UMA BAGACEIRA NATALINA AFINADA

Eu queria ser poeta

E decifrar os versos prontos falando de amor

Mas não sobrou algumas palavras

E por isso decidi falar usando o som

A música penetra a alma

E pode chegar até seu coração…”

Tudo começou com a situação da ex-rua Rio Jaú, no Novo Aleixo, conhecida já neste bloguinho a partir do Projeto Poseidon. Devido à inexistência da rua produzida pelos governos passados e presentes na não-cidade de Manaus, os moradores resolveram fazer do Natal algo além do que a festa simplesmente familial e resolveram fazer uma festança comunitária. Para tanto, contactaram Mário Augusto, “O Bonde do Bolero”, como é conhecido nas casas de Manô, prepararam as comilanças, do bode assado ao pato no tucupi, cotizaram para as bebelanças, e quando o bolerão rolou caíram na ginga e na beleza de festejar com aquilo que nenhum péssimo governo poderia impedir: a alegria.

Meu nome é Mario Augusto. Tenho 37 anos de carreira, na luta, ralando direto. Eu tô com 8 meses aqui em Manaus, trabalhando, lutando, tô com 3 CD’s gravados, 2 de forró e 1 de bolero. Sou de Fortaleza, nascido em Tiaguá, mas casei no Pará, em Monte Alegre que é a minha terra. 25 anos de casado no Pará. Eu andei em Marabá, Serra Pelada, no tempo dos garimpos, fazendo show com banda, Belém do Pará, Macapá, Oiapoque, Chuí, na Colômbia, sempre com banda. Agora eu tô com carreira solo. É por aí o caminho…

Aqui em Manaus, eu queria que aparecesse um empresário pra me empresariar, porque as minhas canções são muito boas. Eu sou cantor e compositor. O meu CD eu gravei agora no Fast Clube em Manaus. São 6 canções minhas, inéditas, e 12 dos outros cantores que a gente liga e pede permissão pra gravar as canções. No momento aqui em Manaus eu tô conhecido como “O Bonde do Bolero”, Mário Augusto, que com oito meses eu já vendi quase mil CD’s. Eu espero que apareça uma pessoa pra me iluminar e crescer em Manaus, porque essa terra aqui é muito boa, bonita e maravilhosa. Gostei daqui e vou ficar aqui, lutando aqui. O outro rapaz que canta é meu filho, o que toca é meu filho, por sinal, muito bom, toca divinamente bem. Começou com 13 anos. Ele está no trabalho comigo há 7 anos.

Eu sou um cara muito humilde, eu gosto de fazer amizade, como cantor, como profissional. Gosto de abraçar a todos, faço um show alegre, contente, gostoso e só canto sorrindo. Quem quiser me contratar no momento, quem quiser me conhecer, quiser conhecer o meu trabalho, o meu CD, meu telefone é 9612-2627 ou 9605-1893. Eu levo esse show pra qualquer canto do Brasil. Tenho as minhas dançarinas, tenho um grupo formado com toda a galera, são 8 pessoas. Tô tocando pra galera me conhecer…

E assim o galo cantou e a festa continuou, e continuará comunitariamente no corpo e na afetividade que aproxima as pessoas numa linha existencial lúdica fazendo microfissuras na realidade objetiva excludente que o poder constituído propaga e deixando passar no arrastapé do bolero e do forrobodó experiências que, como diria Nietzsche, nunca passarão pelo sistema nervoso central dos ressentidos elitistas, que somente o povão, com toda a sua diversidade, nas suas criações intempestivas, inimagináveis vão tecendo como novidade: Natal…

 

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