Nas manifestações do Dia Mundial do Combate à Aids, entidades variadas aproveitaram não somente para afirmarem a data promulgada internacionalmente, mas para tomar o acontecimento Aids além das políticas adotadas pelos estados. Tomá-lo como uma enunciação pós-moderna nascida e projetada nos emaranhados político-tecnológicos. Como transfiguração do conceito de doença apresentado até então, pela sintomatologia médica dominante. O fim da infalível leitura dos mecanismos de defesa do organismo sobre o texto celular agente da imunidade. O enunciado dos portadores e não mais das doenças. Território do estresse ontológico de onde saltam suspeições místicas, míticas, científicas e econômicas. Aprofundamento das elucubrações sobre prazer e dor. Angústia da culpa tanática. Obrigação, como diz Herbert Daniel, de “renomear nossos dias, para evitar inclusive que dias e aids sejam anagramas. Outras letras, para escrever tempos outros”. Desativar o perverso e calculista poder-controlador exercido pelas políticas “terapêuticas” discriminadoras. As chantagens dos impérios políticos-científicos.

O AMOR DE BUSH

Pois bem, eis que em meio às manifestações surge o agente patológico mais deletério da pós-modernidade. O transportador das novas formas microbianas, viróticas e sociais de enfermidades. A síntese psicopática das doenças estresses e autoimunes: Bush. Bush, o desprezo-mundial, se mostrando engajado na luta. Preocupado com a dor e a ameaça de morte dos portadores do vírus da ciência pós-moderna. Ele, títere-agente do grande capital internacional, autor de saques, prisões, torturas e assassinatos dos povos. Diante desta aparição, alguém poderia afirmar ser a demonstração real e cruel do espírito absoluto da hipocrisia, mas não é. É bem pior: é a demonstração real e cruel da ameaça que vive o planeta sob os impulsos patológicos de um sujeito sem qualquer sentido de discernimento sobre o real e suas fantasias. Sem possibilidade de discernir a dor provocada pela política econômica-bélica: guerra, e a dor constituída nos percursos naturais(?): as doenças. Um caso clínico/aperceptivo/acognitivo. Um caso não moral, mas um caso amoral, onde todas as possibilidades de experiências axiológicas foram eliminadas. Todos os valores de co-vivências com o homem foram diluídos pelas forças sociopatas cultuadas tenazmente em sua jornada de dor. Outro alguém poderia recorrer à máxima evangélica e sentenciar: “Sendo assim, ele não sabe o que faz”. Ele pode não saber a dor que faz ao outro, mas sabe o prazer que faz a si causando o sofrimento no outro. Nisto se encontra a responsabilidade de sua patologia, pois só um amoral pode querer se mostrar solidário a uma causa que exige princípios totalmente contrários à sua amoralidade e não perceber os sentidos e a inteligência da comunidade internacional sentindo e refletindo sobre seu ato. O primeiro sintoma social apresentado por um indivíduo aprisionado na dor sublimado no sadismo, a impossibilidade de reconhecer o outro como sensível e intelectível. Os fundamentos da existência. Bush é este indivíduo, por isso não alcança os fundamentos da Aids. Pois a Aids está inscrita na vida e não, na morte. Bush é inimigo da vida. Daí porque a Aids não precisa do amor de Bush.

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