PROJETO POSEIDON, METEORO, KAFKA E COMUNALIDADE

Quando leitores do bloguinho viram a publicação anterior do Projeto Poseidon, expressaram-se dizendo parecer que caíra um meteoro na que nunca foi rua Rio Jaú. Havia crateras, havia um lago no meio da ex-rua, que estava servindo de viveiro senão aos ovos do Aedes aegypti, o popular mosquito da dengue. Os bueiros ficaram abertos aos céus e às crianças, pois uma delas caiu e teve de ser socorrida por moradores. E ainda terá quem diga que é negligência dos pais? Que dirão da Prefeitura?

 

Um desses bueiros, que acumulava mau-cheiro, sujeira e muitos insetos, justamente em frente de uma Panificadora, foi aterrado pelos comunitários (foto acima). É a comunalidade das pessoas, que vêem cada vez mais a necessidade de aproximar-se para compor uma potência democrática, enquanto o poder público, por aqueles que o estão representando, é cada vez mais negligente e omisso, antidemocrático.

 

Dizem os moradores que agora já estão até a passar carros e motos por aí. No outro esgoto que ficou aberto, no entanto, uma cratera está se esgarçando rapidamente a cada chuva. Mas os moradores não vão esperar pela operação tapa-buracos da Prefeitura de Manaus e também já estão fazendo uma cooperação entre si para tapar a cratera.

Talvez sabendo disso, ainda há pouco, pela manhã, uma caçamba da Prefeitura veio trazendo uma carrada de lixo para jogar nesta cratera. Os moradores não deixaram a caçamba descarregar. E ele continua assim:

 

Burocracia kafkiana

Uns moradores da ex-rua, só para confirmar o que todos já sabem — a desorganização do serviço burocrático da Prefeitura de Manaus —, ligaram para os números telefônicos que nunca proporcionam nenhuma informação inteligível. Primeiro ligaram para o Distrito de Obras Petrópolis-Coroado (tel. 3663-2110), ao qual sempre ligavam e, apesar de não disporem de nenhuma informação, responsabilizavam-se por se informarem e posteriormente informarem aos moradores sobre a situação da ex-rua, o que nunca cumpriram. Mas desta vez o atendente passou um outro número, da Gerência de Obras do São José (tel. 3248-1644), que explicou que esta Gerência nada tinha a ver com a localização do Novo Aleixo. Os moradores ligaram novamente ao Distrito Petrópolis-Coroado, o atendente desculpou-se “porque estão havendo algumas mudanças” e passou outro número (3644-2102), para falarmos com o Eng° Leandro, mas a ligação foi bater no Serviço de Drenagem, onde explicaram que não tinham nada a ver com este serviço de informação, mas informaram que o Distrito de Obras Petrópolis-Coroado foi novamente desmembrado e o Distrito do Coroado, onde poderíamos falar com o Engº Leandro, ainda não tinha telefone. Assim, confirmou-se aquilo que está presente na burocracia dos romances e contos de Franz Kafka, que a burocracia do Estado nada informa, nada explica, nulidade de inteligência, incapacidade de qualquer entendimento político; seu papel é justamente o de fazer com que o estado de coisas perdure sem nada alterar na ordem do poder constituído. Mas tal qual os personagens de Kafka, que nunca recapitulam, os moradores da ex-rua Rio Jaú continuam e vão tecendo relações de comunalidade por fora da força tirânica deste poder, principalmente agora que o meteoro já caiu e Poseidon vem chegando pelo mar. Contra a Natureza este poder nada pode fazer, nem mau…

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