizeres nas urnas. Arthur e FHC, dois políticos profissionais com baixíssima popularidade no país, que o digam.

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